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Promessa 'sueca', carioca Christian Lindell já é queridinho de Soderling

Promessa 'sueca', carioca Christian Lindell já é queridinho de Soderling

Atualizado: Quarta-feira, 6 Abril de 2011 as 10:49

Christian Lindell se sente mais brasileiro do que sueco, mas é no país europeu que vem sendo adotado e tratado como uma promessa. O carioca de 19 anos, descoberto quase por acaso no país de seu pai, recebe tratamento especial até de Robin Soderling, atual número 5 do mundo. Foi o atual vice-campeão de Roland Garros quem escolheu Lindell para disputar a Copa do Mundo por países, que será em Dusseldorf (Alemanha), no mês maio.

Soderling tem no "carioca sueco" uma espécie de protegido. Pede que seu fornecedor de material esportivo dê peças a Lindell, conversa bastante com a promessa e faz piadas com o sotaque carregado do companheiro de treinos. O relacionamento amigável acabou de vez com a má impressão que o brasileiro tinha do novo compatriota.

- A imagem que eu tinha dele era a de um cara não muito carismático, e rolavam esses boatos de que ele não era um cara que tinha muitos amigos. E no circuito eu realmente via que ele não era um cara que cumprimentava todo mundo, era mais reservado. Acho que ele foi com a minha cara, porque sempre me tratou muito bem. Convivemos bastante fora de quadra, com ele e com a namorada dele, Jen. Ele é muito gente boa, faz piada com o meu sueco, que é carregado de sotaque, brinca o tempo todo, é um cara muito engraçado - diz Lindell.

Nesta semana, o carioca está em Cabo de Santo Agostinho (PE), disputando o Pernambuco Brasil Open Series, torneio Challenger que vale um convite na chave principal do Aberto do Brasil em 2012. Lindell e seu pai, Lars, já foram procurados pela Confederação Brasileira de Tênis (CBT), que tem interesse em repatriá-lo. O jovem, atual número 336 do ranking mundial, diz que os projetos da CBT são de fato muito bons, mas ainda não estão em andamento.

As melhores condições de treino, por enquanto, ainda estão na Suécia. Lá, Lindell já ganhou a atenção de Thomas Enqvist, ex-top 10 que é o atual capitão do país na Copa Davis, e dos ex-jogadores Thomas Johansson e Jonas Bjorkman. O adolescente já foi convocado duas vezes para treinar com o time sueco.

A Copa do Mundo será sua primeira competição por equipes defendendo o país de seu pai. No entanto, por ser um evento da ATP e não da Federação Internacional de Tênis (ITF, em inglês), ir a Dusseldorf não significa que Lindell será sueco definitivamente. Quando quiser, pode voltar a jogar pelo Brasil. O mesmo não acontece se ele for convocado para a Davis. Neste caso, serão precisos três anos de ausência nas competições países para mudar de nacionalidade. O carioca não se vê pressionado a tomar uma decisão.

- Eu relaxei um pouco. O que importa é eu jogar tênis e jogar bem. Eu sou muito novo ainda, então na minha cabeça não tem pressa para escolher alguma coisa. É importante defender um país, mas por enquanto eu não estou pronto para jogar uma Copa Davis ou as Olimpíadas pelo Brasil. Quanto à Davis, o Thomas (Enqvist) escolheu a quadra rápida, então a chance de eu jogar contra a Sérvia é praticamente zero. Então tenho até o ano que vem para pensar.

Em casa, não há conflito familiar ou patriotismo exagerado. Filho de um pai sueco e uma mãe brasileira, Lindell conta que ninguém tenta forçar a barra a favor de um país ou do outro.

- Minha mãe não opina muito. Ela diz "faz o que for melhor". Meu pai está pensando que nem eu. A verdade é que por enquanto a Suécia me ofereceu coisas mais legais. Por exemplo, se eu jogasse pelo Brasil já agora, não teria essa oportunidade, que faria muito bem para o meu tênis, que é jogar contra tops numa competição dessas. Então é isso. Por enquanto, eu sigo como sueco, mas não tem nada definido.      

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