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Rivaldo polemiza e questiona concentrações antes dos jogos

Rivaldo polemiza e questiona concentrações antes dos jogos

Atualizado: Quinta-feira, 6 Janeiro de 2011 as 8:08

Decisões e agora declarações polêmicas. O politicamente correto não tem vez com Rivaldo. Ele faz e fala o que pensa, doa a quem doer. Na chegada do técnico Antonio Carlos Zago ao Mogi Mirim, nesta quarta-feira, o presidente-jogador do clube roubou a cena ao criticar conceitos enraizados no futebol brasileiro. Do alto de seu poder, o pentacampeão menosprezou a importância dos treinadores (justamente no dia em que apresentou um) e também condenou as concentrações antes dos jogos.

Para Rivaldo, a contribuição máxima que um treinador pode dar para um time chega a 20%. O restante cabe aos jogadores. A posição vai na contramão do que a maioria dos dirigentes prega. Atualmente, boa parte das equipes é formada a partir do técnico, uma figura supervalorizada no mercado e que, muitas vezes, tem um salário superior ao das principais estrelas do elenco. Rivaldo, no entanto, não vê assim. Por outro lado, a cobrança não será menor.

- Eu acho que um treinador acrescenta só 20 por cento. Os outros 80 por cento são dos jogadores. Eles que realmente decidem um jogo - afirmou.

Outro alvo do presidente-jogador foram as concentrações. A exemplo de Ronaldo, ele é contra a prática. O Fenômeno, aliás, na chegada a Itu, onde o Corinthians realiza a pré-temporada, ironizou a cidade (“Estou em um lugar que adoro”). Segundo Rivaldo, as preleções também são descartáveis.

- Os jogadores odeiam concentração. É preciso ter um tempo com a família, colocar a cabeça no lugar. Apoio totalmente o Ronaldo. Nos dias de jogo, todos os jogadores, se você perguntar, gostariam de apenas cinco minutos de preleção. Eu já vi jogador mexendo no celular, mandando mensagem. Não está nem aí para que o treinador fala - disparou.

Definitivamente, o Rivaldo discreto de um passado recente deu lugar a um cartola que não se intimida na hora de expressar sua opinião.

Polêmica e Rivaldo, aliás, caminham lado a lado nos últimos dias. Primeiro, ele demitiu, por conta própria, o técnico Roberval Davino, a duas semanas do início do Paulistão, por desavenças no planejamento do Mogi. Na sequência, contratou Antonio Carlos e admitiu que o bom relacionamento com o antigo companheiro de Palmeiras e Seleção pesou na escolha. Depois, na terça, quando a apresentação de Zago foi adiada devido ao tempo ruim, Rivaldo proibiu a entrada de dois jornalistas da imprensa local no clube, por não concordar com críticas recebidas. A ordem vale por tempo indeterminado. Por fim, mandou um recado, deixando claro quem manda no Mogi:

- O treinador tem sua importância, mas a palavra final é minha. Se quiser passar por cima do presidente, vai ter que pagar os salários dos jogadores e dos funcionários - frisou.

Antonio Carlos não tem a mínima pretensão de desafiar o chefe e aposta no sucesso da parceria. Após passagens discretas por São Caetano, Palmeiras e Grêmio Prudente, o treinador assinou contrato até o término do Paulistão.

- Espero que a gente repita o sucesso dos tempos de Palmeiras – resumiu Antonio Carlos.

A estreia no Estadual está marcada para 16 de janeiro, um domingo, contra o São Paulo, em casa.

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