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Miranda lembra de Muricy e diz que sai 'consagrado'

Miranda lembra de Muricy e diz que sai 'consagrado'

Atualizado: Domingo, 3 Julho de 2011 as 11:39

Miranda mostra a placa que ganhou de presente

do São Paulo (Foto: Luis Moura / Ag. Estado)

  Bellini, Mauro, Roberto Dias, Oscar, Dario Pereyra, Ricardo Rocha. Nomes de alguns dos zagueiros que fizeram história com a camisa do São Paulo. E essa lista ganhou mais um integrante nesta semana. Após cinco anos no clube, Miranda deu adeus ao Tricolor para tentar vencer na Europa. Por três temporadas, vestirá a camisa do Atlético de Madri (ESP). E certamente deixará saudades no Morumbi.

Os números justificam tal condição. Miranda completou 260 partidas pelo Tricolor. Era o segundo atleta do elenco com mais jogos disputados, atrás apenas de Rogério Ceni. Foi tricampeão brasileiro (2006, 2007 e 2008) e por quatro vezes foi eleito o melhor zagueiro do Campeonato Brasileiro.

O camisa 5 soube cavar seu espaço no time do Morumbi. Foi contratado em 2006 por empréstimo do Sochaux (FRA) com uma missão complicada pela frente: substituir o uruguaio Diego Lugano, que após o vice-campeonato da Libertadores daquele ano, se transferiu para o Fenerbahçe (TUR). Ainda demorou um pouco para ser utilizado por Muricy Ramalho mas, quando entrou, não saiu mais. Acima da média com a bola nos pés, com rapidez nas antecipações e muita força no jogo aéreo, Miranda logo se tornou inquestionável no setor. Tanto que, um ano depois, foi contratado em definitivo por US$ 1,2 milhão (R$ 2 milhões).

Miranda foi contratado pelo São Paulo em 2006 para substituir Diego Lugano (Foto: VIPCOMM)

  Embora sempre tivesse batido na trave em termos de Libertadores, Miranda foi destaque nos três títulos brasileiros. Em 2007, inclusive, formou a melhor defesa da história do nacional, com apenas 19 gols sofridos em 38 partidas. Logo começou a chamar a atenção de clubes europeus, mas o São Paulo sempre bateu o pé e resolveu segurá-lo. No ano seguinte, novo título brasileiro. Em 2009, mesmo com o início do jejum tricolor, Miranda seguiu com suas boas atuações, tanto que passou a ser convocado para a Seleção Brasileira comandada por Dunga.

Miranda jogou na Seleção Brasileira com Dunga,

mas ficou fora da Copa da África (Foto: Reuters)

  Em 2010, pode-se dizer que o camisa 5 viveu seu inferno astral. Assim como o time, o nível de suas atuações caiu bastante. Na seleção, caiu em desgraça com Dunga após ser expulso contra a Venezuela e ficou fora da Copa do Mundo da África. No âmbito pessoal, sofreu um baque enorme com a morte de sua irmã. Depois de uma queda absolutamente normal, voltou a jogar bem em 2011, quando se despediu do Tricolor.

Abaixo, Miranda, em entrevista exclusiva ao GLOBOESPORTE.COM, diz que marcou o nome na história do clube, agradece muito a  Muricyo e revela ter um projeto de retornar ao clube do Morumbi após cinco anos na Europa.

Você chegou em 2006 como um desconhecido zagueiro vindo do Sochaux (FRA) e hoje sai como o Miranda do São Paulo. Acha que marcou o nome na lista dos grandes zagueiros da história do clube?

Eu penso nisso. Tive muitas conquistei, levei o nome do São Paulo para a Seleção Brasileira. Foram cinco anos de muita alegria. O que eu conquistei por aqui vai ficar marcado por toda a história, ninguém nunca vai apagar. Só tenho a agradecer. Cheguei em 2006 e soube percorrer o meu caminho. Tive sucesso pela minha performance e pela pessoa que eu sou. Tive personalidade quando necessário, mostrei comando quando foi preciso. Soube respeitar os companheiros e fui respeitado. Acho que saio consagrado, com vários títulos e muitos prêmios conquistados.

