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Rivalidades regionais entram em campo, e Brasileirão ganha novo líder

Rivalidades regionais entram em campo, e Brasileirão ganha novo líder

Atualizado: Segunda-feira, 22 Novembro de 2010 as 9:13

Nesta 36ª rodada, a antepenúltima, o Fluminense fez a alegria dos torcedores do time que goleou. Louco, não? Não, apenas reflexo de um aspecto cultural do futebol brasileiro. No país de dimensões continentais, impedir a alegria do vizinho ainda conta mais do que quase tudo para o torcedor. E as rivalidades regionais insistem em entrar em campo como protagonistas no Brasileirão. Aplaudido pelos são-paulinos em Barueri, o Flu  tomou a liderança do Corinthians e ficou mais perto de um título que não ganha há 26 anos. Com todos os méritos, impulsionado por dois gols do favorito disparado em qualquer eleição do melhor jogador da competição: Conca.

Mas que foi curioso, foi... Ver a torcida do São Paulo comemorando gol sofrido pelo próprio time é, do ponto de vista esportivo, pra lá de inusitado - mas foi o que aconteceu quando Gum marcou o primeiro gol da partida, enquanto o Corinthians ia batendo o Vitória, em Salvador. Outra cena ímpar foi a festa ao ser noticiado o gol de empate do baianos, gritos ecoando entre tricolores paulistas e cariocas na Arena Barueri. E depois de definida a goleada do time das Laranjeiras, a torcida mandante ainda improvisou um cântico debochado:

- Não é mole, não! Até com esse timinho, o Muricy é campeão! - vibraram os tricolores do Morumbi.

Os são-paulinos deixaram o estádio com expressão sorridente e despreocupada. No placar, estava lá: 4 a 1 para o Fluminense.

Dentro de campo, porém, houve esforço por parte dos comandados por Carpegiani. É verdade que, durante o primeiro tempo, a marcação do time parecia frouxa, respeitosa feito namoro de portão de antigamente: quase sem contato físico. Mas Rogério Ceni fez boas defesas, Lucas Gaúcho deu muito trabalho... Tanto que colocou em risco a vitória carioca: no segundo tempo, depois de Washington desperdiçar ridiculamente uma chance, o garoto deu um toque de letra na pequena área, a bola bateu em Gum e entrou.

Mas logo Xandão seria expulso, por falta em Fred, que partia livre em direção ao gol. E em seguida Richarlyson tomaria o vermelho - em lance que alguns maldosos interpretariam como "pede pra sair". Ele pode até não ter cometido a falta assinalada pelo árbitro Heber Roberto Lopes, mas não era motivo para dar ataque de pelanca e sair ofendendo o juiz daquela maneira. Com nove em campo, o São Paulo até que demorou para sofrer gol. Mas sofreu um, dois, três... E o líder do campeonato mudou.

Claro que isso só aconteceu porque no Barradão o Corinthians não conseguiu superar o Vitória. Houve quem reclamasse do pênalti que Carlos Eugênio Simon apitou corretamente - mão na bola de Ralf. O técnico Tite foi um deles.  Mas o dia parecia não ser mesmo do Timão. Depois de dar um belo passe para Danilo abrir o placar, Ronaldo caiu sozinho aos 26 minutos de jogo, sentindo uma fisgada na parte de trás da coxa direita. Ficou sem completar a marca "histórica" de sete jogos consecutivos atuando os 90 minutos. Parece mentira, mas desde a Copa de 2002, o Fenômeno não consegue fazer isso...

E por falar em mentira, as pernas curtas do sempre perigoso Jorge Henrique acabaram fazendo falta depois que Tite achou de substitui-lo pelo voltante Paulinho. Logo em seguida, o Flu desempatou o jogo em Barueri, e o Timão teve poucas forças para fazer o mesmo no Barradão. Na melhor delas, Danilo matou com estilo dentro da área, mas isolou.

