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Nos passos do irmão, surfista de 15 anos vai competir com profissionais

Nos passos do irmão, surfista de 15 anos vai competir com profissionais

Atualizado: Quarta-feira, 16 Março de 2011 as 10:20

Quando Pedro Henrique, em 2000, conquistou o primeiro título mundial júnior para o Brasil, Carol Fernandes tinha cinco aninhos. Foi apenas em meados de 2008 que Álvaro, pai dela e padrasto dele, se deu conta de que a pequena também levava jeito para o surfe. Agora aos 15, 13 a menos que irmão, a surfista parte para um desafio de gente grande. A campeã da etapa de abertura do Grom Search, principal competição mirim, nesta temporada vai disputar campeonatos em sua categoria, na júnior e entre as profissionais. Pedrinho, 1,61m - um centímetro a mais que a caçula, hoje luta para voltar à elite do Circuito Mundial, onde esteve em 2006.     Carol é a mais nova dos três irmãos. João Gabriel, de 18, tenta se profissionalizar no Sampaio Corrêa, time de futebol que disputa a série B do Rio de Janeiro. Todos moram em Saquarema, mas Pedrinho saiu de casa há cinco anos, quando se casou - a esposa também se chama Carol. Hoje tem duas filhas - Ariel, de 4, e Alice, de 2 anos. A função de pai, ele tira de letra. Aprendeu, na prática, tempos atrás.

- Cuidei dos dois durante toda a infância deles. Minha mãe e meu padrasto trabalhavam, e eu ajudava. Sempre deixei a Carol bem à vontade para saber se realmente queria isso para ela. Ter um irmão que é surfista profissional deve dar uma pressão. Por isso não quis ficar em cima. Só comecei a ajudar com as técnicas e a instruir para competir e melhorar os movimentos do surfe quando senti que era isso que ela realmente queria - conta.

Não pressionar. Essa também foi a tática adotada por Álvaro, chefe da família. Local do Leblon, ele é de uma época em que o surfe era mais um estilo de vida que esporte. No carnaval de 1986, em uma viagem a Saquarema, conheceu Cássia, mãe de Pedrinho - então com 4 anos. Ficou por lá. Largou o emprego de bancário e montou uma confecção de roupas de criança. Nas horas vagas, ensinava o enteado a surfar.

- O Pedrinho se mostrou muito ágil no mar, mas eu o coloquei na prancha sem pretensão nenhuma. Conforme foi evoluindo, as coisas foram mudando. Foi vencendo campeonatos, ganhando premiação, bermudas, camisas. Foi chamando a atenção, recebeu convite para ser patrocinado por marcas da época, se profissionalizou e virou campeão mundial pro júnior. Era algo despretensioso que se tornou grande. A Carol, com 5 aninhos, acompanhou tudo isso.

Pedrinho e a irmã têm estilos parecidos: velocidade e aéreos. Nesta semana, Carol ganhou uma prancha especialmente desenhada para que ela possa desenvolver melhor uma de suas armas: os aéreos 360 graus. Crítico, o padrasto assiste a campeonatos nacionais e internacionais, sempre analisando as adversárias.

- Quero que ela entre em campeonatos na categoria profissional para ver se tem potencial de disputar com as meninas - conta Álvaro.

Carol gosta de voar nas ondas. Fora da água, para manter os pés no chão, nada como um bom conselho.

- Ela tem consciência de que tem muito a evoluir, e eu tento ajudar muito os meus pais a manter a cabeça dela no lugar. É sempre bom ficar esperto com as distrações e manter o foco - diz Pedrinho.

Por enquanto, a jovem surfista não tem levado puxões de orelha. Além de tirar boas notas nos campeonatos, é boa aluna na escola. Nunca ficou em recuperação - está no primeiro ano do ensino médio. Mas a caminhada, eles sabem, está apenas começando.

- A gente nunca sabe até onde ela pode ir. Mas, sem dúvida, com trabalho e muita dedicação ela pode chegar onde quiser - aposta o irmão.      

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