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Pai de Marcelinho Paraíba fez primeiro gol da história do Amigão

Pai de Marcelinho Paraíba fez primeiro gol da história do Amigão

Atualizado: Terça-feira, 15 Fevereiro de 2011 as 3:03

Quarta-feira, 16 de março de 1975. O futebol da Paraíba estava em festa. Afinal o estádio Ernani Sátyro, o Amigão, havia acabado de ser inaugurado, e a torcida paraibana, em peso, iria acompanhar pela primeira vez o maior clássico local, entre Treze e Campinense. Aos 30 minutos do primeiro tempo, o então atacante Pedrinho Cangula abriu o marcador. Quase 36 anos depois, ele viverá uma emoção especial no mesmo local, já que existe a possibilidade de seu filho, Marcelinho Paraíba, camisa 31 do São Paulo, disputar a partida contra o Treze, na estreia das duas equipes na Copa do Brasil.     - Posso me considerar um privilegiado. Fazer um gol na abertura de um estádio é para poucos. Até hoje, por onde passo, todos lembram com carinho de Pedro Cangula. E na quarta espero ter a oportunidade de ver meu filho Marcelinho em campo - afirmou, em conversa no gramado onde Treze e Tricolor brigarão pela vitória nesta quarta-feira.

O tempo passou, mas a memória continua intacta. Pedro conta como foi o seu gol.

- Lembro que um dos zagueiros tentou ir para o ataque e eu o desarmei. Invadi a área pelo lado direito e, na saída do goleiro, bati no meio do gol. Lembro até hoje da festa que foi. O estádio estava lotado, era tudo novinho em folha, quarenta mil torcedores. No fim, tomamos um gol, e a partida acabou empatada por 1 a 1 - ressaltou.     Pedro Cangula ficou por sete anos no Campinense. Depois, rodou por várias equipes do Nordeste até pendurar as chuteiras. Mudou de função e virou treinador. Começou na equipe juvenil do time que o revelou. E lá estava um garotinho com o mesmo sonho de milhares da sua idade:  tornar-se jogador de futebol.

- Quando cheguei ao juvenil, Marcelinho já se destacava em uma categoria abaixo. Fiz questão de promovê-lo, mas ele nunca teve moleza. Pelo contrário. Sempre peguei muito mais no pé dele do que no dos outros moleques, para que ele não sofresse com os comentários de que estaria sendo favorecido. Fico feliz por tê-lo feito evoluir na carreira. Lembro que, quando começamos a trabalhar juntos, o pé direito dele servia apenas para subir no ônibus. Hoje, você já deve ter acompanhado alguns gols dele dessa maneira - conta o pai, orgulhoso.

E quem é melhor: Pedro Cangula ou Marcelinho Paraíba?     - Como jogador, ele é melhor. O Marcelo é mais inteligente, sabe o que fazer com a bola. Eu era aquele centroavante trombador, que ficava no meio da área. Eu também corria muito. Foi daí que veio o apelido Cangula, que é um peixe marinho muito difícil de capturar. Mas, na Paraíba, eu sou mais famoso do que ele (risos). Não é todo atacante que faz 500 gols na carreira. Eu conto tudo, gol em coletivo, amistoso e jogo oficial - brincou, esbanjando simpatia.

Por ter sido treinador, Pedro Cangula não dá cornetadas a respeito do trabalho de Paulo César Carpegiani, que ainda não deu uma oportunidade a Marcelinho Paraíba como titular na temporada 2011.

- Treinador deve ser respeitado. Se ele não usou, tem os motivos dele. Jogador tem que trabalhar, porque sempre joga quem estiver melhor. É claro que, como pai, espero que o Marcelinho possa atuar pelo menos dez minutos para que ele possa perceber como o povo da Paraíba gosta muito dele. Apesar de o meu filho ter sido revelado no Campinense, tenho certeza de que a torcida do Treze também vai aplaudi-lo, afinal ele é um homem de sucesso da nossa terra.      

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