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Mourinho, Benítez, lesões, pressão... por que o Inter de Milão virou abóbora

Mourinho, Benítez, lesões, pressão... por que o Inter de Milão virou abóbora

Atualizado: Sexta-feira, 10 Dezembro de 2010 as 8:32

Não há analogia que sirva melhor para o momento do Inter de Milão do que a carruagem que virou abóbora. Não é inédito na história do futebol, mas ilustra a atual fase do nerazzurro, potência que deve ser o maior obstáculo no caminho do Internacional no Mundial de Clubes. O fim de jogo contra o Bayern de Munique e o título da Liga dos Campeões que consumou a Tríplice Coroa, em maio, soaram como a meia-noite da Cinderela.

É bem verdade que ainda houve a conquista da Supercopa da Itália, em jogo único contra o Roma. Um espasmo de felicidade dentre os muitos percalços que fizeram os atuais pentacampeões italianos estacionarem, como a derrota na Supercopa Europeia e o início instável na Série A e Liga dos Campeões. O maior deles é dos mais óbvios: a saída de José Mourinho e a chegada de Rafael Benítez.

O português não é o “The Special One” à toa. No Internazionale, Mourinho fez a maioria de seus jogadores render o máximo, encaixou uma tática compacta com um contra-ataque mortal e venceu tudo o que disputou. A história tem sido bem diferente com o treinador espanhol no comando. Nem tudo por sua culpa.

Nenhum jogador importante foi vendido. E ainda houve a aquisição de Philippe Coutinho, dono de boas atuações nesta primeira metade de temporada. O problema, desde agosto, é com o departamento médico, atualmente quase sem vagas. O ex-vascaíno, inclusive, está fora do Mundial de Clubes por conta de uma lesão muscular. A defesa, um dos setores mais elogiados, perdeu Julio César, Maicon e Samuel - o argentino será ausência até maio. Cambiasso, Stankovic, Sneijder, Chivu e Diego Milito também frequentaram o DM e lidaram com o esgotamento físico após um calendário cheio. Sem contar os jogadores menos expressivos. Só Eto’o, autor de incríveis 18 gols na temporada, salvava.

Além das lesões que destroçaram o time - comentaristas apontam o novo método de treinos na academia como um dos fatores -, Benítez tentou implementar um esquema baseado na posse de bola, característica oposta à utilizada pelo português. O resultado é negativo: sete derrotas na temporada, quase o dobro das quatro em todo o Campeonato Italiano 2009/2010, e uma pressão quase insustentável sobre o espanhol. O presidente Massimo Moratti já avisou: até o momento, o trabalho é de nota 6,5 e o Mundial de Clubes é a prova final para aumentar a média. Ou repetir.

– É claro que as coisas não têm sido fáceis com tantas lesões, mas agora alguns estão retornando e tenho certeza que tudo vai melhorar. Quero dizer que, por agora, estou orgulhoso dos jogadores que estão enfrentando tanta dificuldade e deram muito de si – afirmou Benítez, em tom confiante antes de embarcar para Abu Dhabi, nesta sexta-feira.

E ai dele se não trouxer o troféu para Milão.

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