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Recém-chegado, Barcos festeja fase no Verdão e sonha golear Corinthians

Barcos festeja fase no Verdão e sonha golear Timão

Atualizado: Terça-feira, 6 Março de 2012 as 10:41

Hernán Barcos está no Palmeiras há menos de dois meses. E nenhum outro jogador do atual elenco se tornou candidato a ídolo em tão pouco tempo como o argentino de 27 anos. Na última sexta, o Globoesporte.com visitou o atacante em sua nova casa, num condomínio fechado na Grande São Paulo. Esbanjando simpatia, Barcos contou algumas histórias da carreira e explicou por que topou a chance de atuar com Luiz Felipe Scolari no Verdão, mesmo depois de o clube passar por uma fase complicada em 2011. No vídeo ao lado, você pode assistir também trechos do bate-papo com "O Pirata".

- Para mim, o Palmeiras era a primeira opção. Era o que eu queria, mesmo os valores da outra proposta (do futebol asiático) sendo muito maiores. Mas não penso só em dinheiro, penso também na tranquilidade dos meus familiares e na possibilidade de atuar em um grande centro de futebol, como é o Brasil. Aqui as pessoas vivem pelo futebol e isso pra mim conta bastante - explica Barcos, que, antes de brilhar na LDU, do Equador, teve passagens pelo futebol paraguaio, sérvio e chinês.

Hernán Barcos chegou à pauta do Palmeiras a pedido de Luiz Felipe Scolari, após ter sido o destaque da LDU no vice-campeonato da Copa Sul-Americana-2011. A negociação só esquentou em meados de janeiro, depois de a diretoria do Verdão ter visto diversos jogadores pedirem alto para defender o clube, como o meia Douglas, hoje no Corinthians, e o atacante Diego Tardelli, agora no Al-Gharrafa, do Qatar.

O conturbado momento do Palmeiras, especialmente no segundo semestre de 2011, afastou os reforços do clube e travou inúmeras conversas. Exemplo: o atacante Dagoberto, antes de deixar o São Paulo e acertar com o Internacional, não quis nem ouvir o interesse do Palmeiras em seu trabalho. Barcos, por sua vez, ignorou esse cenário. E se empolgou com o esforço da diretoria alviverde para contratá-lo, após 54 gols pela equipe equatoriana entre 2010 e 2011.

- Vi todo o esforço que a diretoria do Palmeiras fez, cada hora oferecendo mais dinheiro até chegar na quantia que os dirigentes da LDU queriam, e isso me deixou bastante animado. Sem contar o fato de chegar como pedido de um técnico como Luiz Felipe Scolari. Quando se tem uma chance como esta, não pode desperdiçá-la.

- Para mim, o Palmeiras representa um clube com projeção nacional e internacional. Quando eu era pequeno, assistia o Palmeiras jogar e pensava: "Que lindo jogar ali" - completa.

Começo arrasador

Não havia maneira melhor para Barcos começar sua trajetória no Palmeiras. Logo nos primeiros jogos, gols! Um contra o Ituano e outro contra o Guaratinguetá.
Mas foi no clássico contra o São Paulo (dois gols, sendo um golaço) e na vitória por 3 a 1 sobre o Linense - golaço por cobertura, depois de lindo "drible da vaca" no zagueiro - que o argentino conquistou os palmeirenses.

No 0 a 0 contra o São Caetano, o nome do jogador foi o mais gritado pelos quase 20 mil torcedores que foram ao Pacaembu, mesmo com o atacante em uma tarde com pouca inspiração. Por isso, o camisa 29 sabe que a vida tranquila de hoje na cidade está com os dias contados. Na LDU, ele era referência no elenco e um dos atletas mais assediados nas ruas de Quito.

- Aqui eu ainda posso caminhar na rua, ir ao supermercado ou ao shopping com a minha esposa. Quando fui fazer compras (em São Paulo), parei só uma vez para tirar foto. No Equador, não podia sair na rua que o assédio era muito grande. Em São Paulo, sei que pode ser assim também e, se acontecer, não me incomodo, mesmo perdendo a privacidade.

