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'Quase carioca', joia Lanzini manda o recado: O campeão está crescendo

'Quase carioca', joia Lanzini manda o recado: O campeão está crescendo

Atualizado: Terça-feira, 6 Setembro de 2011 as 9:35

Lanzini posa com a camisa do Fluminense no Pão de Açúcar com o Cristo

Redentor ao fundo: argentino, tricolor e quase carioca (Foto: Wagner Meier/GLOBOESPORTE.COM)

  Ele desembarcou pela primeira vez no Brasil, em 20 de julho, como um total desconhecido. No dia seguinte, aniversário dos 109 anos do Fluminense, era ofuscado em sua apresentação oficial pelos reforços mais conhecidos Rafael Sobis e Martinuccio. Tanto que praticamente não foi questionado na entrevista coletiva. Mas a joia Manuel Lanzini, como ficou conhecido no River Plate-ARG, precisou de apenas um mês e meio para mostrar a que veio. De aposta a quase realidade, o novo camisa 11 nas Laranjeiras dribla a cada partida a enorme responsabilidade de substituir o ídolo Conca. Com carisma e personalidade, já conquista a torcida tricolor com a mesma velocidade com que deixa os zagueiros adversários para trás.

A convite do GLOBOESPORTE.COM, Lanzini foi conhecer o Pão de Açúcar, um dos principais pontos turísticos do Rio de Janeiro. Com a Cidade Maravilhosa a seus pés, o jovem argentino de 18 anos mostrou confiança com a recuperação do Fluminense no Campeonato Brasileiro e mandou um recado aos rivais após a heroica virada sobre o Atlético-GO, por 3 a 2, no último sábado, em Volta Redonda.

- Acho que depois dessa vitória ganhamos um fôlego muito grande e tenho certeza de que o segundo turno será bem diferente. O campeão está crescendo - avisou.

Morando a poucos metros da praia do Arpoador com o pai, Héctor, a nova joia tricolor já se diz quase carioca. Nos últimos dias, a mãe, Miriam, e a namorada, Victoria, chegaram para visitá-lo. Nesta entrevista exclusiva, o apoiador natural de São Antônio de Pádua, pequena cidade argentina de pouco menos de 40 mil habitantes a cerca de 50km da capital Buenos Aires, confessou ter se surpreendido com a velocidade com que virou titular do Fluminense, garantiu não ter a pretensão de ocupar no coração dos tricolores o espaço que era de Conca, disse que ainda acompanha os passos do River, revelou o segredo de sua rápida adaptação ao Brasil, o sonho de jogar no Barcelona e garantiu que já pensa em ficar mais tempo nas Laranjeiras.

- Eu gostaria muito. É um clube lindo, me sinto a vontade jogando, me divirto. Já me sinto em casa. Seria ótimo. Mas estou pensando em fazer as coisas bem, como venho fazendo, para que queiram me comprar - explicou Lanzini, que assinou contrato de empréstimo com  o Fluminense por uma temporada e tem passe fixado em cerca de R$ 23 milhões.

O que você conhecia do Fluminense antes de vir para o Brasil?

Na verdade conhecia bastante. Sabia que tinha sido campeão no ano passado no Brasileirão, que era um clube importante, um dos maiores do Brasil... É um orgulho estar aqui. É tudo muito lindo para mim. Eu sou torcedor do River e sempre disse que queria ficar lá pelo menos uns dois ou três anos, mas aconteceram coisas que não estavam previstas que me fizeram pensar em mudar de ares para melhorar minha cabeça, minha personalidade. E o melhor que decidimos foi vir para o Brasil.

Qual foi sua reação ao saber da proposta?

Tivemos que conversar em família, porque era uma mudança muito grande. Eu sou garoto e conversamos em família e decidimos que era a melhor proposta para mim.

Você tem apenas um ano de contrato. Qual seu objetivo nesse período?

Jogar a maior quantidade de partidas possíveis e pode ajudar a equipe a ficar o mais acima possível, quem sabe ser campeão.

São apenas seis jogos e um gol como titular (veja no vídeo ao lado) , mas já cresce o pedido dos torcedores para adquirir parte de seu passe. Como vê essa situação? Gostaria de ficar mais no Fluminense?

