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Mesmo em obras, Maracanã ainda atrai visitantes de todo o mundo

Mesmo em obras, Maracanã ainda atrai visitantes de todo o mundo

Atualizado: Quarta-feira, 15 Dezembro de 2010 as 3:17

O ano era 1958. Aos 14 anos, Kenneth Swanvall foi ao estádio Rasunda com o pai e o avô para torcer pelo primeiro título da Suécia na Copa do Mundo. A taça não veio. Era a vez de o Brasil sorrir na Europa. Apesar da tristeza, o jovem sueco ficou impressionado com o futebol apresentado por Pelé, Garrincha e cia. E disse a si mesmo: "Um dia, vou conhecer o palco principal onde jogam esses monstros”, como apelidou os jogadores brasileiros. A espera durou 52 anos, mas ele, enfim, chegou ao Maracanã.   Ao entrar, no entanto, viu que a história estava caindo diante de seus olhos. Swanvall soube que o local estava em obras apenas quando desembarcou no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro com sua esposa, Kristin, e foi informado pela guia turística, Françoise Sztajn. Mas se engana quem pensa que o agora senhor de 66 anos desistiu do sonho. Ele foi, sim, ao que chama de “eterno maior do mundo”, brilhou os olhos ao sair do elevador e, do alto da tribuna, enxergou o gigante adormecido pelas mãos de operários, que iniciaram a etapa de demolição do anel superior nessa segunda-feira. A conclusão saiu em tom de admiração:

- É incrível! Eu não me importo que esteja assim. Sonhei a minha vida inteira em conhecer o Maracanã. O poder que esse estádio tem é impressionante. Independentemente das obras, eu queria vir aqui de qualquer jeito. Valeu a pena - disse o sueco, que sabe, de cabeça, a escalação de Brasil e Suécia na final da Copa de 1958.

Assim como Swanvall, muitos turistas continuam indo ao Maracanã, apesar das obras para a Copa do Mundo de 2014, que precisam construir uma arquibancada única para atender às exigências de visibilidade da Fifa. No período de janeiro a novembro de 2010, o número de visitantes chegou a 180 mil e superou o total de todo o ano de 2009, quando 160 mil pessoas foram ao estádio. Há cerca de um mês e meio, no entanto, não é mais possível fazer o caminho da entrada pelo vestiário, passando pelo túnel e chegando ao gramado, o que frustrou alguns apaixonados por futebol.   - Eu queria muito ir até o gol e ter a sensação de estar no meio daquilo tudo. É grande demais. Uma pena que não deu. Mas está tudo bem. Mesmo desse jeito, ainda achei a visita ao Maracanã mais legal do que a que fiz no ano passado ao Camp Nou (estádio do Barcelona, na Espanha) - comparou o suíço Andreas Kind, que brincou ao medir o seu pé na calçada da fama com o de Franz Beckenbauer, alemão campeão mundial em 1974 como jogador e em 1990 como técnico.

Os estrangeiros são os responsáveis pela maior parte da venda de ingressos na bilheteria do museu do Maracanã. E eles vêm de longe. Um casal de Israel foi conhecer o estádio nessa terça-feira. Noah e Lavina Lavel ficaram impressionados com a magnitude da obra e até brincaram com a situação.

- Não sabíamos que estava assim, mas acho que o espetáculo é o mesmo. Tem barulho, muita gente no gramado. É como se fosse dia de jogo, não é? (risos). Estamos gostando muito da visita - divertiu-se Noah.

Funcionários lamentam menor público

Enquanto os turistas apreciam a beleza do Maracanã, os funcionários do estádio lamentam a queda no número de visitantes. Há oito anos fazendo embaixadinhas para entreter o público no museu do Maracanã, Márcio Pereira diz que sente falta de quando ouvia aplausos em alto e bom som.

- Desde que fechou (8 de setembro), o movimento caiu muito. Dá até saudade de dar autógrafo, tirar foto. Já estou aqui há muito tempo e nunca vi assim, tão silencioso - afirmou o carioca.

Os cerca de 20 estudantes que trabalham como guias turísticos no estádio também notaram a diferença. Renata Araújo, Giuliano Cittadino e Isabele Ribeiro acreditam que a frequência diminuiu também em função de um problema no agendamento de visitas de grupos grandes.   - Pifou a fiação, e nós ficamos sem telefone e e-mail para as pessoas ligarem e agendarem para vir aqui. Então, os guias nem trazem mais. Às vezes, atendemos turistas que nem sabiam que essa parte do museu estava aberta ainda. Falta um pouco de informação - disse Isabele (a Suderj informou, porém, que um novo número de telefone foi colocado à disposição: 21-8871-3950).

Assim como a guia, o responsável pela bilheteria confirma a queda no número de visitantes. Fred Reis lembra que, na área gratuita, o movimento continua forte, mas, para cruzar a roleta e entrar no museu, caiu bastante.

- Acho que ficou pior desde que fecharam o acesso ao gramado. Não sei dizer ao certo em números. Mas digamos que, se vinham 500 pessoas por dia, agora passam aqui umas 350, por aí - afirmou.

Etapas da demolição do Maracanã até agora:

* Sondagem (estudo do solo)

* Retirada das cadeiras

* Demolição do anel inferior

* Demolição de 80% das rampas de acesso, os "bigodes"

* Demolição do anel superior     fonte: Globoesporte.com

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