MENU

Netos de Pelé perseguem o sonho de mostrar em campo o DNA real

Netos de Pelé perseguem o sonho de mostrar em campo o DNA real

Atualizado: Sexta-feira, 22 Outubro de 2010 as 2:26

Dois garotos que treinam no Paraná Clube podem se gabar de ter no sangue o DNA do Rei Pelé. Com a bola nos pés, eles mostram técnica, habilidade e bom chute com as duas pernas. A facilidade com a redonda e o soco no ar após o gol marcado em uma brincadeira são bons indícios: os netos Octavio Felinto Neto, de 12 anos, e Gabriel Arantes do Nascimento, de 10, podem mesmo ter herdado boa carga genética para brilhar nos gramados.

Depois da "frustração" de ver o filho Edinho jogando como goleiro, o craque tem chances de se animar com o futebol dos netos que ele mal conhece. Os garotos são filhos de Sandra Regina Arantes do Nascimento Felinto, reconhecida em 1996 como filha do Rei após longa batalha judicial.

Vítima de um câncer de mama, Sandra morreu em 2006 sem ter o contato desejado com o pai – os encontros se deram apenas nos tribunais. Pouco depois, Ozéas Felinto, pai dos garotos, mudou-se para Curitiba, casou-se com a cantora Cristiane Marques e colocou a dupla para treinar na escolinha do Atlético Paranaense, onde ficaram até o fim do ano passado.

- Eles (Atlético) têm uma estrutura excelente, mas senti que estavam começando a se promover em cima dos garotos. No Paraná, eles estão mais tranquilos - afirma Ozéas.

Santistas fanáticos, Octavio e Gabriel moravam em Santos e treinavam na escolinha do Peixe até a morte de Sandra, há quatro anos. Antes, também passaram pela escolinha do Litoral, que tinha o comando de Pelé e do também ex-jogador Manoel Maria. Na Baixada, nunca encontraram o avô ilustre. O único contato ocorreu já na capital paranaense, em março do ano passado. E por esforço dos meninos, que queriam muito conhecer Pelé.

- Eu estava doente e meu pai me levou para o hospital (Pequeno Príncipe, especialista em medicina infantil). Lá, vi uma faixa dizendo que meu avô iria inaugurar um projeto no local. Então falei pro meu pai que queria conhecê-lo, era a chance. E ele fez de tudo para nos encontrarmos - explica Gabriel.

Ozéas, pastor evangélico e com bom trânsito na política paranaense (seu irmão já foi vereador e deputado), conseguiu descobrir o hotel em que Pelé se hospedaria. Reservou um quarto para ele e os filhos. E promoveu o encontro no saguão, para alegria de fotógrafos e repórteres que registraram o momento. Na ocasião, o Rei prometera um contato maior com os netos e disse que ligaria em breve para saber novidades.

- Nada disso aconteceu. Infelizmente... - lamenta Ozéas.

No mesmo dia, o pai levou Octavio e Gabriel para o jantar beneficente promovido por Pelé, que angariaria recursos para o tal hospital. Esperaram o fim do evento para uma nova conversa com o craque, mas não foram atendidos. Mesmo assim, os netos lembram com carinho do avô.

- Como Pelé, foi o maior jogador da história. Se conseguir fazer um pouco do que ele fez, vai ser legal. Mas ainda não somos nada - avisa Octavio.

Netos são santistas e dão autógrafos na escola

No bairro Xaxim, em Curitiba, Octavio e Gabriel são atração. Quando se mudaram de Santos para lá, há mais de dois anos, tiveram de conviver com o burburinho na vizinhança e no colégio onde estudam. Desde cedo, aprenderam a dar autógrafos, tirar fotos com fãs. Hoje, mais ambientados, vivem tranquilamente em meio aos colegas “anônimos”.

- Gosto do Paraná porque aqui eles são tratados igualmente aos outros. Não quero privilégios para os meninos. Tudo que eles conseguiram até hoje foi na raça, tiveram de lidar logo cedo com a perda da mãe, são guerreiros - orgulha-se Ozéas.

Os irmãos ainda querem ter um contato mais próximo com o avô

O futebol está em todas as partes da casa, principalmente no quarto dos garotos. Não há fotos de Pelé no local, apenas recortes de reportagens anteriores sobre o parentesco real. No criado-mudo, a imagem que se destaca é a de Sandra. Na escrivaninha, a atração: o videogame no qual travam batalhas e se imaginam na Seleção Brasileira. E na porta, o aviso: “Aqui dorme um santista”.

Octavio, o mais velho, se diz atacante goleador e mostra isso com a bola nos pés. Atirado, o garoto não se importa em ir para cima dos adversários e demonstra objetividade ao chutar a gol. Gabriel, dois anos mais novo, entende de criação de jogadas e é um pouco mais tímido. Além do avô, o principal ídolo dos pequenos é fácil de ser descoberto.

- Neymar, lógico - dispara Gabriel, que sabe tudo sobre a carreira do astro santista.

O sonho da dupla é retornar ao clube do coração e jogar ao lado dos astros que idolatram. Quase voltaram no início deste ano, mas as conversas não evoluíram.

- Quero jogar no Santos, onde meu avô fez história. Queremos fazer a nossa história - indica Octavio.

Craques na escola e no microfone

No colégio, a paixão pela bola é tão grande que a diretoria do local cogitou montar um time para disputar o campeonato estudantil só por causa dos garotos. A ideia não foi levada adiante. Nas salas de aula, eles disputam para ver quem vai melhor. Querem ser craques de bola, mas não se esquecem da escola.

Octavio e Gabriel puxaram o avô não só no futebol, mas também na música. Se o Rei já fez das suas cantando com Wilson Simonal, Elis Regina ou Jair Rodrigues, os netos não deixam por menos: já têm uma participação gravada numa música do CD da madrasta Cristiane, a quem chamam normalmente de mãe. A cantora gospel está em seu terceiro disco.

- Gosto de cantar, é bem legal pra distrair. Mas prefiro jogar bola - adianta Gabriel.

Ambos são os próximos na linha de sucessão do Rei. A outra esperança é o filho Joshua, de 14 anos, fruto do relacionamento com Assíria Nascimento. Este, porém, não treina regularmente em nenhum clube.

Por: Diego Ribeiro

veja também