Na verdade, eu gostaria muito. É um clube lindo, me sinto a vontade jogando, me divirto. Já me sinto em casa. Seria ótimo. Mas estou pensando em fazer as coisas bem, como estou fazendo, para que queiram me comprar. O técnico me deu a confiança para esses jogos. Creio que estou demonstrando o que a torcida esperava. Os torcedores do River são muito apaixonados. Muitos ainda esperam que eu volte.

A velocidade com que as coisas estão acontecendo lhe surpreende?

Estou preparado para assimilar as coisas. O que mais quero é jogar futebol por aqui. Pensei que ia ficar mais no banco e depois sim ganharia a titularidade. Só que nunca fiquei no banco no Fluminense. Isso sim me surpreendeu um pouco. No começo do campeonato argentino do ano passado, pelo River, tive uma boa sequência, de quatro ou cinco jogos como titular. Mas no restante eu fiquei mais no banco. A sequência atual, de seis jogos, já é a maior da minha carreira profissional.

Sei que você não gosta de comparações, mas tinha noção do que o Conca representava para a torcida tricolor?

Tenho ideia. Sei que era um ídolo aqui, um dos jogadores mais queridos. Jogou todos os jogos do campeonato do ano passado. Só ouvi coisas boas de Dario. Mas ele já tem a carreira dele, eu estou apenas começando. Espero conseguir jogar e fazer tanto com a camisa do Fluminense como ele.

Acha que já está conseguindo ocupar o espaço dele no coração dos tricolores? A camisa é a mesma, a nacionalidade também...

Não e nem tenho essa pretensão. Me pediram para escolher um número e pedi a camisa 11 porque gostava. Sabia o que representava, mas na verdade não quero substituí-lo. Quero fazer minha carreira e jogar muitos jogos, mais que Conca ou igual. Mas esse espaço citado já é de Dario e sempre será. Ele é ídolo, não dá para comparar. É diferente, a pressão também. Espero ganhar outro carinho, não o mesmo.

No meio da euforia com suas boas atuações, a torcida tricolor já te chama de Lanzinedine Zidane...

Sério mesmo? (risos). É lindo que digam coisas assim... Mas ainda estou muito longe disso. Zidane está fora do patamar dos jogadores normais. Foi um gênio.       Como está sendo o contato com o torcedor na rua?

Muita gentileza deles. Muito carinho. Eles têm sido ótimos comigo até agora. Nem sempre sou reconhecido, mas tem sido legal.

Você tem o hábito de se comunicar com eles pelas redes sociais?

Tenho twitter, @manulanzini, e facebook, mas não uso tanto Me incomoda um pouco a quantidade de pessoas que criam perfis falsos e se passam por mim. Mas pode divulgar o twitter que vou tentar escrever mais.

O assédio feminino já aumentou?

Tenho namorada, desse tema não vou falar (risos).

Espera voltar às seleções de base da Argentina com a visibilidade que está ganhando no Brasil (NR: Lanzini fez parte da pré-lista da Argentina para o último Mundial Sub-20, mas ficou fora dos convocados)?

Já estive em treinamentos da sub-20 e da sub-18. Treinando e nada mais. O que mais quero é voltar e pode jogar. Todo jogador aspira isso. Fazendo as coisas bem, a oportunidade pode chegar. Espero que seja logo.     Do que sente mais falta da Argentina? E do que mais gostou do Brasil?

Os churrascos em São Antônio de Pádua, onde eu nasci. Os churrascos de domingos eram a tradição. Com família, amigos. Era diferente. No Brasil o que mais gostei foram o clima e as praias. As praias são a melhor coisa. É muito lindo.

Sente saudades do River Plate? Tem acompanhado o time na Série B (NR: A equipe lidera a competição, com três vitórias e um empate)?

Sim, estou sempre acompanhando pela internet, vendo o que está acontecendo por lá. Sinto falta do clube. É o lugar onde eu nasci, me criei. Era minha casa, mas todo mundo tem que crescer e seguir em frente.

Como foi a sua infância na Argentina e como surgiu a paixão pelo futebol? Quem é seu ídolo no futebol?

