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Na metade do rali, equipes chegam à maratona da temida região do Jalapão

Na metade do rali, equipes chegam à maratona da temida região do Jalapão

Atualizado: Segunda-feira, 16 Agosto de 2010 as 9:32

Ele é um dos mais temidos adversários do Rally dos Sertões. Desde o início da competição, na última terça-feira, seu nome está entre os mais falados por pilotos, navegadores, integrantes das equipes e jornalistas. E nem tem um veículo excepcional na disputa. É claro que o dono destas características é o Jalapão, local por onde a sexta e sétima etapas da competição passarão nesta segunda e terça, na temida maratona, onde o apoio mecânico não pode ser requisitado.

As duas etapas - entre Palmas, São Félix do Tocantins e Balsas, no Maranhão - totalizam 1.053 quilômetros, sendo que 923 cronometrados. Os pilotos e navegadores terão apenas meia hora para mexer em seus carros, motos, quadriciclos e caminhões. Este trecho do rali, normalmente, elimina quase 50% dos inscritos.

O deserto do Jalapão, local com menor densidade demográfica do país, com aridez, rios, pedras, subidas e descidas nas savanas, não poupa nem os grandes campeões. Em 2005, Marc Coma, bicampeão do Dakar e atual líder do Rally dos Sertões, não conseguiu completar sua primeira participação na competição. Com problemas de câmbio, o espanhol ficou preso e só conseguiu ser resgatado após quatro dias.

- O Sertões é uma prova muito completa. Tive problemas mecânicos em 2009 que me atrasaram na competição. A parte mais difícil é o trecho do Jalapão, mas as outras também são importantes. Em 2006, na minha primeira participação, o câmbio da minha moto quebrou lá e demorei quatro dias para ser resgatado e voltar a São Paulo. O Jalapão é diferente de todas as outras etapas - diz Coma. Entre os pilotos dos carros, o clima não é diferente. O cearense Riamburgo Ximenes, que completa 25 anos de ralis em 2010, acha que o Jalapão será decisivo para conhecer os campeões desta edição dos Sertões. Para ele, o trecho é muito exigente e a proibição da assistência piora ainda mais o quadro.

- Este é o grande glamour do rali. As competições internacionais têm sempre a etapa maratona. Inventaram ela para nivelar as equipes grandes com as pequenas. As maiores têm suporte e as outras não. Quem acha que o rali está definido, está muito enganado. Esta classificação é momentânea. Após a maratona, creio que sairão menos de 50% dos carros. Os ponteiros têm um índice alto de quebras, pois andamos no limite. Não é tarefa fácil.

Segundo Riamburgo, as equipes com carros similares costumam combinar peças para serem levadas na parte de carga. Ao contrário do automobilismo de pista, os times se unem para tentar se ajudar e avançar.

- Não dá. A gente se associa com carros iguais ao nosso para tentar dar um apoio. Mas este é o espírito da nossa modalidade. O automobilismo de pista é mais egoísta que o dos ralis. Aqui todo mundo se ajuda.

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