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Perto da zona de rebaixamento, Tricolor expõe seus erros em 2010

Perto da zona de rebaixamento, Tricolor expõe seus erros em 2010

Atualizado: Terça-feira, 24 Agosto de 2010 as 8:46

Definitivamente, a luz vermelha acendeu para o São Paulo em 2010. A derrota por 3 a 0 para o Corinthians, neste domingo, no estádio do Pacaembu, deixou o time a dois pontos da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. E expôs as feridas de um clube que ainda não se encontrou na temporada. Dentro e fora das quatro linhas, há tempos o São Paulo não cometia tantos erros. Em campo, houve falhas na montagem do elenco e a equipe tenta se reerguer sem um treinador. Fora dele, o Tricolor luta para equilibrar suas receitas sem um patrocinador e ainda vive em guerra política contra a Federação Paulista (FPF) e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Ainda no terreno político, a diretoria não conseguiu colocar o estádio do Morumbi na Copa de 2014. O momento pede uma reação imediata. Ainda no gramado do Pacaembu, o zagueiro Miranda, um dos jogadores mais experientes do elenco, com 218 partidas disputadas, sintetizou o momento tricolor.

- Não estamos jogando nada. Precisamos reagir urgentemente - analisou. Abaixo, uma análise do momento tricolor 1) Erros nas contratações

O São Paulo foi um dos times que mais contratou para a temporada 2010. Foram 14 reforços no total, sendo que o 15° está para chegar a qualquer momento, o lateral-direito Ilsinho. Desses, quatro não fazem mais parte do elenco e outros dois só não tiveram o mesmo caminho por falta de acerto nos detalhes burocráticos. De todos os contratados, apenas quatro se firmaram na equipe titular. E o elenco segue como algumas carências, como a falta de um lateral-direito e a ausência de um meia que possa dar mais criatividade ao time.

O diretor de futebol João Paulo de Jesus Lopes, no entanto, não concorda que o time errou nas contratações:

- O São Paulo, se não tiver o melhor, tem um dos melhores elencos do país. De todos os reforços, realmente o Cicinho e o Marcelinho Paraíba não renderam o esperado. O Léo Lima não teve espaço e conseguimos uma negociação em que tivemos rentabilidade. O Fernandinho eu não tenho dúvida de que foi uma excelente contratação. O mesmo falando do Alex Silva. O Xandão foi uma grata surpresa. Vocês gostam de apontar os erros, mas também precisam ressaltar os acertos - afirmou o cartola do time do Morumbi.

2 - "Renegados" deram certo em outros clubes

Com tantas contratações, jogadores revelados pelas categorias de base não tiveram espaço no time titular e foram negociados. E, em outros clubes, tiveram sucesso. São os casos dos atacantes Mazola, que é um dos destaques do Guarani, e Henrique, que está no Vitória-BA.

Dois atletas experientes que também deixaram o time do Morumbi voltaram a ter destaque no cenário nacional: Washington, que perdeu espaço com a chegada de Fernandão e já marcou três gols desde que foi recontratado pelo Fluminense, e Marcelinho Paraíba que, na sua estreia pelo Sport, fez um gol e deu duas assistências.

A diretoria, no entanto, não se arrepende de não ter continuado com os atletas.

- Eles foram emprestados a outras equipes e estão se aperfeiçoando. No momento, eles não teriam condições de serem aproveitados no São Paulo, mas o sucesso deles é exatamente o que esperávamos - afirmou Jesus Lopes.

3 - Falta de um treinador

Mesmo com o time caindo pelas tabelas no Campeonato Brasileiro, a diretoria segue sem pressa para contratar um treinador. Ricardo Gomes não teve o seu contrato renovado após a eliminação da equipe na Taça Libertadores da América e, como os alvos desejados (Paulo Autuori, Abel Braga e Vanderlei Luxemburgo) estão presos a altas multas rescisórias, os dirigentes resolveram apostar em Sérgio Baresi, na esperança de que ele tivesse o mesmo sucesso que Andrade teve no Flamengo em 2009. Isso, no entanto, até agora não aconteceu.

Até o clássico contra o Corinthians, Baresi seria o treinador até dezembro. Após a derrota por 3 a 0, voltou o discurso de que ele era interino.

- Estamos satisfeitos com o trabalho do Baresi até agora. Ele teve uma semana de muito empenho, muita dedicação, mas várias peças não renderam o esperado contra o Corinthians, então não pode ser debitado do técnico – disse João Paulo de Jesus Lopes.

4 - Falta de um patrocinador fixo freou investimentos no futebol

Após nove anos de parceria com a LG, o São Paulo começou 2010 prometendo conseguir o maior contrato de patrocínio do país. Não só não conseguiu, como não fechou com ninguém para 2010. A solução foi utilizar “patrocínios pontuais”, o que causou discussões entre os dirigentes do clube do Morumbi. Vale lembrar que, no início da temporada, quando o rival Corinthians apresentou seu novo uniforme com vários patrocinadores, dirigentes são-paulinos ironizaram a estratégia, chamando a camisa alvinegra de "macacão de F-1".

Aqui, o vice-presidente de marketing, Júlio Casares, disse que o término do contrato com a LG no mês de março foi o grande vilão para que o time não conseguisse fechar nada fixo.

- Ficamos quase dez anos com a LG e o casamento chegou ao fim. Por contrato, uma cláusula nos obrigava a, após o término do vínculo, ficar por dois meses sem outro. Isso nos atrapalhou. Quando fomos ao mercado em abril, não havia mais espaço para negócios. Por isso, recorremos a acordos pontuais que nos deram uma certa tranquilidade. Para 2011, voltaremos a ter um acordo fixo e pelo que o São Paulo merece - garantiu o dirigente.

5 - Falta de critérios

Algumas ocorrências no clube em 2010 não têm explicação e explicitam a diferença de critério na hora de analisar o desempenho dos jogadores. Dagoberto, crucificado por alguns dirigentes após a eliminação da equipe na Taça Libertadores, nem foi relacionado para o clássico contra o Corinthians. Ele, que demonstrou sua insatisfação por ter ficado no banco contra o Cruzeiro e não ter sido aproveitado no empate por 2 a 2, foi afastado por questões técnicas, segundo o treinador Sergio Baresi.

Porém, outros atletas que também não foram bem nos duelos contra o Internacional e Cruzeiro, como Marlos e Cléber Santana, seguem na equipe. O zagueiro chileno Saavedra, contratado em 2009 e que nunca foi utilizado pela equipe, teve seu contratado renovado até o dia 31 de dezembro. Fora de campo, chamou a atenção a dispensa por telefone do fisiologista Turíbio Leite de Barros, que tinha 25 anos de serviços prestados ao clube

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