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Quarto dia da Copa tem kickboxers, gol contra e Eto'o pior que Obina

Quarto dia da Copa tem kickboxers, gol contra e Eto'o pior que Obina

Atualizado: Terça-feira, 15 Junho de 2010 as 7:03

O Paraguai começou bem. Atropelou até mesmo Paulo Coelho em sua faceta "eu já sabia". O escritor vinha brincando de fazer previsões futebolísticas no Twitter e cravou antes do jogo: "Nostradamus Coelho: ita # vai ganhar". Depois de receber mensagens insultuosas e do golzinho achado pela esquadra guarani aos 40 do primeiro tempo, o mago apagou a frase postada e concluiu com um gracejo em inglês: "Nostradamus Coelho is now banned from using my Twitter account" ("Nostradamus Coelho agora está impedido de usar minha conta no Twitter").   Mas aos 19 do segundo tempo, o goleiro paraguaio Villar caçou borboleta em um cruzamento, e De Rossi empatou o jogo. Foi assim que os atuais campeões mundiais evitaram um vexame na estreia. Itália é tradição. Ou melhor, tradições. Uma delas é de protagonizar jogos soníferos nas primeiras fases das Copas. Soníferos, no caso de hoje, só para quem assiste. Para os que estavam em campo na Cidade do Cabo, foi uma batalha. Pés erguidos na linha do pescoço adversário, golpes de kickboxer em busca de bolas divididas, trombadas e entradas à Van Damme. Como zurra um dos eufemismos em voga no esporte, foi um jogo "muito físico". Prenunciado já aos 30 segundos, quando Riveros entrou de sola na canela de Montolivo, e decidido por erros individuais.

O tento paraguaio, feito pelo zagueiro Alcaráz, de cabeça, após falta cobrada por Torres a mais de 30 metros, também foi ocasionado por falha, ainda que bem menos grosseira que o voo galináceo de Villar. "O homem a marcar era meu", assumiu De Rossi, depois do jogo, sem duplo sentido. "A culpa pelo gol deles foi minha", completou. Elas por elas,   bambino . Para usar outro lamentável jargão da moda, a Copa da África do Sul chegou ao fim de seu quarto dia mostrando muito futebol de qualidade - no caso, qualidade duvidosa ou francamente má.  A Holanda, eterna   darling dos comentaristas, venceu a aparentemente fraca Dinamarca por um aparentemente confortável 2 a 0 em Joanesburgo. Mas, sei não, se não fosse a incrível cabeçada do dinamarquês Poulsen contra a própria meta (em bola que ainda resvalou no colega Agger antes de entrar) no começo do segundo tempo, os laranjinhas tinham grandes chances de se complicar também. Na primeira etapa, seu domínio fora absolutamente estéril, e o grandalhão Bendtner andou bem próximo de marcar. Jogo bonito pra valer, só na arquibancada do Soccer City, florida por grupos de belas jovens dinamarquesas e holandesas.

Em Bloemfontein, Japão e Camarões protagonizaram uma senhora pelada, vencida pelos asiáticos por 1 a 0, em mais um lance bisonho. A bola quase não rolava, era um tal de ligação direta pra lá, chutão do goleiro pra cá... Os gatos-mestres que acompanham o futebol africano já tinham avisado há tempos, não dá para falar em decepção com essa versão desdentada dos Leões Indomáveis. Mas houve uma quebra de expectativa, sim. Na terra de cegos do estádio Free State, o único capaz de ver foi praticamente invisível. Samuel Eto'o jogou pior que Obina (o baiano). Parecia um clone sem talento. Só foi ele mesmo em um mísero lance. Aos 3 minutos do segundo tempo, passou no meio de três marcadores como se fossem cones e rolou para a área. Mas Choupo-Moting mandou para fora. Derrotar esses Camarões desandados não é difícil. Claro, sempre vai aparecer alguém para destacar que o Japão conseguiu sua primeira vitória em estreias em Copas do Mundo e, para usar outro deplorável clichê do jornalismo, fez história. No caso, história para boi dormir.

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