Tive uma infância muito linda em São Antônio de Pádua, a 50 km de Buenos Aires. Passei por todas as etapas que tinha que passar, com meus pais do lado. Sempre fui bom aluno Também. Mas quando tirava notas baixas minha mãe brigava e dizia que eu não ia poder jogar. Uma vez, aos 10 anos, voltei para casa com uma nota 1 e quase fique fora de um Boca x River. O técnico chegou a ligar para minha casa e meu pai conseguiu convencer a minha mãe (risos). Comecei a jogar aos cinco anos. Dois anos depois fui para o Vélez Sarsfield. Fiquei lá até os dez, quando fui para o River Plate. Sempre fui torcedor de arquibancada do River. Ia ao estádio com minha família desde pequeno. Torcia mesmo. Lá sempre me compararam ao Pablo Aimar. É meu ídolo no futebol.

Qual seu sonho para o futuro?

Jogar na Espanha, de preferência no Barcelona. Seria demais. Gosto do futebol espanhol. Acho que é aonde vou me dar melhor. Mas não fico pensando nisso nem estabelecendo metas e prazos. Se acontecer, maravilha.

Martinuccio chegou como craque e ainda não foi titular. Você chegou desconhecido e já conquistou a vaga. O que você acha que fez de diferente?

Eu creio que todo elenco tem jogadores de nome, mas nenhum tem a titularidade. Martinuccio é um grande jogador e mostrou isso na Libertadores. Mas não é fácil ganhar a titularidade. Se você vai bem, joga. Se não, vai para o banco. Abel gostou do meu estilo de jogo. Sempre trato de me sacrificar no treinamento para ganhar a vaga. Eu me vejo como titular, mas não indiscutível. Terei que lutar para me manter.

Com apenas seis jogos e um gol, Lanzini já

começa a conquistar a torcida tricolor 

(Foto: Wagner Meier/GLOBOESPORTE.COM)

  Se sente sobrecarregado na criação da equipe?

Não. Eu gosto de jogar ali, me sinto adaptado. Na base do River eu sempre joguei dessa maneira, sozinho na criação.

Qual o segredo da rápida adaptação ao Fluminense e ao Brasil? Qual a importância do seu pai nessa questão?

Porque gosto muito dessa cidade, desse país e da forma com que as equipes e os jogadores daqui jogam. As características do futebol brasileiro se encaixam muito com as minhas, como eu gosto de jogar. Então acho que foi mais fácil de me adaptar. Meu pai me ajudou demais. Tanto ele quanto a minha mãe. Os dois são muito importantes para minha cabeça. Eles vão vir e voltar, porque tem trabalho e meu outro irmão que atua no Chile. Mas já ajuda muito. Minha namorada também passará alguns períodos aqui no Rio. Já sou quase carioca (risos).

O português já está afiado? Consegue entender todas as instruções do Abel?

Vou começar a fazer aulas com uma professora particular em breve. Já entendo as instruções do Abel sim, mas, em campo, muita coisa ainda passa. Já compreendo melhor as músicas da torcida também.

O que gosta de fazer nas horas vagas?

Gosto de conhecer toda a cidade, com minha família, ir a praia. Também jogo muito videogame. Recentemente fizemos um desafio Brasil e Argentina. Eu e Martinuccio contra Fred e Rafael Moura. Mas aqui o nível deles é muito baixo. Vencemos dois dos três jogos.

Já tinha jogado uma partida tão emocionante quanto essa contra o Atlético-GO?

Jogue jogos emocionantes, mas não assim, ganho em oito minutos. Nunca havia sentido isso. Na hora do gol do Rafael Moura sai correndo sem rumo, uma felicidade enorme. Por tudo o que vivi com o River, nada para mim é impossível. Mas o que senti naquele jogo foi impressionante e acho que nunca vou sentir de novo. E ainda quase fiz um belo gol. Poderia ter passado a bola, mas não vi o Rafael Moura e o Ciro. Quis tentar fazer o gol...

Lanzini bate bola com o Pão de Açúcar ao fundo: contrato é de apenas um ano,

mas jovem de 18 anos já pensa em ficar mais tempo nas Laranjeiras (Foto: Wagner Meier/GLOBOESPORTE.COM)

  Uma virada como essa era o que faltava para a arrancada? O atual campeão vai se recuperar no Campeonato Brasileiro?

Eu creio que foi um golpe bom. Animou muito a equipe. Estamos vivos, nada é impossível. A torcida pode ficar tranquila. Acho que depois dessa vitória ganhamos um fôlego muito grande e tenho certeza de que o segundo turno será bem diferente. O campeão está crescendo.          

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