E a privacidade de Barcos tem data para chegar ao fim: 25 de março. Nesse dia, o Palmeiras vai enfrentar o Corinthians, no Pacaembu, em seu último clássico na fase de classificação do Campeonato Paulista. Fazer um gol no maior rival é o que falta para o argentino conquistar os mais reticentes corações palmeirenses.

- Ando na rua e o que mais ouço: os torcedores pedindo um gol contra o Corinthians, depois dos dois contra o São Paulo. Até alguns corintianos já vieram me parabenizar pelos gols, mas disseram só para eu não marcar contra eles - conta Barcos, com bom humor.

- Espero que eu marque e que a gente saia com a vitória, que é o mais importante. Procuro melhorar a cada dia, o torcedor se impressionou porque achava que eu era um jogador de ficar parado dentro da área. Mas procuro me movimentar e ajudar de uma forma geral, até para participar mais também.

Adaptado e vaidoso

Em menos de 60 dias de Brasil, Barcos já se adaptou à rotina de São Paulo. Há 15 dias, mora em uma casa dentro de um condomínio de luxo próximo da capital, com a esposa Cristina e os dois filhos (Avril, de três anos, e Emílio, de um) e já começou até a se aventurar na cozinha.

O atacante garante que não faz feio em frente ao fogão, mas a sua especialidade mesmo é o churrasco. A "estreia" da churrasqueira em sua casa foi com o companheiro Adalberto Román, zagueiro paraguaio do elenco palmeirense. Picanha e costela são as carnes preferidas de Hernán Barcos.

- Não faço feio. Quando vou preparar alguma coisa, todo mundo come. Além de churrasco, gosto também de massas.

Barcos também é vaidoso. Antes de entrar em campo, na concentração, sempre apara o cavanhaque. O cabelo comprido também recebe um cuidado especial. Quando estava no Equador, na tentativa de deixar as madeixas mais lisas, o atacante tomou um susto com um produto capilar.

- Minha esposa é maquiadora e eu pedi para ela um produto para deixar meu cabelo mais liso, para que eu pudesse prendê-lo melhor. Ela me deu um produto muito forte e dizia no manual que eu tinha de ficar 15 minutos com aquilo na cabeça. Mas, depois de cinco, não comecei a me sentir bem e tirei. No dia seguinte, quando acordei, passei a mão no cabelo e ele começou a cair. Achei que fosse ficar careca - conta ele, dando risada.

Mas esta preocupação tem um motivo:

- Meu pai era careca e meus três irmãos não têm muito cabelo. Um tem pouco e os outros dois já perderam quase tudo. Então, acho que tenho de me cuidar, para não ficar sem também.

Futuro 'equatoriano'

A seleção do Equador pode tirar Barcos do Palmeiras por alguns jogos ainda este ano. O jogador deu entrada na documentação para se naturalizar equatoriano e defender a seleção do país. Ele espera para as próximas semanas essa confirmação. Aos 27 anos, Barcos nunca foi convocado para defender a Argentina e o sonho de atuar ao lado de Messi & Cia já não existe mais.

- Marquei 54 gols pela LDU nos últimos dois anos, muitos em competições internacionais, e nunca fui lembrado. Hoje tenho a mentalidade de jogar pelo Equador. Não sei se serei convocado, mas quero estar à disposição - avisa.

O grande sonho de Barcos é disputar uma Copa do Mundo. Por isso, sabe que não seria interessante para ele agora ser chamado para um ou outro amistoso para defender o time de seu país.

O centroavante quer ajudar a levar a seleção equatoriana outra vez para um Mundial, quem sabe em 2014, num país que ele está conhecendo, e ganhando fãs a cada bola na rede.
- Primeiro eu preciso ser convocado. Espero que a documentação saia o mais rápido possível e que eu possa ajudá-los.

Por ironia do destino, o primeiro jogo de Barcos pela seleção do Equador pode ser justamente contra a Argentina. Os dois países vão se enfrentar pelas Eliminatórias para a Copa-2014 no dia 3 de junho, na Argentina, pela quinta rodada.

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