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Mano dá a dica: Kaká tem encontro marcado com a Seleção em 2011

Mano dá a dica: Kaká tem encontro marcado com a Seleção em 2011

Atualizado: Terça-feira, 7 Dezembro de 2010 as 2:16

Ronaldinho Gaúcho já retornou à Seleção Brasileira. Foi camisa 10 na derrota para Argentina, no último dia 17 de novembro, e muito provavelmente terá mais chances com o técnico Mano Menezes. Mas outra grande estrela do Brasil está na mira do treinador: Kaká. Em fase final de recuperação de uma cirurgia no joelho esquerdo, o meia vai voltar a jogar pelo Real Madrid em fevereiro.

- Acredito que há uma possibilidade grande de retorno. Só precisamos esperar para ver como as coisas vão acontecer na sua volta ao Real Madrid – declarou Mano Menezes, durante entrevista exclusiva ao GLOBOESPORTE.COM , em uma sala reservada do Copacabana Palace, onde está sendo realizado o Footecon 2010.

Assim como fez com Ronaldinho Gaúcho nos últimos meses, Mano Menezes teve conversas com Kaká durante o tour que fez para ver jogos na Europa. O técnico sabe da ansiedade que o camisa 10 do Brasil na Copa do Mundo na África do Sul está sentindo para voltar à ativa, já que sua última partida foi a derrota por 2 a 1 para a Holanda, nas quartas de final do Mundial, no dia 2 de julho.

- Muito provavelmente existe uma ansiedade porque ele jogou muito pouco em seu novo clube. Até porque o projeto do Real Madrid era grande para ele. Espero que dê certo, porque assim teremos um grande jogador à disposição – completou o comandante da Seleção.

Nesta entrevista, Mano falou fez também um balanço do seu trabalho até aqui na Seleção Brasileira, explicou o processo do retorno de Ronaldinho ao time, comentou também sobre Paulo Henrique Ganso, Copa América... Confira abaixo:

GLOBOESPORTE.COM - Nesses cinco meses em que você está na Seleção Brasileira foram quatro amistosos e um período de treinamento. Qual o balanço que você faz?

Mano Menezes - Ainda não há questões que podemos avaliar com firmeza que não são o caminho a ser percorrido. Inicialmente foi preciso abrir o campo de observação, mas tomando cuidado para não abrir tanto e perder noção de avaliação. Por isso procuramos estabelecer um grupo para o qual iríamos dirigir todas as atenções. E o que era mais difícil e preocupante? Os amistosos. Porque não é fácil você pegar uma equipe que jogou a Copa do Mundo, tirar dez titulares e colocá-la diante de outras seleções com bases formadas. A maneira como esse grupo respondeu rápido a isso foi o ponto positivo. É importante mostrar o resultado necessário em campo.

Então você considera que os quatro amistosos realizados sob o seu comando foram bem escolhidos nessa primeira etapa?

Vamos ter uma preocupação constante em relação aos amistosos. Principalmente para escolher adversários que possam apresentar diferentes características de jogos e dificuldades. Temos de estar preparados para todas as situações. Mais adiante agora vamos jogar, muito provavelmente, com uma equipe oriental (especula-se que seja o Japão), teremos também times mais pragmáticos, como a Alemanha, em agosto. Mas antes vamos ter a França, em fevereiro. É um time que está em um processo de renovação parecido com o nosso. Depois disso temos de aproveitar os jogos oficiais (na Copa América da Argentina) de maneira muito firme, sempre com força máxima.

Você considera que conseguiu formar uma base na Seleção Brasileira?

Quando eu digo que não podemos abrir demais o campo de observação tem a ver com isso. Se você começa a variar demais acaba tendo pouco parâmetro. E o que precisamos hoje é um parâmetro confiável. A partir dessa base vamos evoluir em outras situações daqui por diante.   Falando no futuro, em 2011 o Ganso e o Kaká devem estar de volta...

Esperamos que sim, né... São dois ótimos jogadores. O Ganso, muito mais jovem, mas com uma trajetória recente muito boa e uma estreia melhor ainda pela Seleção Brasileira. E o Kaká com uma história de conquistas e muitos jogos pelo Brasil. Acredito que há uma possibilidade grande de retorno. Só precisamos esperar para ver como as coisas vão acontecer no seu retorno ao Real Madrid.

Não participar das Eliminatórias da Copa do Mundo é positivo ou negativo?

Temos os dois lados, sem demagogia alguma. Uma eliminatória sempre traz um desgaste e uma pressão pela classificação, até porque a concorrência na América do Sul está cada vez mais forte. Esse é um lado. Mas em outro ponto de vista uma competição como essa sempre vai dar consistência ao time.

O que você tirou de mais proveitosos nas análises de jogos do Campeonato Brasileiro e também do que viu no futebol europeu?

