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Ofensivo, Uruguai faz "vuvuzelazzo" e deixa anfitriões com um pé fora das oitavas

Ofensivo, Uruguai faz "vuvuzelazzo" e deixa anfitriões com um pé fora das oitavas

Atualizado: Quarta-feira, 16 Junho de 2010 as 5:34

Nenhuma partida de Copa do Mundo é apenas um jogo futebol, ainda mais quando envolve o país-sede. Vivendo uma euforia por causa do Mundial, a África do Sul levou a campo, pela segunda vez, a responsabilidade de fazer bonito, corresponder a tanta expectativa e conseguir um resultado que a ajude a chegar às oitavas de final. E mais uma vez decepcionou.

A vitória do Uruguai deixa a equipe sul-americana a um empate da classificação para as oitavas de final, enquanto a África do Sul agora depende de uma difícil combinação de resultados para passar à próxima fase. Nunca na história, um país-sede deixou de se classificar para as oitavas.

Como no empate com o México, na abertura da Copa, também nesta derrota para o Uruguai, por 3 a 0, no Loftus Versfeld, em Pretória, os sul-africanos jogaram muito abaixo do que fazia prever a sua campanha na fase recente de preparação para o Mundial.

Além do nervosismo visível, que transformou o craque do time, Pienaar, numa figura apagada, a África do Sul foi surpreendida pela postura ofensiva do Uruguai, radicalmente diferente em relação ao time cuidadoso da partida contra a França, encerrada 0 a 0.

Com três atacantes, Suarez, Forlan e Cavani, marcando a saída de bola da África do Sul, o Uruguai ditou o ritmo da partida, do início ao fim. Além do gol de Forlan, num belo chute de fora da área que ainda tocou no ombro do capitão Mokoena, a Celeste teve muitas oportunidades de aumentar o placar no primeiro tempo, enquanto os sul-africanos chegaram com perigo ao gol de Muslera apenas uma vez.

A situação piorou no segundo tempo. Ainda mais nervosa, a África do Sul não conseguiu criar nada, enquanto os uruguaios mantinham a disposição de atacar e pressionar na marcação. Chegando com perigo, o Uruguai acabou conseguindo um pênalti, numa saída desastrada do goleiro Khune, que foi expulso.

Para aumentar ainda mais a expectativa gerada por esta partida na África do Sul, é preciso lembrar que ela ocorreu num dia muito especial para os anfitriões. O 16 de junho é feriado nacional no país. Há 34 anos, estudantes negros de Soweto fizeram uma série de protestos contra a obrigação de aprender o africâner, língua da minoria branca que então mantinha o país sob o apartheid. O dia ficou marcado pela morte do estudante Hector Pieterson, então com 12 anos, e virou um símbolo da luta contra o racismo.

Com 3 a 0 no placar, alguns sul-africanos começaram a deixar o estádio, faltando quase dez minutos para o encerramento da partida. Com capacidade para 42.858 pessoas, o Loftus Versfeld estava praticamente lotado, com um público de 42.658 espectadores.

O estádio onde ocorreu a partida também não é qualquer um. Além de ser o mais antigo a sediar uma partida de Copa do Mundo, justamente a única vitória até agora de uma seleção africana na Copa (Gana 1 x 0 Sérvia), o Loftus Versfeld é lembrado também como sede da primeira vitória dos Bafana Bafana contra uma seleção europeia - 1 a 0 na Suécia, em 1999.

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