Mensagem escrita pela diretoria do São Paulo na placa que Miranda

ganhou de presente na última quarta-feira, antes da partida contra o Botafogo,

 pelo Brasileirão  (Foto: Marcelo Prado / GLOBOESPORTE.COM)  

  Nos cincos anos de São Paulo, qual foi o melhor time que você jogou?

Sem dúvida foi o de 2007. Conquistamos o Brasileiro com rodadas de antecedência, e a defesa era algo fora do normal. Foi a melhor defesa em que joguei. Tinha eu, o Alex Silva, o Breno e o André Dias, que pouco jogou porque estava com um problema jurídico. Na época, o Muricy até falava que a qualidade da nossa defesa dava tranquilidade aos atacantes porque eles sabiam que era muito difícil nós tomarmos gol.

Uma pessoa muito importante nesse seu crescimento foi o Muricy Ramalho, não?

Sem dúvida, ele é quem acreditou no meu potencial, me passou confiança, me fez mostrar o meu melhor. Ele dava muita importância ao aspecto psicológico, fazia você entrar em campo acreditando que podia mostrar o seu melhor. O meu entrosamento com ele era realmente muito bom, só tenho de agradecer ao Muricy.     Em todo esse período, quais foram as derrotas mais doídas?

Duas me marcaram muito, foram difíceis de assimilar. A primeira foi a queda para o Fluminense em 2008, com aquele gol do Washington no Maracanã no último minuto. E a outra foi o tropeço para o Inter no ano passado no Morumbi. As vagas nas finais da Libertadores e no Mundial de Clubes estavam muito perto e deixamos escapar. Sem dúvida, faltou o título da Libertadores para marcar de vez a minha passagem no clube.

Individualmente, você sempre esteve muito bem, tanto que foi eleito por quatro vezes o melhor zagueiro do Campeonato Brasileiro. Em 2010, no entanto, você não esteve nada bem. Até pelos problemas que teve, pode-se dizer que foi seu pior ano no clube? (Nota da redação: no ano passado, Miranda perdeu a irmã e ficou fora da convocação para a Copa na mesma semana)

Não foi fácil, por muito tempo não consegui jogar 100%. Fisicamente, estava muito bem, mas a cabeça sentiu o baque. Mesmo assim, acho que pude ajudar de alguma maneira. É claro que cometi falhas, mas procurei sempre honrar a minha camisa.

Na sua chegada, o São Paulo era um time acostumado a conquistar títulos. Hoje, vive um jejum de três anos sem conquistas. O que aconteceu?

É um ciclo que qualquer clube enfrenta. Depois de três anos nos quais o São Paulo conquistou praticamente tudo, é normal cair de rendimento. A diretoria mudou sua filosofia, hoje o time é muito jovem e experiência e entrosamento não aparecem do dia para a noite. Tenho certeza que no futuro esse time voltará a conquistar títulos.

Miranda e Borges comemoram o título brasileiro de 2007  (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)

  Qual sua expectativa para a sua segunda passagem pela Europa?

Agora vou preparado. Quando deixei o Coritiba para jogar o Sochaux, tinha apenas 19 anos e fui vendido depois de jogar apenas um ano pelo time profissional. Ainda fui sozinho e enfrentei muitas dificuldades. Agora tudo é diferente. Conquistei títulos no São Paulo, defendi a Seleção Brasileira, casei, tenho filhos. Atingi vários objetivos na minha carreira. Tenho certeza de que tudo dará certo.

Qual seu projeto para o restante de sua carreira? Pensa em voltar ao São Paulo?

Meu contrato com o Atlético de Madri é de três anos. Depois, ainda gostaria de jogar por mais duas temporadas na Europa antes de pensar em voltar. Na volta, ainda terei lenha para queimar no Brasil. É só ver o exemplo do Edu Dracena, que ficou muito tempo na Turquia, voltou para o Santos como capitão e acabou de ser campeão da Libertadores.

Quer deixar uma mensagem para a torcida tricolor?

Quero muito agradecer o apoio de todos e pedir desculpas para quem eu não pude agradar. Se puder, penso em voltar no futuro para conquistar a Libertadores que acabou faltando.

Miranda deixa o São Paulo idolatrado pela torcida tricolor (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)          

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