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Na estreia do Grand Prix, Zé Roberto volta a seu último palco como jogador

Na estreia do Grand Prix, Zé Roberto volta a seu último palco como jogador

Atualizado: Sexta-feira, 6 Agosto de 2010 as 10:54

José Roberto Guimarães olha as fotos e se vê sem cabelos brancos e com “uns 10kg a menos”. Na fotografia, o atual técnico da seleção brasileira está 22 anos mais novo, sentado na quadra, com os braços apoiados nos joelhos, ao lado do time de vôlei da Associação Beneficente dos Alfaiates de São Carlos (Abasc). Aquela era a última temporada de Zé como levantador, depois de passar por clubes tradicionais do país e da Itália e pela seleção brasileira, e o início de sua carreira de treinador. Neste fim de semana, ele retorna à cidade do interior paulista à frente do Brasil, na disputa da primeira fase do Grand Prix 2010.

O primeiro desafio é nesta sexta-feira, contra Taiwan, às 9h20m, no ginásio Milton Olaio Filho. No sábado, é a vez de a seleção encarar o Japão, às 10h. No domingo, a equipe encerra a primeira fase contra a Itália, a partir de 9h30m.

Zé Roberto guarda com carinho as lembranças do tempo que jogava em São Carlos. Nascido em Quintana, também em São Paulo, o treinador diz se sentir à vontade na cidade, da qual vai ser nomeado cidadão honorário neste fim de semana. O treinador foi levantador da Abasc na temporada 88/89 e ajudou a equipe a sair da segunda divisão paulista e alcançar a elite do vôlei nacional, terminando em sexto lugar. Zé é tratado como o melhor jogador da história do clube, mas prefere a humildade.

- Eu fui um jogador esforçado. Não tinha talento e, por isso, tive que trabalhar muito para atingir os meus sonhos. Tive que fazer muito sacrifício, treinar todos os dias, bater bola na parede, dormir abraçado com a bola. Só assim consegui chegar à seleção, disputar as Olimpíadas (Montreal, em 1976) e seguir carreira no vôlei. Eu tive muitas oportunidades, conheci pessoas que me ajudaram muito. Tentei fazer o meu melhor.

Em sua última temporada de jogador, Zé Roberto já iniciava sua carreira de técnico, no Paineiras do Morumbi. Por isso, vinha para São Carlos apenas algumas vezes na semana. Viajava geralmente de ônibus e chegava de madrugada. Acabava dormindo de favor na casa de amigos, como Udo Rempel, que também atuava na Abasc. O antigo companheiro elogia o caráter e a qualidade do então levantador.

- Foi o melhor jogador com quem eu atuei. Era muito perfeccionista, muito estrategista em quadra. E tinha uma liderança interessante, porque tudo o que ele dizia dava certo, não tinha como questionar. Era uma época muito boa. Ele vinha apenas três vezes na semana e dormia na casa que eu dividia com mais outro jogador. Isso foi há 22 anos, mas ele continua o mesmo de sempre, humilde, trata todos bem.

Na Abasc, Zé também deu alguns de seus primeiros passos como treinador. Quando o técnico da equipe, Luis Carlos Rigobello, recebeu uma proposta e saiu, foi o levantador quem assumiu a posição durante um mês, sem sair de quadra.

- Foi um ano de muito sacrifício. Eu demorava mais tempo na estrada do que treinando. Eram complicadas essas idas e vindas, mas foi gratificante por tudo o que conquistamos. E cada um ajudava do jeito que podia. O pessoal não tinha nada, a estrutura que o clube dava era a que realmente podiam nos dar. E é por isso que nós agradecíamos muito. Todo mundo metia a mão na massa junto.

Então diretor esportivo do clube, o atual presidente da Abasc, Alberto Antônio de Medeiros, relembra a passagem de Zé por São Carlos. O dirigente é mais um a exaltar o talento do técnico como levantador.

- Ele tinha uma presença incrível. Apesar de não ser muito alto, Zé Roberto foi um dos melhores levantadores que nós já tivemos no país. Conseguia colocar a bola onde o atacante quisesse. Foi o melhor momento da Abasc. Ele foi brilhante. Além de tudo o que foi em quadra, era de uma simplicidade incrível, ficava no alojamento como todos, dormia em colchões no chão. Nos treinos, era muito rigoroso, mas também era muito companheiro.

Zé Roberto afirma que, na época, não esperava seguir uma carreira tão vitoriosa como técnico. Mas relembra que foi em São Carlos que ele deu início ao trabalho.

- Não me passava pela cabeça. O que eu queria era continuar no vôlei e, quem sabe, seguir carreira como técnico. Ali começava um trabalho e a cada dia eu me apaixonava mais por isso. Minha vida mudou rapidamente, mas cada momento estava me preparando para isso. Por onde passei, fui capitão, que é o braço do técnico em quadra. E sempre fui metido a orientar o time – brincou.

Nesta sexta, é a vez de Zé orientar as meninas da seleção na primeira etapa para a conquista do nono título do Grand Prix. O treinador acredita que a equipe tem tudo para dar mais uma alegria à torcida de São Carlos.

- Acho que, se nós jogarmos o que estamos fazendo no treino, vamos vencer. Elas estão se dedicando demais. O objetivo maior é o Mundial, mas vai ser bonito jogar em casa. Aumenta a responsabilidade, as meninas vão poder ver seus familiares. Vai ser bonito.

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