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Para alegria da mulher, Marcos está perto de voltar e 'adia' aposentadoria

Para alegria da mulher, Marcos está perto de voltar e 'adia' aposentadoria

Atualizado: Sexta-feira, 29 Outubro de 2010 as 9:30

Há 15 jogos fora do Palmeiras, Marcos não chega a ser pressionado por Luiz Felipe Scolari para voltar à meta. Preocupado com a saúde do atleta-amigo, o treinador acompanha a recuperação do goleiro alviverde de uma artroscopia no joelho esquerdo com muita atenção. A pressão, porém, está em outro lugar. Em casa! A atriz Sônia Almeida, esposa do goleiro de 37 anos, é quem sempre questiona sobre seu retorno. E existe a possibilidade de que isso ocorra neste sábado, quando o time enfrenta o Goiás, pelo Campeonato Brasileiro. Um último teste no treino desta sexta-feira pode ser determinante para a escalação do ídolo.

Em entrevista ao GLOBOESPORTE.COM, Marcos afirmou que as dores já não o atrapalham tanto. Mas comenta que se fosse necessário ir para o sacrifício, aceitaria, embora não veja necessidade. Além da lesão, o camisa 12 do Palmeiras fala sobre a possibilidade de prorrogar a sua aposentadoria por ver o Alviverde reforçado e acreditar que, em 2011, o time pode ser mais competitivo. "Isso me anima".

GLOBOESPORTE.COM - Você tem condições de jogar neste sábado, contra o Goiás?

Marcos - Esta é a primeira semana que estou treinando com bola. As dores no joelho melhoraram muito, não me atrapalham tanto agora, mas quem decide é o Carlão (Pracidelli, preparador de goleiros) e o Felipão. Não sei se sábado posso estar à disposição porque depende do treino desta sexta-feira. Acho que aí define.

Mas você já se sente bem para voltar a jogar?

Acho que isto tem de ser conversado, porque não existe motivo para sacrifícios. O Deola está bem. Ele precisava de desse tempo como titular para se destacar. Nós acreditamos nele e no Bruno (terceiro goleiro). Você só consegue ver um grande goleiro quando ele tem 15, 20 jogos na sequência. Ele pegou confiança, e acho que o Palmeiras não teve resultado pior contra o Atlético-MG porque ele fez grandes defesas. Temos jogadores no elenco agora que são mais importantes do que eu, como o Valdivia, o Kleber, o Assunção. Se tivesse necessidade... "Nossa, você precisa jogar. Dá?" Dá. Mas tem necessidade? Não tem. Às vezes você volta de uma lesão e não percebe se está bem ou mal. Mas o cara que chuta a bola nos treinos, como é o caso do Carlão, pode falar se dá ou não. Vai ser definido por ele.

A Sul-Americana é uma prioridade agora para o Palmeiras por ser o caminho mais viável para a vaga na Libertadores hoje?

Não é que estamos dando prioridade. A vaga no Brasileiro está mais longe, é algo que não depende só de nós. Mesmo que vençamos as sete partidas que restam, ainda temos de torcer para um monte de gente perder. E, talvez, esses outros ganhem e tirem as nossas chances. Isso não quer dizer que a Sul-Americana é menos difícil. Ainda temos de passar pelo Atlético-MG, que não vai ser fácil e, se passarmos, pegar Goiás ou Avaí. Temos mais condições de chegar pela Sul-Americana, mas a prioridade continua sendo os dois, pelo menos até que não dê mais pelo Brasileiro.

Você tem acompanhado os jogos do Palmeiras no estádio?

Não vou ao jogo porque fica difícil de achar um lugar sossegado. Toda hora tenho de ficar dando autógrafos ou tirando fotos (risos) e eu gosto de ver a partida mesmo. Assisto a todos os jogos, de todos os times. Agora, minha participação tem sido mínima. Fico mais conversando e motivando o grupo. Estou me limitando a ficar quieto nas reuniões e apenas apoiar o time. E apoiar o Lenny (atacante lesionado). Estamos brigando para ver quem vai demorar mais para voltar. Acho que vou ganhar dele (risos).

Você conhece bem o Felipão. Ele mudou muito desde a Copa de 2002?

Nós conversamos mais sobre mim, mas ele não mudou nada. Ele vai sempre ao departamento médico saber como estamos, isso é muito legal. Mas está interessado em saber não para colocar em campo. É porque ele não descuida mesmo, se preocupa com a saúde dos jogadores. Acho que a única coisa que mudou nele foi a conta bancária (risos). No jeito, ele é o mesmo. Dá as duras, cobra... Sempre falávamos na Seleção Brasileira que era a família Scolari porque ele cria esse clima mesmo. Se você faz as coisas certas, ele está do seu lado. Mas quando você vai mal na escola, aplica o castigo, manda treinar mais, dá dura. Dentro de campo, tomar bronca é comum. Por mais que você seja mais velho, isso acontece, é normal. Foi assim com o Vanderlei (Luxemburgo), com o Muricy (Ramalho) e com o Antônio Carlos. Cobrar faz bem para o jogador porque aí ele não se acomoda.

Depois de tantos anos como titular e após alcançar a condição de ídolo, aceitaria sentar no banco de reservas?

