MENU

Mil dias para a Copa: estar no grupo nem sempre é certeza de joga-la

Mil dias para a Copa: estar no grupo nem sempre é certeza de joga-la

Atualizado: Sexta-feira, 16 Setembro de 2011 as 4:24

Rio de Janeiro Estar na lista de convocados para a Seleção Brasileira a 1.000 dias da Copa do Mundo não quer dizer muita coisa. O técnico Mano Menezes pode até ter uma noção de quem pretende chamar para a competição que será disputada no país em 2014. Mas muitos dos homens de confiança do professor podem sequer chegar à lista final para o torneio. E o maior exemplo disso é o que ocorreu nas edições de 2002, 2006 e 2010.

Nos últimos três Mundiais, o máximo de atletas convocados a 1.000 dias do torneio que confirmaram presença na Copa foi de 56,5% em 2010. Para 2002, apenas 34,78% conseguiram se garantir na competição. Para 2006, o número subiu: 47,8%. Mas algumas peculiaridades cercaram as listas finais para o Mundial.

Emerson e Ronaldinho em treino da Seleção para 2006: dupla viveu os dois lados da moeda (Foto: Reuters)

  Para o torneio do Japão e da Coreia do Sul, por exemplo, nem o treinador que iniciou o trabalho chegou à Copa. Vanderlei Luxemburgo assumiu o cargo em 1998, mas foi demitido por conta de problemas com a receita federal e documentação falsificada em 2000. Na ocasião, em reunião com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, o treinador alegou que a situação poderia causar problemas à Seleção. Antes de Luiz Felipe Scolari ser escolhido para comandar o time na Copa do Mundo, outros dois nomes passaram pelo cargo: Candinho (um jogo) e Emerson Leão (dez). Dos 23 atletas que estavam inscritos para a estreia da Seleção na Copa de 2002, contra a Turquia, apenas oito estavam na convocação a 1.000 dias do torneio (os goleiros Dida e Marcos, os laterais Cafu e Roberto Carlos, o volante Vampeta, e os atacantes Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo.

Luxemburgo estava na Seleção a 1.000 dias de

2002, mas não chegou à Copa (Foto: Marcos Ribolli)

  Mesmo com o triunfo em 2002, Felipão preferiu deixar a Seleção para comandar Portugal. Carlos Alberto Parreira foi escolhido para ser o treinador do Brasil. A 1.000 dias da Copa de 2006, nomes como Renato e Diego, ambos na época do Santos, e Rivaldo, que defendia o Milan, foram chamados pelo técnico, mas não foram lembrados para o Mundial da Alemanha.

Dunga foi quem manteve a maior base da Seleção Brasileira. Foram 13 atletas chamados a 1.000 dias da Copa que foram lembrados para o torneio na África do Sul. A maior ausência foi Ronaldinho Gaúcho, que na época defendia o Milan. Por opção, o jogador foi preterido pelo comandante e pelo auxiliar técnico Jorginho.

O ex-volante Emerson, por exemplo, já viveu situações inusitadas na Seleção. Em 1998, a 1.000 dias da Copa, ele sequer era lembrado por Zagallo. Porém, com a contusão de Romário, cortado pela comissão técnica, o jogador deixou as férias para se apresentar ao grupo e viajar para a França. Em 2002, o drama foi outro. Ele estava no grupo, mas acabou se machucando na preparação para o Mundial. Já em 2006, mais uma participação no torneio.

- Não imaginava que poderia estar na Copa, mas acabei sendo convocado na vaga do Romário, que foi cortado. Estava de férias quando fui chamado. Muita coisa pode acontecer faltando mil dias para a Copa do Mundo. Por exemplo, o Leandro Damião. Há seis meses, ninguém imaginava que ele se tornaria esse grande artilheiro. O futebol brasileiro tem essa facilidade de fazer surgir jogadores de alta qualidade - analisou Emerson.

Resta saber se a base de Mano Menezes na vitória por 1 a 0 sobre Gana, no dia 5 de setembro, em Londres, será mantida às vésperas da Copa de 2014.          

veja também