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Maratona de SP em 6h: a corrida além da velocidade das feras da elite

Maratona de SP em 6h: a corrida além da velocidade das feras da elite

Atualizado: Segunda-feira, 20 Junho de 2011 as 11:41

Após mais de seis horas de esforço, corredor se 

joga (Foto: Lucas Loos / GLOBOESPORTE.COM)

  A torcida já tinha deixado o Parque do Ibirapuera, os atletas da elite estavam de volta aos hotéis da capital paulista, grande parte da imprensa já tinha largado seus postos de trabalho e a organização se empenhava em desmontar toda a estrutura erguida para a Maratona de São Paulo. Mas, após seis horas de prova e um trajeto percorrido de 42 quilômetros, bravos corredores ainda davam o último gás para cruzar a linha de chegada.

Quando o cronômetro da linha de chegada cravava em seis horas de prova, a corredora Geralda Cordeiro dos Santos terminava a sua  jornada, amparada pela família, que também correu. Bruna, Andrea e Silvania, as três filhas, participaram de provas menores. Sebastião Antônio Fiula, o marido e grande incentivador do esporte na casa, percorreu o trajeto de 42 km. A família, inclusive, foi o grande combustível para levar Geralda até o final.

- Desistir jamais. Sou persistente. Tenho seis filhos e preciso dar o exemplo para eles. Não importava o tempo, mas precisava completar. O sofrimento é grande, mas é muito prazeroso ao mesmo tempo - diz Geralda, que corre há cinco anos e já tinha participado de uma maratona, em Curitiba.

Amigos novos e amigos fiéis

Em menos seis horas, é possível fazer algumas coisas. Segundo o serviço de mapas do Google, dá para ir de carro de São Paulo ao Rio de Janeiro, por exemplo, num tempo inferior a esse. Uma noite de sono também pode levar seis horas. Algumas pessoas, porém, aproveitam este tempo para completar uma maratona e, de quebra, fazer amigos. Foi o caso de Fabio Firmino e Diego Luis Ferreira, que cruzaram a linha de chegada quando o cronômetro apontava para exatas 6h30m de prova.

- Viemos batendo papo da altura do quilômetro 30 até aqui. Consegui correr até o quilômetro 33 e depois tive que diminuir o ritmo. Já corri três maratonas, mas essa foi a mais sofrida - garante Fabio Firmino, que cruzou a linha de chegada ao lado do novo amigo.

Amigos registram chegada de Diego Luis Ferreira (Foto: Lucas Loos / GLOBOESPORTE.COM)

  Amigos de verdade foram os membros da Associação Desportiva da Polícia Militar. Após receberem as medalhas e já estarem descansados, sete integrantes da equipe voltaram ao percurso da prova para resgatar um companheiro. Na reta final, eles chegaram abraçados.

- Ligamos para o Souza e fomos ao encontro dele. Ele estava com os dois joelhos estourados e não aguentou o nosso ritmo - disse João Lima Santos, que, ao lado do amigo Claudino Alves, não parava de brincar com o colega “atrasado”.

Torcida exclusiva

Com as chegadas da elite em pouco mais de duas horas de prova, o público, que vibrou e aplaudiu muito os atletas, não aguardou a chegada dos mais atrasados. Mas teve quem fizesse o caminho inverso. Os corredores Márcia Assat e Fernando Spears não participaram da prova, mas fizeram questão de chegar mais tarde apenas para recepcionar os últimos colocados.

Souza, terceiro em pé da direita para esquerda, é homenageado (Foto: Lucas Loos / GLOBOESPORTE.COM)

  - Esses caras são os verdadeiros heróis. É muito duro o que eles estão fazendo. Nós corremos e sabemos como é sofrido participar de uma maratona. Por isso, viemos prestigiá-los - diz Fernando, que fazia questão de aplaudir e dar parabéns a cada corredor que cruzava a linha de chegada.

No total, 20 mil pessoas se inscreveram para as provas de 42, 25 e 10km, além da caminhada de 3km. Após 6h30m de prova, ainda era possível encontrar corredores cruzando a linha de chegada, mas a organização já havia parado de contabilizar os tempos.            

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