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Por lugar em 2016, Scheidt pede lobby político e aposta na tradição da Star

Por lugar em 2016, Scheidt pede lobby político e aposta na tradição da Star

Atualizado: Quarta-feira, 24 Novembro de 2010 as 8:46

A situação não é das melhores, mas Robert Scheidt aposta na tradição e em muita conversa para conseguir revertê-la. Depois de uma proposta aceita pela Federação Internacional de Vela (Isaf), a classe Star está praticamente excluída dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. A decisão final acontecerá em maio do ano que vem, em uma nova reunião, ainda sem local definido. Para o medalhista olímpico, no entanto, a força de ser a classe olímpica mais antiga (é disputada desde 1932) e o fato de o Brasil ter conquistado pódio em cinco das últimas seis edições poderá facilitar uma mudança de planos.

- Foi uma mudança de base política. Para mim, tirar a Star dos Jogos é um erro tremendo. Está nos Jogos há quase cem anos, reúne as maiores estrelas da vela. É o caminho a ser seguido pelos velejadores. Não é nem a questão de permitir mais longevidade, mas é a classe que depende tanto do físico quanto do técnico. Na final olímpica em Pequim, a cada bóia tinha um campeão diferente, só foi definida no fim. Foi a mais disputada. Esse é o principal apelo (para que não fique fora) - disse o velejador, que, ao lado de Bruno Prada, foi prata em Pequim.

Os delegados de confederações que pediram a saída da classe do programa afirmam que a Star é cara, lenta e pouco atrativa para o público. Scheidt diz que a proposta saiu de países da Ásia e da Oceania, com pouca tradição na disputa. Na reunião da Isaf, quatro classes consideradas mais rápidas e de acesso mais fácil para o espectador foram incluídas para serem avaliadas até maio (kiteboard, masculino e feminino; prova mista da 470; Skiff feminino e multicasco) , com dez no total. Para Scheidt, seria difícil tomar de volta o lugar de uma delas. O caminho mais fácil seria a inclusão de uma outra vaga, retornando a 11 classes, como será em Londres, em 2012.

- Um dos caminhos é tirar uma das classes novas, mas é mais fácil incluir mais uma medalha. Se todas diminuírem um pouco o número de participantes, não seria problema. Mas temos que conversar com todas as confederações, ver quem poderia mudar de ideia até maio e tentar convence-los. Não é fácil, mas acho que é o melhor caminho.

Para Scheidt, as outras classes foram incluídas por terem feito um lobby maior nos bastidores. A hora, então, é de tentar reverter, mas também ceder em alguns pontos, como na revisão dos custos dos barcos da Star.

- A Star sabia dos problemas e tentou argumentar apenas com tradição. O que tem que acontecer é ceder. Nos últimos anos, a classe encareceu muito, aumentou muito o preço. Não acho que isso seja o principal fator, mas também influenciou. A classe teria que coibir isso. Por ter tanta tradição, a classe não gosta de abrir mão – afirmou o velejador, acrescentando que, nos últimos cinco anos, o custo de um barco subiu de 30 mil euros para 50 mil euros.

Scheidt diz que já está havendo uma mobilização entre os velejadores para reverter a situação, mas ele pede a atuação do COI e, principalmente, do COB.

- O COI e o COB podem e devem participar disso. O Brasil, com tanta tradição, perderia muito sendo a sede, o interesse cairia muito. Vela já é um esporte difícil de ser televisionado. No Rio, com as grandes estrelas, com certeza vai chamar a imprensa. Serão atletas consagrados – disse o velejador, que chegou a mandar um e-mail para o presidente da Isaf, o sueco Goran Peterson.

Em 1997, a Star chegou a ser retirada do programa dos Jogos de Sidney. Pouco mais de um ano depois, porém, uma pressão do COI fez com que a classe voltasse aos planos. Scheidt, no entanto, acredita que a decisão em maio será definitiva.

- Depois de maio, dificilmente haverá uma mudança. Antigamente, o planejamento era feito durante o ciclo olímpico. Agora, é feito antes. Mas o COI tem a palavra final.

Por: João Gabriel Rodrigues

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