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Raí diz que fez 'imbecilidade' ao aceitar jogar na Chechênia

Raí diz que fez 'imbecilidade' ao aceitar jogar na Chechênia

Atualizado: Quarta-feira, 23 Março de 2011 as 5:27

Raí se arrependeu de ter aceitado disputar uma partida na Chechênia, no último dia 8, ao lado de outros ex-jogadores da Seleção Brasileira. O grupo - que tinha nomes como Romário, Bebeto e Dunga - foi convidado pelo polêmico presidente da região, Ramzan Kadyrov, acusado por diferentes ONGs de não respeitar os direitos humanos. Para o ídolo do São Paulo, a viagem ao Leste Europeu foi uma "imbecilidade".

- Fiz parte de umas das coisas que mais condeno na vida e com a qual mais tenho cuidado: participei de um evento escancaradamente político, populista, em um contexto desconhecido, sem saber as possíveis consequências e intenções - escreveu Raí em seu site oficial.

O ex-camisa 10 da Seleção conta que foi convidado inicialmente para uma partida na Rússia, sem saber que seria na região da Chechênia. Segundo Raí, ele conhecia apenas poucas informações sobre a situação local: - Sabia de uma terrível guerra entre separatistas chechenos e as forças armadas russas. Mas, segundo informações, a situação já estava menos violenta há algum tempo.

O ídolo tricolor conta também que o cachê não era dos mais altos: - É o equivalente a pouco mais do que cobro para ministrar uma palestra de duas horas na cidade de São Paulo. É também menos do que doo, com certa frequência, para projetos orientados pelo respeito aos direitos humanos.

Após saber que iria para a Chechênia, o ex-camisa 10 disse que procurou saber informações sobre o presidente local, mas lamentar não ter tido "a profundidade que deveria". Raí acabou entrando em campo com seus velhos amigos para enfrentar um combinao local, reforçado pelo alemão Lothar Matthäus e Rudd Gullit. Ramzan Kadyrov também estava no time adversário.

- Me senti mal por ter sido inconsequente, e não criterioso como sempre costumo ser. Quando percebi o tamanho do risco, após o jogo, minha vontade foi de esconder-me de tudo e todos, inclusive de mim mesmo. Os agentes pediram para “aliviar” um pouco, já que era apenas uma “brincadeira”. Realmente, apesar de Gullit e Matthäus estarem no time adversário, não tinha a mínima condição de fazermos um jogo competitivo. Além do presidente, havia outros que nunca tinham sido atletas de futebol.

Foi uma pelada de quintal, mas o público parecia vibrante. Placar a parte, desta imbecilidade (assim que me senti) cometida, ficam duas grandes lições: acompanharei de perto o processo político na Rússia/Chechênia; e estarei muito mais alerta a esses possíveis deslizes de avaliação (mesmo já sendo e tendo uma equipe muito criteriosa). Posso dizer que essa experiência serviu, ao menos, como um importante aprendizado.

De acordo com Raí, o melhor momento da viagem foi a recepção de torcedores no aeroporto na hora da chegada dos brasileiros.

- Chegamos em Grozny já no começo da tarde. Comemos e fomos ao teatro, em um dos prédios reconstruídos, para uma apresentação de danças típicas e música, também com uma atração internacional. Fomos recebidos de forma muito gentil por todos. Foi o único momento que me aproximei da população, que parecia bem. O público era, na maioria, formado por mulheres, em comemoração ao dia internacional da mulher, 8 de março. Muitas com seus celulares filmando tudo. Posso dizer que foi um momento agradável, pude sentir, mesmo que pouco, o lado humano daquela cidade que tenta se reconstruir.

Presidente checheno é figura polêmica A partida aconteceu no estádio Sultan Bilimkhanov, que em 2004 foi cenário de um atentado que matou o presidente checheno pró-Moscou Akhmad Kadyrov (pai do atual líder), e teve um forte esquema de segurança.

Polêmico, Ramzan Kadyrov, de 34 anos, está no poder desde 2007 e é acusado pelas ONGs de não respeitar os direitos humanos. A capital Moscou permite ao presidente checheno uma relativa estabilidade e confia nele para conter a rebelião, que superou as fronteiras da Chechênia e em meados da década passada se tornou um movimento islamita armado ativo em todo Cáucaso do Norte.

Apesar da instabilidade e do alto nível de desemprego nas pequenas repúblicas do Cáucaso, os gastos com futebol parecem não ter preço. Em janeiro, o Terek Grozny, quase rebaixado na temporada passada, contratou como técnico o holandês Ruud Gullit. Mês passado, o Anzhi Makhatchkala, do Daguestão, contratou o lateral brasileiro Roberto Carlos com o maior salário de um jogador no futebol russo.      

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