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O Inter nos pés de D'Ale: argentino vive melhor momento no Beira-Rio

O Inter nos pés de D'Ale: argentino vive melhor momento no Beira-Rio

Atualizado: Terça-feira, 28 Setembro de 2010 as 9:42

Andrés Nicolas D’Alessandro é o homem do tempo no Beira-Rio. Joga como se tivesse um relógio tiquetaqueando na chuteira esquerda. O argentino é o jogador escolhido pelo técnico Celso Roth para administrar os ponteiros do Inter no campo: se precisa acelerar os movimentos da partida, é bola no pé dele; se precisa atrasar, também. A figura mais central do time colorado abraçou o posto de pilar da estrutura de jogo do Inter. E, assim, encontrou seu melhor momento no Beira-Rio.

D’Ale já aprontou das suas no Inter. Em 2008, no mesmo Gre-Nal, fez um gol e deu os passes para outros três. O Colorado ganhou por 4 a 1, e a atuação do argentino entrou para a história do clássico. No mesmo ano, ele foi antipatriótico: com raro prazer, peitou os argentinos de Boca Juniors e Estudiantes para tornar o Inter campeão da Sul-Americana. Mas jamais foi o D’Alessandro de agora. O jogador, antes um craque esporádico, resolveu ser constante, ter regularidade. Nunca mais repetiu a atuação daquele 4 a 1 sobre o Grêmio, mas também deixou de lado as oscilações que marcaram seus primeiros dois anos de Beira-Rio. El Cabezón virou o protagonista da equipe vermelha.

O Corinthians que o diga. No domingo, no Beira-Rio, D’Alessandro foi quem mais ficou com a bola grudada em seu pé. O time paulista teve mais posse de bola do que o Inter, mas foi o argentino quem a controlou por mais tempo: 2m14s. Dos pés dele, saíram os dois primeiros gols do Inter na vitória de 3 a 2 sobre o Corinthians: um pelo meio, para Tinga, outro pela direita, para Alecsandro.

D’Ale é canhoto. Celso Roth, ao assumir o Inter, resolveu deslocar o argentino para o lado direito do meio-campo. Assim, viu o jogador aumentar seu raio de ação, ficar com o campo mais aberto até para finalizações. Mas elas ainda não são o forte dele. Na Libertadores, D’Alessandro foi um dos melhores jogadores do Inter. E não fez um gol sequer. Giuliano, por exemplo, fez seis.

- É que ele prefere dar o passe do que fazer o gol – lembra o vice-presidente do Inter, Fernando Carvalho.

Dar o passe é uma especialidade de D’Alessandro. No Brasileirão-2010, o gringo procurou os companheiros 488 vezes. Acertou 429 das tentativas, ou 88%. Só errou 59. Na prática, ele dá 20 passes por jogo. E 18 deles são no pé do colega.

- Em várias partidas, quando o jogo está complicado, ele assume a responsabilidade, pede a bola no pé, chama o jogo para ele. Jogadores assim fazem a diferença. Que bom que ele está fazendo. É um jogador experiente, que tem certa bagagem. Esperamos que ele continue nesse ritmo. É por isso que ele foi chamado para a seleção – disse o zagueiro Bolívar, capitão do Inter. Sérgio Batista, o novo comandante da seleção coordenada por Diego Armando Maradona na Copa do Mundo, fez o que seu antecessor teimou em não fazer: chamou D’Alessandro. São duas convocações seguidas. Para a próxima, El Cabezón já recebeu sinalizações de que será titular, em uma espécie de coroamento da fase iniciada na Libertadores e mantida no Brasileirão. O camisa 10 do Inter é o segundo jogador com melhor média no Troféu Armando Nogueira, atrás apenas de Montillo, seu conterrâneo, destaque do Cruzeiro.

O futebol apresentado por D’Alessandro com a bola no pé e a eficiência comprovada pelos números deixam o clube satisfeito. Fernando Carvalho é fã do jogador.

- O maior diferencial do D’Alessandro é a capacidade que ele tem de, com a bola no pé, aproveitar o lance se o time tem vantagem numérica ou segurar a jogada se é o adversário quem está com mais jogadores naquela região do campo. Ele decide isso na hora: ou mantém a jogada, ou recomeça tudo – comentou o dirigente.

D’Alessandro tem contrato com o Inter até a metade de 2012. O jogador não esconde o desejo de um dia voltar a vestir a camisa do River Plate, mas também afirma que jamais se identificou tanto com um clube, fora da Argentina, quanto com o Inter. A diretoria colorada já trata com os representantes do jogador de uma possível prorrogação do vínculo, por outros dois anos, até 2014. Mas não quer definir nada em meio às competições. A conversa ficará para o fim de dezembro, depois do Mundial. E D’Alessandro estará lá, tentando fazer com os adversários, especialmente com a Internazionale, aquilo que fez com o Corinthians neste último domingo.

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