Nós temos uma dificuldade no Brasil que é a falta de continuidade das equipes. No Brasileirão, por exemplo, as equipes estavam jogando em novembro apresentando oscilações de início de temporada, em termos de rendimento. Isso é prova da dificuldade de manutenção. É diferente na Europa. Você vê o Barcelona jogando e tem muito pouca variação e isso produz mais entrosamento, dinâmica de jogo... Essa ainda é a grande diferença para o Brasil, mas em termos de jogadores todos são parecidos tecnicamente. Tanto que daqui a pouco saem mais alguns.

Então não existe isso de que o futebol brasileiro está nivelado por baixo?

Todo ano é comprovado o contrário. Como pode estar nivelado por baixo se a cada ano produzimos mais jogadores capazes de chamar a atenção dos europeus. Só bato na mesma tecla que temos de manter uma equipe por pelo menos três anos. Certamente isso vai dar um futebol melhor ao Brasil. Se olharmos ali para trás, nós vemos ver o São Paulo, que talvez seja a equipe que mais marcou essa última metade da década. Vimos isso no São Paulo nos últimos anos e pudemos assistir um futebol de nível europeu.

Pensando nessa continuidade, a Seleção Brasileira, então, deve priorizar em algumas ocasiões a sequência do jogador em vez do momento?

Existem casos específicos em que isso é importante. Até pela trajetória que determinado jogador já teve. Se momentaneamente ele não está bem, por outro lado existe o interesse do atleta, a dedicação, a intenção de fazer parte, mostrado não só em palavras, mas também em atitudes.   Com o Ronaldinho foi assim...

É um bom exemplo. Acho que não podemos imaginar que um jogador de 19, 30 anos não tenha capacidade de render mais. Essa questão é muito mais de confiança do jogador. Eu tive uma conversa com o Ronaldinho depois do amistoso com a Argentina e você sente a ansiedade do jogador em saber de que plano faz parte. É importante, então, o treinador passar esse retorno, porque ele pode fazer um planejamento pessoal e buscar uma motivação interna. Fazer isso não traz nenhum comprometimento demasiada para o técnico. Você só está dizendo que ele faz parte, não que ele está lá. Ele precisa fazer a parte dele para estar lá.

Como que o Ronaldinho Gaúcho te mostrou esse comprometimento?

Essas conversas são muito pessoais. Mas você sente no que o jogador fala, na fisionomia. Por isso é importante o contato pessoal, porque por telefone você pode estar falando e a pessoa olhando para o nada. É importante sentir quando a pessoa quer fazer parte do trabalho, o brilho no olho de quem quer voltar. Isso foi possível sentir no Ronaldinho Gaúcho desde a primeira conversa.

Você teve uma conversa semelhante com o Kaká?

Tive. Mas são situações meio distintas, porque o Ronaldinho está jogando e o Kaká está se recuperando ainda. E a recuperação tem sido dura, longa... isso desgasta. O jogador não consegue ter aquela confiança para saber como vai retornar. Muito provavelmente existe uma ansiedade porque jogou muito pouco por seu novo clube. Até porque o projeto do Real Madrid era grande para ele. Espero que dê certo, porque assim teremos um grande jogador.

Ronaldinho, Ganso, Kaká... Se tiver esses três, o que você vai fazer?

Tudo que o técnico quer é um problema desses. Ter muitos jogadores atuando bem para poder escolher quem mais se adéqua. E o meio-campo é um setor que precisamos evoluir. E esse processo passa por ter mais opções.

Como será a preparação da Seleção Brasileira para a Copa América?

Eu espero continuar repetindo uma boa parte desse grupo. Estamos no caminho certo em relação à nova Seleção Brasileira. Vamos analisar se vamos ter mais dois ou três retornos (dos jogadores da Copa do Mundo). Vamos tentar dar mais consistência e rodagem para essa competição, até porque os jogadores que estão acostumados a ela podem ajudar os mais jovens. Assim oscilamos menos.

Você tem tido uma boa relação com o povo. Recebe muitos pedidos?

A melhor parte disso é que o torcedor demonstra que quer ver o melhor jogador do seu time na Seleção. E ninguém quer ver o seu melhor atleta em um lugar onde as coisas não estão sendo bem conduzidas. Eu brinco com o torcedor, mas essa é a parte que ele pode fazer isso mesmo, de pedir. Recentemente tenho recebido muitos pedidos dos cariocas, empolgados com a conquista do Fluminense, para naturalizar o Conca. Mas acho que nessa vamos decepcioná-los.

É claro que seu trabalho para a Copa de 2014 é mais dentro do campo, mas você está preocupado com a demora das obras no Brasil?

Eu penso que cada um tem que fazer a sua parte bem feita para o Brasil sediar uma excelente Copa em 2014. Independentemente de ver que alguns processos de estrutura estão atrasados ou deveriam estar mais adiantados, a parte do técnico é organizar a Seleção, porque ficaria muito chato se alguém quisesse organizar a equipe para mim.    

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