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Maradona: "Argentina tem mais chances do que em 1986"

Maradona: "Argentina tem mais chances do que em 1986"

Atualizado: Quarta-feira, 12 Maio de 2010 as 10:33

Diego Armando Maradona viveu na terça-feira um dos dias mais tensos desde que está no comando da seleção argentina, pois teve de tomar as decisões mais importantes da sua ainda recente carreira como técnico. Mas depois do anúncio da lista de 30 jogadores, divulgou a escalação para a estreia na Copa do Mundo, dia 12 de junho, contra a Nigéria, falou sobre tática e como quer que Messi jogue e comparou a atual equipe com a que comandou com seu talento dentro de campo para conquistar o segundo Mundial disputado no México.

- Tenho confiança no meu time. Eu acho que temos até mais chances do que tínhamos em 1986. É verdade. Em 86, não tínhamos a certeza que hoje temos em todos os nossos jogadores. Nós agora temos mais do que tínhamos - disse Maradona, em entrevista ao programa "La Última Palabra" (A Última Palavra, do "Fox Sports").

O técnico e ídolo argentino chamou até 108 jogadores em pouco mais de um ano, 72 deles nas eliminatórias, em um total de apenas oito jogos desde que passou a dirigir a "Albiceleste". Mas estava na hora de se decidir por 30. E como cada vez em que enfrentou os zagueiros mais ferozes quando era jogador ou quando enfrenta aos microfones, Maradona não hesitou em bater pé no chão como se dissesse 'Quem manda aqui sou eu'. Como resultado, ficaram fora da lista alguns jogadores com histórico na seleção e que vivem grande momento como Javier Zanetti ou Esteban Cambiasso. Além de outros como Fernando Gago, Lucho González e Lisandro López.

Maradona explicou a razão pela qual ele testou tantos jogadores:

- Demorei para encontrar o meu time porque os jogadores estavam acostumados a jogar com outro sistema, com outro técnico. Mesma coisa com os seus clubes. Tenho jogadores que vêm do Barcelona e outros do Inter. É difícil depois fazer eles jogarem com outro sistema.

Motivado pela conversa sobre tática, o treinador aproveitou para falar sobre um jogo que deixou nele uma sensação estranha.

- Eu nunca jogaria como o Inter de Mourinho jogou contra o Barcelona. Vou falar que adoro o Mourinho, mas não dá para jogar assim quando você tem tantos bons jogadores. Se fosse o Olimpo ou o Tiro Federal (times pequenos da Argentina), aí eu posso compreender. Mas assim não dá, porque o gol do Bojan deveria ter sido validado e assim o Inter teria ficado fora - opinou.

Mesmo pressionado nas últimas rodadas das eliminatórias, Maradona levou a Argentina a ganhar do Uruguai no Estádio Centenário de Montevidéu para garantir a presença da sua equipe na Copa do Mundo da África do Sul. Para aquele jogo, o técnico e ídolo decidiu modificar a defesa, e com os mesmos jogadores, o resultado positivo se repetiu em Munique contra a Alemanha, o que lhe deu uma confiança que não se via até então.

- Eu vou jogar com quatro zagueiros na defesa e nenhum lateral porque são eles os que me dão mais segurança - avisou.

Mas Maradona vai além e faz o que nenhum técnico no mundo faria. Ele anunciou, um mês antes do jogo, qual será a escalação do time na estreia contra a Nigéria, dia 12 de junho.

- Vou jogar com Sergio Romero, Nicolás Otamendi, Martín Demichelis, Walter Samuel e Gabriel Heinze na defesa. Mascherano perto deles no meio do campo. Verón é o meu Xavi. Jonás Gutiérrez e o Di María pelos lados, Messi livre e o Higuaín para empurrar a bola para a rede - adiantou.

Quando chegou o momento de falar sobre o astro do time, Lionel Messi, Maradona encontrou uma explicação particular para o motivo da tendência do melhor jogador do mundo eleito pela Fifa no ano passado de jogar encostado na ponta direita.

- Messi cresceu vendo o Ronaldinho jogar no Barcelona. Ronaldinho jogava na ponta esquerda e depois cortava para a meio, mas ele jogava sempre na esquerda. Messi vem da escola do Ronaldinho, e fazia o mesmo encostado na direita. Agora é difícil para ele mudar tudo o que aprendeu no Barça com Ronaldinho. Porque eu quero que ele possa jogar por todo o campo, não só na direita.

A mensagem do ídolo para o povo argentino é clara:

- Na Copa, você tem que esquecer a temporada que fez no clube. Na Copa, você tem que jogar com o coração.

Por Sebastián H. García

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