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Pênalti anulado, sufoco, sofrimento: o Inter em cinco atos na Libertadores

Pênalti anulado, sufoco, sofrimento: o Inter em cinco atos na Libertadores

Atualizado: Terça-feira, 17 Agosto de 2010 as 7:55

Melhor não reclamar de barriga cheia, mas bem que a trajetória do Inter até a finalíssima da Libertadores poderia ter maltratado menos os colorados. Foi um tal de gol nos últimos segundos, de classificação no limite do placar, de idas e vindas que deixaram os torcedores no limiar do suportável. Talvez não tenha sido uma caminhada tão bonita quanto a de 2006, mas certamente foi mais maluca.

Um dia antes da grande final, o GLOBOESPORTE.COM lembra cinco momentos marcantes da Libertadores-2010 para o Inter. Foram lances emblemáticos, segundos decisivos para que o Colorado pudesse chegar à decisão do torneio continental.

11 de março: o dia em que Abbondanzieri anulou um pênalti O juizão comeu mosca. Abbondanzieri saiu na bola, a agarrou com duas mãos e levou um encontrão do atacante Pirchio. Falta para o Inter, claro. Que nada. O árbitro colombiano José Buitrago marcou pênalti para o Deportivo Quito. Foram instantes de tensão naquele 11 de março, no estádio Olímpico Atahualpa, no Equador. Era apenas o segundo jogo do Colorado na Libertadores. Perder em Quito, depois de atuação fraca na vitória de 2 a 1 sobre o Emelec, não seria nada legal.

Foi aí que valeu a experiência de Abbondanzieri. Em vez de tentar levantar o árbitro pelas orelhas e arremessá-lo para fora do estádio, o goleiro caminhou até o bandeirinha. Falou no ouvido dele, cheio de argumentos, totalmente persuasivo. Não é que deu certo? O auxiliar chamou o juiz, que anulou o lance. O Inter empatou a partida, resultado que facilitou a futura classificação vermelha às oitavas de final da Libertadores.

22 de março: Banfield em vez do Cruzeiro Era de embaralhar a cabeça. Uma combinação mirabolante de resultados definiria quem seria o adversário do Inter nas oitavas de final da Libertadores depois do jogo contra o Deportivo Quito, no Beira-Rio. Se ganhasse por um gol de diferença, enfrentaria fulano; se fosse por dois, seria beltrano; se empatasse, seria cicrano. Ruim mesmo seria enfrentar o bom time do Cruzeiro já nas oitavas. E era o que estava acontecendo até os 47 minutos do segundo tempo.

Era. Mas não foi. A vitória parcial por 2 a 0 foi engordada por um gol decisivo de Giuliano nos últimos segundos da partida. O garoto, iluminado, tirou o Inter do caminho do Cruzeiro e definiu o Banfield, da Argentina, como oponente colorado na primeira etapa do mata-mata. Sabe-se lá o que teria sido do Colorado sem aquele lance final de Giuliano.

6 de maio: valeu a pena ter Walter Walter se escondeu em um apartamento, Walter oscilou mais do que ioiô, Walter mais prometeu do que cumpriu. Mas valeu a pena, pelo menos por uma noite, ter o atacante no elenco. Foi dele o gol que colocou o Colorado nas quartas de final da Libertadores.

O Inter levou 3 a 1 do Banfield no primeiro jogo, na Argentina. Precisava fazer 2 a 0 na segunda partida, no Beira-Rio. Alecsandro, ainda na etapa inicial, abriu o placar. E aí apareceu Walter. D’Alessandro deu um toque lateral, Fabiano Eller apareceu para cruzar, o jovem atacante surgiu para completar. Era só esperar o tempo passar: o Inter estava classificado.

Depois daquilo, Walter fez muito pouco, quase nada com a camisa do Inter. Acabou negociado com o Porto. Mas pouco importa. Valeu a pena ter Walter. Pelo menos por uma noite, valeu a pena ter Walter.

20 de maio: Giuliano mata o campeão da América Um torcedor do Estudiantes, com as mãos na cabeça, deixou a arquibancada e rumou para fora do estádio Centenário, em Quilmes, enquanto Giuliano dava pulos de alegria ali perto dele. “Sempre no final! Sempre no final, c...!”, esbravejou o fã de Verón diante do gol do talismã colorado. Tinha que esbravejar mesmo. O Estudiantes já tinha perdido a Sul-Americana para o Inter e o Mundial para o Barcelona com gols no final. E sofreu do mesmo veneno. Aos 43 minutos do segundo tempo, Giuliano matou o campeão da América.

O Inter perdia o jogo por 2 a 0 e se despedia da Libertadores. Giuliano estava no banco. Foi a campo, nenhuma novidade, para salvar a pele vermelha. A fumaça que caía sobre o gramado, já fruto da comemoração dos argentinos, foi o cenário para o passe que o guri recebeu dentro da área, pela direita. O chute cruzado morreu no canto do goleiro Orión. A vitória de 1 a 0 no Beira-Rio fazia daquele 2 a 1 um resultado aceitável. E assim foi. Giuliano, sempre ele, colocou o Inter nas semifinais.

5 de agosto: o calcanhar de Alecsandro Uma flecha envenenada acertou o tornozelo de Aquiles e provocou sua morte. Um chute venenoso de D’Alessandro encontrou o tornozelo de Alecsandro e provocou a morte do São Paulo na Libertadores-2010. Foi no Morumbi, em 5 de agosto, no segundo jogo das semifinais. O Inter perdia o jogo por 1 a 0 e via a partida migrar para os pênaltis quando apareceu o camisa 9.

É engraçado pensar que um lance, um toquezinho, uma questão de centímetros pode mudar o destino de um clube. O Inter poderia estar eliminado da Libertadores. A final desta quarta-feira poderia ser no Morumbi. O São Paulo poderia ser o adversário do Chivas. Nada, nada, nada. Deu é Inter. E graças a Alecsandro. Graças a um calcanhar.

Aconteceu em uma falta pelo lado direito de ataque. D’Alessandro partiu na direção da bola e bateu forte. Ela saiu rasteira dos pés do argentino. Talvez oferecesse algum perigo a Rogério Ceni, mas a questão é que no meio do caminho tinha um calcanhar. O toque de Alecsandro, bonito de ver, foi parar no canto do goleiro são-paulino. O Inter ainda levou o segundo gol, mas foi à final. Tudo por causa de um calcanhar.

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