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Rival do Brasil na estreia, Quênia tem jogadoras que são agentes carcerárias

Rival do Brasil na estreia, Quênia tem jogadoras que são agentes carcerárias

Atualizado: Quinta-feira, 28 Outubro de 2010 as 10:20

O dia começa cedo para oito jogadoras da seleção do Quênia, primeiras adversárias do Brasil no Mundial do Japão. Quando estão em Nairóbi, onde moram, elas acordam, arrumam suas casas e saem para trabalhar. Suor já faz parte da rotina. Esforço e trabalho de equipe também. Hora de trocar de roupa para começar o serviço. O uniforme já está arrumado. Só que ele não é de tecido esportivo, nem tem as cores da bandeira nacional. É uma farda. Sem estrutura para viver apenas de esporte, já que o vôlei não é profissionalizado na África, as atletas precisam dividir seu tempo em dois períodos para defender o país: um na quadra, outro na prisão, como agentes carcerárias.

- Somos responsáveis por levar as presas para passear. Nós as acompanhamos quando precisam ir ao hospital. Depois, trazemos todas de volta, à tarde. Fazemos isso para poder jogar. O governo ajuda o time. Se temos um campeonato e vamos viajar, não precisamos trabalhar naqueles dias. Ganhamos folga. E assim chegamos até aqui - disse Brackcides Agala.

A capitã do time fala com tranquilidade sobre o árduo trabalho no Quênia. Para ela, a jornada dupla é motivo de responsabilidade e honra. Mas não nega que seu sonho está muito longe das grades pretas da prisão.

- Eu quero ser a melhor bloqueadora do Mundial. Com isso, podem me convidar para jogar fora do país. Já chegamos muito longe e queremos mais - afirma a central, que garante nunca ter tido vontade de trocar o vôlei pelo atletismo, modalidade que seus compatriotas dominam.

As jogadoras da seleção são adoradas no país. Por vencerem a Copa da África e conquistarem a classificação para o Mundial pela quinta vez consecutiva, passaram a ser chamadas de Rainhas. O apelido motiva o time a ir mais longe.

- Quando você tem a responsabilidade de ser chamada de rainha, tem a coroa na cabeça. Isso te dá poder para sonhar com algo que antes era impossível - afirma Agala.

Preparação para Mundial do Japão foi em um ginásio amador

A central queniana é uma das principais jogadoras da seleção, que foi formada através de uma avaliação dos destaques do Campeonato Nacional, disputado por seis times. Porém, desde que o grupo que vai competir no Mundial se juntou, as condições de treinos no país só pioraram. O único ginásio oficial foi fechado para reformas, e o time teve de treinar em quadras amadoras.

- Falta estrutura, com certeza. Fomos obrigadas a treinar em quadras abertas, sem o piso correto, com teto baixo. Não há como negar: no vôlei, é preciso dar mais facilidades às atletas para que elas alcancem as vitórias. E essa não é a nossa realidade, infelizmente.

Brasil e Quênia estão no grupo B do Mundial e se enfrentam na madrugada desta sexta-feira, às 2h30m (de Brasília). A Rede Globo transmite a partida ao vivo.

Por: Mariana Kneipp

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