Jogo há muitos anos aqui porque sempre fiz o simples. Nunca me coloquei em alguma posição diferente dos outros. Sempre procuro respeitar o momento de cada um. Quando você se machuca, dá brecha para outro jogador. Mesmo sendo um ídolo, cada um tem de viver o seu momento. Se alguém chegasse e me mandasse para o banco, iria aceitar, sem ficar emburrado. Seus direitos vão até onde começam os dos outros. Se tiver que ficar no banco para o Deola não tem problema nenhum.

Este ano você declarou que pensava em se aposentar em dezembro, depois recuou. E agora?

Minha cabeça funciona mais ou menos como funciona o time. Se vejo que vou ter que jogar um ano com time sem condições de ser competitivo e eu terei que dar entrevista falando que ainda pode chegar ao título, desanimo, porque sei que estou contando uma mentira. Agora mudei porque vejo o Palmeiras contratando Kleber, Valdivia, Assunção, Lincoln, Ewerthon, Edinho... Além de um treinador de ponta como o Felipão, que não vai ficar acomodado. Isso me faz mudar de opinião. Não sei se vamos ganhar algo, mas temos um time competitivo, a responsabilidade é dividida. Acho que no ano que vem eu volto para disputar posição, se estiver bem. E isso me anima de novo.

E no dia que a aposentadoria chegar você ficará mais tranquilo por saber que tem um goleiro como o Deola para ficar no seu lugar?

Sabia que ele seria um bom substituto. Desde juvenil víamos qualidade nele, assim como no Bruno e no Diego Cavalieri, que esteve aqui anteriormente. Mas também sabemos que ninguém sai do banco e logo vira ídolo. E não dá para cobrar o jogador por um ou dois jogos. Se eu voltasse hoje no lugar do Deola iriam pedir o retorno dele, pois eu precisaria adquirir ritmo. Quando ele começou a jogar e estava sendo criticado, pensei muitas vezes em ir até a sala de imprensa e defendê-lo, mas respeitei o momento dele. Quando isso acontece, o jogador se defende, dá entrevistas, e não é correto um cara chegar lá e falar por ele. Mas eu sabia das condições dele, duro é ter paciência com goleiros. Esse é o segredo: paciência: goleiro precisa de confiança e ritmo de jogo. Quando o Deola joga bem assim não é surpresa para mim.

Vendo o Deola em destaque e após tantos jogos afastado, tem receio de voltar?

Não tenho medo não, mas me sinto pressionado, que é uma coisa que todo atleta está acostumado. Quando o jogador entra em campo pressionado você pode ter certeza de que ele vai jogar bem, porque estará atento, concentrado. Nas vezes que cometi erros não foi porque estava pressionado, mas por estar confiante demais. Pressão é normal na nossa posição. Quando eu ia para a Seleção, ficava na reserva do Dida, e o Sérgio entrava aqui e fechava o gol. Os caras não queriam que eu voltasse (risos). Eu jogava pressionado para ir melhor do que o Sérgio, isso é natural.

Você dá conselhos para o Deola?

Ele é um 'menino' de 26 anos, já rodou por aí. Não dou conselhos, mas conversamos bastante. O Carlão, que está no dia a dia, ajusta os erros e acertos dele. Somos goleiros e procuramos sempre conversar. O grande ponto da história de goleiros do Palmeiras é que todos torcem para o titular como se estivessem ali. Ninguém torce para o outro tomar frango para poder assumir o lugar. Essa amizade grande faz com que qualquer goleiro do Palmeiras jogue tranquilo.

Até onde esse Palmeiras de agora pode chegar ?

Acho que se perguntasse para alguém do Flamengo do ano se o time poderia ser campeão, iam até falar que sim. Mas não iam sentir isso verdadeiramente. Deve ser difícil ser comentarista, por exemplo, pois ninguém sabe o que vai acontecer. Temos a intenção de chegar próximo (dos líderes), mas é difícil. Pelo lado otimista, temos grandes chances de chegar à Libertadores. Mas podemos não entrar de novo, dependerá dos últimos jogos. Por isso a preocupação do preparador físico do Palmeiras em deixar os jogadores bem para as duas competições.

Seria frustrante não classificar novamente para a Libertadores, como em 2009?

Não classificar para a Libertadores seria frustante sim. No ano passado já foi terrível. Para o clube é péssimo tentar manter jogadores de nível sem a Libertadores. Você quer contratar, analisa, mas o atleta sempre quer saber qual competição vai jogar. Se tem Libertadores fica mais fácil montar um grupo forte. E sem a vaga também fica difícil para o clube trazer recursos.

Falando em recursos, o Palmeiras ainda está com problemas de atrasos de salários?

Não tem nada de dívida hoje. Foi tudo pago. Os clubes passam por dificuldades para contratar e manter elencos grandes, com salários altos, para a disputa do Brasileiro. Por isso batalham para entrar na Taça Libertadores, pois podem melhorar os contratos de patrocínio, contratar jogadores melhores...

Depois de tantas partidas fora do time, já está cansado de ficar em casa?

Minha mulher sempre me pergunta quando eu vou voltar (risos). Ela está mais preocupada do que o Felipão! Não somos acostumados a ficar em casa. Agora estou fazendo mais ou menos a programação do time. Antes eu chegava às 8h e saía às 20h. Fazia seis horas de fisioterapia. O resto era resenha com o pessoal do CT, almoçando com os funcionários na cozinha. Nada contra a minha esposa, mas não vejo a hora de ir embora de casa. Até falo que, quando parar de jogar, vou passar uns dois anos indo ao CT só para conversar (risos).

Por: Carolina Elustondo e Julyana Travaglia

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