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Nos pênaltis, Paraguai vence batalha contra o Japão e alcança feito inédito

Nos pênaltis, Paraguai vence batalha contra o Japão e alcança feito inédito

Atualizado: Terça-feira, 29 Junho de 2010 as 2:03

O sonho era comum: classificar o país pela primeira vez para a fase de quartas de final de uma Copa do Mundo. Com o mesmo objetivo, Paraguai e Japão se igualaram no tempo normal e na prorrogação do duelo desta terça-feira, no estádio Lotus Versfeld, em Pretória. E após mais de 120 minutos em que o 0 a 0 resistiu em um jogo sem grandes emoções, que chegou a fazer o presidente da Uefa, Michel Platini, cochilar na tribuna de honra, os paraguaios foram mais eficientes na disputa de pênaltis. A equipe converteu suas cinco penalidades e contou com o erro de Komano, que acertou o travessão, para vencer a batalha por 5 a 3 e entrar para a história da nação.

Os paraguaios vão decidir uma vaga nas semifinais da Copa do Mundo no próximo sábado, às 15h30m (de Brasília), em Joanesburgo, contra o ganhador do confronto entre Espanha e Portugal, que se enfrentam nesta terça.

O triunfo guarani também permitiu uma marca histórica para o futebol sul-americano. Pela primeira vez, a região terá mais representantes que a Europa entre os oito melhores do Mundial (quatro a três). Além do Paraguai, Uruguai, Argentina e Brasil também seguem na Copa 2010. Alemanha, Holanda e Espanha/Portugal representam o velho continente.

Momento histórico para o Paraguai: Cardozo corre para comemora a vaga inédita nas quartas (Foto: AP)  

Para o duelo contra os japoneses, o treinador Gerardo Martino decidiu abandonar o esquema com três atacantes, procurando reforçar o meio-campo. Haedo Valdez perdeu o lugar no time, e Benitez ganhou a chance de iniciar a partida. Já Takeshi Okada, satisfeito com a atuação da equipe diante da Dinamarca, manteve os 11 que iniciaram o jogo que classificou o time para as oitavas.

E foram os orientais que mostraram mais atenção e iniciativa nos dez minutos iniciais. Com menos de um minuto, Okubo roubou uma bola no campo ofensivo e arriscou a gol. Mandou a bola longe do alvo, mas mostrou aos paraguaios a disposição dos samurais azuis. Aos três, Komano também decidiu arriscar de longe. Acertou a meta, mas Villar defendeu com facilidade.

Facilidade que o Paraguai não encontrava para armar jogadas ofensivas. Nos 12 primeiros minutos, a seleção guarani teve 67% de posse de bola, mas errou 47% dos passes. E só marcou presença na área adversária em um lance atrapalhado. Após cruzamento na área, Benitez e Riveros se chocaram e ficaram estendidos no gramado. O Japão também abusava de errar passes. Mais da metade dos que tentou no primeiro terço do jogo (51%). As falhas resultaram uma partida feia, com chutões de ambos os lados.

Com 20 minutos, a partida ganhou emoção. Em dois lances em sequência, um para cada lado. Lucas Barrios tabelou com Vera, se livrou de Abe com um belo toque, mas conclui fraco diante de Kawashima. O goleiro salvou com o joelho direito. O lance acordou o Japão, que foi ataque e acertou o travessão com um belo chute de fora da área de Mitsui.

A armação de jogadas seguiu como um problema para ambos os lados. E foi necessária uma bola parada para que chance de gol surgisse. Aos 28, Morel Rodriguez cobrou escanteio, e a bola sobrou diante de Roque Santa Cruz. O mais famoso atacante paraguaio encheu o pé, mas chutou à esquerda do gol, perdendo uma chance de ouro para tirar o zero do placar e fazer o Japão afrouxar o seu disciplinado sistema defensivo. O mesmo ocorreu com o principal jogador japonês. Honda recebeu de Matsui aos 39 e, de frente para a gol, concluiu para fora.

Com o fim do primeiro tempo, os jogadores paraguaios se reuniram no círculo central. Bonet e Da Silva falaram com os companheiros, tentando incentivá-los para a segunda etapa. O mesmo fizeram os japoneses ao retornarem ao campo.

As 'rodinhas' serviram para os times mais ligados. Mas nos primeiros dez minutos, quem defendia prevalareceram sobre os que atacavam. Túlio Tanaka e Nakazawa impediram conclusões de Ortigoza e Benitez. Do outro lado, Villar defendeu um chute de Nagatomo que desviou na defesa.

O Paraguai conseguiu superar os zagueiros adversários aos 14. Melhor opção ofensiva guarani, Morel Rodriguez cruzou da esquerda e encontrou Riveros na área. Mas o meia não superou o goleiro Kawashima, que defendeu firme, na segunda conclusão a gol da equipe em todo o jogo.

Após o lance, Gerardo Martino decidiu retomar a formação tradicional do Paraguai, com Valdez no lugar de Benitez. E Takeshi Okada também procurou reforçar o ataque nipônico, com o atacante Okazaki no lugar do meia Matsui. Mas as dificuldades seguiram. O jogo ficou praticamente resumido a lançamentos longos e cruzamentos sobre a área. Uma partida tão desinteressante que fez Michel Platini dar uma cochilada no estádio.

A partir dos 35 minutos, os asiáticos demonstraram mais interesse em evitar a prorrogação, chegaram a ensaiar uma pressão, mas os sul-americanos souberam se defender. O que melhor fizeram na Copa (apenas um gol sofrido em quatro partidas).

Com a prorrogação, o nível da partida melhorou. O Paraguai foi mais incisivo, mostrando que não desejava levar a decisão da vaga para os pênaltis, assustando mais o adversário em dez minutos do que em todo o tempo normal. Foram três boas chances, em cabeçada de Barrios e conclusões de Valdez e Barreto. A última foi por cima do gol e as duas primeiras foram  defendidas por Kawashima. Do outro lado, Villar também precisou trabalhar, espalmando uma falta cobrada por Honda.

Na segunda etapa do tempo extra, as oportunidade de gols diminuíram. As únicas foram cabeçadas de Valdez e Túlio Tanaka. Uma defendida por Kawashima. A outra, para fora.

Nos pênaltis, Barreto, Lucas Barrios, Riveros marcaram para o Paraguai. Após Endo e Hasebe balançarem a rede, Komano perdeu a terceira cobrança japonesa, carimbando o travessão guarani. Valdez e Honda acertaram, e coube a Cardozo, que substituiu Santa Cruz na prorrogação, selar o triunfo paraguaio e levar o país pela primeira vez para o seleto grupo dos oitos melhores de um Mundial.

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