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Meninos da Vila 4.0: campeão do Brasil, Sub-15 é bola da vez no Santos

Meninos da Vila 4.0: campeão do Brasil, Sub-15 é bola da vez no Santos

Atualizado: Quarta-feira, 27 Julho de 2011 as 9:44

Gabriel, Willians, Juninho Baiano, Leozinho, Marcel… Todos nomes ainda desconhecidos para o torcedor do Santos, mas que surgem como grandes promessas para darem sequência a uma dinastia que começou em 1978 e dominou o futebol brasileiro nos primeiros anos do século XXI: os Meninos da Vila. No embalo da geração comandada por Ganso e Neymar, uma nova molecada começa a chamar a atenção na Vila Belmiro e tem como cartão de visitas o título de melhor equipe sub-15 país, graças à conquista da Copa Brasil, no interior do Paraná, no início do mês.

A expressão, que surgiu em 1978, com o título paulista comandado por jovens talentos como Pita, Nilton Batata, Juary e João Paulo, ganhou o país em 2002, quando Diego e Robinho foram as estrelas de uma equipe que conquistou o Brasileirão com talentos precoces como Paulo Almeida, Renato, Elano e Alex. Parte deste grupo seria ainda campeão nacional novamente dois anos depois. A entressafra de oito anos até que Neymar e Ganso levassem o Peixe ao tri da Libertadores desta vez deve ser mais curta.

Nova geração de Meninos da Vila se diverte em ônibus antes de jogo (Pedro Veríssimo / Globoesporte.com)

  Comandado por Gabriel, talento de 14 anos que é apontado como uma mistura das duas figuras exponenciais da geração atual, o Sub-15 repete os ídolos no modo de se vestir e na desenvoltura diante das câmeras. Em campo, porém, a preocupação é que o futebol moleque característico do clube seja cada vez mais aliado à competitividade e objetividade necessárias ao futebol moderno.     - As características de jogo são um pouco diferentes. Esta equipe tem um coletivo muito forte. São jogadores que têm capacidade para desequilibrar, mas de forma mais simples, um "tira e bate". É assim com o Willians, Robertinho, Fernando, Leonardo, que é um lateral muito incisivo... – analisa Emerson Ballio, técnico da equipe.

Ex-comandante também da Sub-20, Ballio tem a experiência de ter trabalhado com grande parte dos jovens talentos que levaram o Santos ao status atual. Rafael, Alan Patrick, Adriano e, obviamente, Neymar, passaram por suas mãos e algumas semelhanças entre os dois grupos são evidentes.

- A maior semelhança está na personalidade com que eles jogam. É como na época do Neymar, Adriano, Alan Patrick, Rafael... E é o que tentamos passar para eles. Jogar no Santos não é fácil. É preciso estar preparado e ter ousadia, vontade de vencer.

Diversão dentro e fora de campo é obrigação

Destaque da geração, camisa 10 Gabriel ouve 

orientações do treinador Emerson Ballio

(Foto: Cahê Mota / Globoesporte)

  Supervisor das categorias de base do clube, Bebeto Stival evita que cobranças precoces ou comparações recaiam sobre os ombros das novas promessas. Para ele, o importante é que o atleta cresça gradativamente de acordo com a categoria que representa, sem a pressão de repetir seus antecessores. A única coisa que o clube não abre mão é que a formação siga as características do jeito Santos de ser.

- Temos um perfil diferente no Santos. Cada categoria tem uma forma diferenciada de trabalhar. Respeitamos muito esses níveis. Até para que o garoto possa se divertir. A cobrança é graduada, em forma de escala. A obrigação da base é formar, deixar o jogador pronto para que possa chegar ao profissional e seguir a carreira dentro da filosofia do clube.

E o chamado futebol moleque apresentado em campo é reflexo da postura descontraída que o grupo exibe fora dele. Assim como Diego, Robinho e Neymar sempre deixaram transparecer, a diversão é parte natural do processo de formação santista. Durante a Copa Brasil Sub-15, o GLOBOESPORTE.COM invadiu o alojamento em Apucarana (PR) para conhecer de perto a realidade da garotada.     De cara, o atacante Matheus, apelidado de Manga e eleito destaque da competição, assumiu o microfone para apresentar os companheiros e deixa-los à vontade. No lugar de nomes, porém, surgiram alcunhas como Chuck, Cabeça de Balão, Cabelo de Arame, Pit-Bitoca, Lobão, Paraguaio, Oséias, Cabeça de Batata, Cobra, Filho do Elano , Boca de Caçapa, Faixa e Mutante. Cópia fiel do volante Elano, o também volante Juninho Citta foi um dos principais alvos da brincadeira.

- Olha o nariz dele! Ele puxa todo ar. Acaba faltando oxigênio – se divertiu Manga.

Elaninho, como é chamado, encara a situação com bom humor e admite que a conduta é, sim, inspirada nos ídolos do profissional.

- É um estimulo. Procuramos nos inspirar nessas gerações para subir como eles subiram e ter sucesso. O Santos usa muito a base e isso é um incentivo a mais. Procuramos seguir o exemplo do profissional. Acaba saindo o futebol bonito, com show. Ousado e alegre. Acaba se transformando em vitórias.

No repertório: caneta, elástico, chapéu e dancinhas

Entre provocações e conversas pelo Twitter, outro passatempo inspirado em Neymar, as dancinhas fazem parte do cotidiano. O coreógrafo do grupo é o lateral-direito Juninho Baiano. No clube desde o fim de 2010, ele é o responsável por atualizar os companheiros com os sucessos da terra do axé, sempre presentes nas comemorações de gol.

Dancinhas fazem parte da rotina da garotada sub-15 também (Foto: Cahê Mota / Globoesporte.com)

  Os momentos de diversão, no entanto, têm limites no alojamento. A orientação é de que às 23h todos deixem seus computadores, apaguem as luzes e sigam para cama. O cumprimento do toque de despertar, de acordo com programação, arrumação das camas e limpeza dos banheiros também é indispensável para que a descontração não se confunda com indisciplina.

- Dentro do alojamento é quase que um quartel. É tudo pré-determinado. Horário para acordar, dormir, comer... São moleques bons, de coração bom e que querem alcançar um objetivo. Nosso papel é orientar. Eles só estão no infantil ainda. Tem muita caminhada pela frente. É só um começo – analisa Agnaldo Gonçalves, segurança da equipe profissional que estava emprestado para o Sub-15 durante a competição.     Já em campo o improviso é liberado. Se a comissão técnica tenta fazer da objetividade uma marca deste grupo, o drible é uma característica histórica do Santos, o que fica claro na declaração dos meias Willians e Thiaguinho.

- Tentamos meter gol, dancinha, chapéu, caneta, elástico... – revela Willians.

- Sempre me inspirei no Robinho, nas pedalas. Não pode faltar em nenhum jogo – completa Thiaguinho.

O histórico dos Meninos da Vila acaba contribuindo até mesmo para a captação de talentos. Pai do camisa 10 Gabriel, principal aposta desde Neymar, Valdemir Almeida aponta o Peixe como caminho natural para jovens talentos no cenário atual.

- É uma tradição do Santos aproveitar os garotos da base. Foi com Robinho, Diego, e virou uma tradição. Qual garoto não quer jogar no clube hoje? É um clube que revela talentos para o mundo inteiro.

Teoria comprovada em campo nos últimos anos e definida em poucas palavras pelo técnico Emerson Ballio:

- Isso é Santos.

Brincadeira tem hora: antes da preleção, garotada adota seriedade (Pedro Veríssimo / Globoesporte.com)            

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