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Realidade Série C e 'salário Série A'

Realidade Série C e 'salário Série A'

Atualizado: Sábado, 2 Julho de 2011 as 10:37

Ruy em ação pelo Brasiliense: sem frustrações, mesmo na Série C (Foto: Ag. Estado)

  Já são quatro semanas de pré-temporada e faltam pouco menos de duas para a estreia, no dia 16. Não têm sido dos mais movimentados os últimos dias de Ruy no Brasiliense. Afinal, a longa preparação é para a disputa do Campeonato Brasileiro da Série C, para o qual o time foi rebaixado ao fim da temporada 2010. Mas nem por isso o lateral-direito de 33 anos tem do que reclamar.

Mesmo tendo conquistado títulos por equipes como Cruzeiro e Botafogo, Ruy garante que, neste momento, disputar a Série A está longe de ser uma obsessão. Ele afirma ter recebido propostas para retornar à elite do futebol brasileiro, mas que não estão perto do conforto que tem no Distrito Federal.

- Não fico frustrado, até porque continuam existindo sondagens. Mas apesar de estar na Série C, o Brasiliense cumpre suas obrigações. Além disso, o que ganho aqui de salário e premiações é coisa de Série A. Lógico que se tiver uma proposta irrecusável, não serei doido de rasgar dinheiro, mas chega um momento que é melhor ficar num lugar onde você se sente bem. Outros projetos que me apresentaram não valeram a pena - explicou.

Ruy afirma que o futebol de hoje é movido por investidores, que aplicam suas esperanças na revelação e posterior negociação de novos talentos. Mas admite que a perda de espaço na principal divisão do futebol pode estar também ligada à sua personalidade. Sem se furtar a fazer comentários e a protagonizar brigas internas – inclusive diante de microfones e câmeras –, o lateral diz que atualmente prefere se resguardar em alguns momentos.

- Minha preocupação vai do cortador de grama ao presidente. As atitudes que tomei sempre foram pensando no grupo. Quando via alguma sacanagem, comprava a briga. Isso pode ter incomodado algumas pessoas, mas mesmo assim, só fiz ganhar títulos. Mas hoje faria diferente, seria menos explosivo. Continuo pensando da mesma forma, mas sei usar as palavras. De qualquer maneira, nunca vou deixar de ser falastrão.

Saudade do Botafogo

A personalidade forte fez Ruy travar alguns duelos internos, e ele destaca dois treinadores: Cuca, com quem trabalhou no Botafogo e no Fluminense, e Paulo Autuori, que o dispensou do Grêmio, em 2009. Mas está em General Severiano o seu maior arrependimento dos tempos que não hesitava em expor seu pensamento. Marcado positivamente pela conquista do Campeonato Carioca de 2006, o lateral deixou o clube no fim daquele ano em meio a uma discussão com o então presidente Bebeto de Freitas.

Ruy nos tempos de Botafogo: saudade de General Severiano (Foto: Divulgação)

  Na passagem pelo Botafogo, Ruy teve popularizado pelos companheiros o apelido Cabeção. Há dois anos, alunos de uma escola do Rio de Janeiro criaram uma música que citava o lateral, e o vídeo é sempre assistido pelo jogador.

- De todos os clubes por onde passei, o Botafogo é o que mais mexe comigo e do qual mais tenho saudade. Se tivesse a mentalidade atual, poderia estar lá até hoje, porque a torcida tem um carinho muito grande por mim. Em 2006, minha renovação estava acertada com o presidente, mas o Cuca disse que queria reformular o elenco e, por isso, eu não continuaria. Sou muito arrependido pelo que disse na época, e peço desculpas ao Bebeto. Hoje não falaria algumas coisas.

Todas as experiências pessoais são acumuladas por Ruy, que buscará utilizá-las para dar seguimento à sua trajetória no futebol quando encerrar a carreira de jogador. Treinador, supervisor e até gerente estão entre seus planos. Mas apesar do futuro novo posto na hierarquia, ele sabe que dificilmente conseguirá se desvincular de sua alcunha.

- Existem várias formas de falar, mas desde que seja com respeito, tudo bem. Meu sobrenome é Bueno, mas vai ser complicado me chamarem assim. Vou continuar careca e cabeçudo. Então, não tem muito jeito - brincou.            

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