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Revelação das Olimpíadas Escolares tem proposta para defender Ourinhos

Revelação das Olimpíadas Escolares tem proposta para defender Ourinhos

Atualizado: Quinta-feira, 22 Setembro de 2011 as 4:51

Em três jogos, 69 pontos. A ala/armadora Lohana Bordignon foi um dos destaques na principal divisão de basquete das Olimpíadas Escolares 2011, para atletas de 12 a 14 anos, disputadas em João Pessoa (PB). Mas suas atuações já chamam a atenção desde 2010, quando recebeu o convite para treinar na base do time feminino do Ourinhos, clube do interior de São Paulo e pentacampeão brasileiro adulto. Porém, aos 13 anos, a atleta da Escola Professora Ivete Lourdes Arenhardt, da cidade de Sorriso (MT), ainda diz ser muito cedo para decidir seu futuro.

Lohana, de amarelo, em ação pelas Olimpíadas Escolares de 12 a 14 anos (Foto: Wander Roberto / COB)

  - Era para eu ter ido no ano passado, mas a técnica achou melhor deixar para o final desse ano porque eu era muito nova. (A proposta) É ir para lá treinar e estudar, com tudo pago. Iria sozinha para morar com outras atletas, mas não sei se vou. Ainda é cedo - afirmou a jovem, que faz 14 anos em novembro e diz ter outros fatores que também pesam nessa decisão.   - Família, amizade, distância... Sou nova ainda - analisou a jovem, que diz ter o apoio e a liberdade da mãe para tomar a decisão.

Quem fez o convite foi Lisdeivi Victores Pompa, ex-atleta e atual técnica das categorias de base do Ourinhos. Lohana foi indicada por um amigo da treinadora que atualmente mora no Mato Grosso, e o encontro entre as duas aconteceu durante o Campeonato Brasileiro Sub-15 de basquete de 2010, realizado em Palmas (TO).

- Eu pouco a vi jogar naquele Brasileiro, mas gostei do seu biotipo, do arremesso, ela faz bem a bandeja, não olha para passar... No fim do jogo, ela veio tremendo falar comigo. Me apresentei e disse que fiquei interessada em levá-la para jogar comigo no Ourinhos. Falei: "Você tem futuro, talento, vai ficar aí? Você tem o dom de jogar basquete, vem aqui para São Paulo". Se ela quiser, vai virar uma atleta de nome. Tem uma geração se formando para 2016 e acho que ela vai estar junto. Se vai ser no banco ou não, não sei, mas acredito que vai fazer parte da convocação - previu.

Segundo Lisdeivi, a proposta inclui estudo em escola municipal, alimentação no clube, ajuda de custo e direito a um plano de saúde, que é patrocinador do time. Além disso, ela viveria numa república com outras meninas do time. Composta por duas casas, a moradia tem sete meninas atualmente e conta com a presença de uma senhora responsável por cuidar das atletas à noite.

A treinadora entende o receio de Lohana. Nascida em Artemisa, em Cuba, Lisdeivi saiu de casa aos 12 anos para morar na capital de seu país, Havana, com o sonho de se tornar jogadora de basquete profissional. A então pivô atuou no basquete brasileiro.

Em três jogos, a atleta do MT marcou 69 pontos nas

Olimpíadas Escolares (Foto: Wander Roberto/COB)

  - Eu sei como é a preocupação. Minha mãe ficou desesperada na época. Meu pai, nem tanto, ele sempre me incentivou. Quando mudei para a capital, fiquei a 60km de casa. O medo é sair. Tem uma menina de Belém do Pará aqui, o pai veio, viu tudo, gostou e depois mandou ela. A Lohana podia vir aqui ver tudo também, falaria com o diretor, o técnico, as meninas... Vou tentar conseguir o telefone e ligar para os pais dela. Infelizmente não posso ir lá buscá-la - comentou a técnica, que disse ter um projeto para federar as jogadoras mirins do clube.

Apesar da responsabilidade da escolha e da pouca idade, foi ainda mais jovem que Lohana deu o primeiro passo importante para sua carreira no basquete: mesmo a contragosto, ela começou a praticar a modalidade após acompanhar os treinamentos de sua irmã mais velha num ginásio da cidade.

- Ia bem pouco aos treinos, gostava mais de ir para o caratê. Só que em 2009 teve a Copa América (de basquete feminino) aqui em Cuiabá (MT). Assisti e gostei. Vi o nível das atletas e acho que posso chegar lá.

O caminho para seguir esse sonho ainda não está traçado. Uma das portas se abriu, e a treinadora do Ourinhos parece aguardar por tempo indeterminado a resposta positiva da atleta. Mas, embora a proposta informal não tenha um prazo de validade, a resposta para a próxima temporada tem vencimento.

- Em janeiro, a gente tem que fechar a matrícula (das alunas). Até lá, ela pode escolher - explicou.          

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