Neymar protagoniza o "Migué da Rodada" em cobrança de pênalti

O Corinthians está agora um ponto atrás do Flu. Mas seus últimos adversários parecem ser ligeiramente menos difíceis: o Vasco, já a passeio na competição, no Pacaembu, e o Goiás, com o caixão devidamente despachado para a Série B apos a derrota deste domingo para o Santos por 4 a 1, com três gols de Neymar (protagonista também do "migué da rodada" - confira ao lado a ridícula tentativa de enganar todos na primeira cobrança de pênalti). O Flu tem pela frente os reservas do Palmeiras (totalmente voltado para a Sul-Americana), na Fonte Luminosa, e um Guarani desesperado no Engenhão.

Profissionalismo e ideais esportivos à parte, é inegável a pressão exercida sobre os jogadores quando a própria torcida pede que entreguem o jogo a fim de prejudicar um rival. Nesse contexto, o que o misto quente do Internacional fez domingo no Engenhão é um show de dignidade. Impôs seu futebol superior diante do Botafogo sem se preocupar com o benefício que daria ao Grêmio, rival direto do Alvinegro na luta por uma possível vaga na Libertadores. A vitória por 2 a 1 foi conquistada no talento de falsos reservas como Rafael Sobis e no esforço de desconhecidos como Muriel, o quarto goleiro do Colorado, que mostrou serviço em defesas difíceis e saídas arrojadas.

Entrega ou não entrega? Na dúvida, Leandro Guerreiro faz o delivery

No desastre botafoguense, salvou-se um suspeito de sempre: Fahel, que quase marcou duas vezes - em uma delas o travessão lhe roubou o que seria um golaço. E o mais irônico de tudo: se houve alguém entregando no Engenhão, foi alguém de camisa branca e preta. No caso, "alguéns": o volante Leandro Guerreiro (que já vinha brilhando no sistema de delivery desde o jogo anterior, contra o Ceará) e o zagueiro Marcio Rosário. Os dois falharam pateticamente no primeiro gol, de Andrezinho. O que de forma alguma tira os méritos do Colorado. Antes de entrar em campo, Celso Roth tinha espanado as suspeitas de "entregação":

- Vamos respeitar o adversário. E não há respeito maior que ganhar o jogo... - profetizou o treinador.

Na Libertadores: três garantidos e um "Caprichoso"

Quem agradece a lição de ética é o Grêmio, que no sábado vencera o Atlético-PR, assumindo o quarto lugar, com 57 pontos. É unzinho a mais do que têm Furacão e Botafogo, rivais na luga por uma vaga na Libertadores que, a rigor, ainda não existe. Ela depende de um bumba-meu-boi internacional que envolve LDU ou Independiente e Palmeiras ou Goiás na final da Sul-Americana. Se um time gringo ganhar, a vaga "Caprichoso" se confirma.

As vagas "Garantido" já têm dono: são eles Fluminense, Corinthians e Cruzeiro, que garantiu a dele ao vencer o Vasco por 3 a 1 na Arena do Jacaré. Com direito a atuação de luxo do contestado Roger, que até marcou - e não foi só o primeiro gol, não... Marcou adversários até o fim do segundo tempo, coisa rara. A Raposa está a dois pontinhos do líder e encara ainda um aliviado (mas ainda não livre do fantasma do rebaixamento) Flamengo, em Volta Redonda-RJ, e o nem-aí Palmeiras, em Sete Lagoas-MG.

O Verdão não resistiu ao Atlético-MG em Araraquara-SP, e fez o Galo respirar mais tranquilo, longe da zona da degola. Além dos já rebaixados Prudente e Goiás, a inóspita parte de baixo da tabela tem Guarani, com 37 pontos, e Vitória, 40. Logo acima vêm, também com 40, Avai e Atlético-GO. E em seguida, o próprio Atlético, 42 pontos, e o Flamengo, 43.

Os três pontinhos que separam o atual campeão da área de rebaixamento foram conquistados no sábado, no Engenhão, não antes de muito drama. Com quase 40 mil pessoas no estádio, a torcida rubro-negra quase ferveu o próprio time no caldeirão. Após a falha de Marcelo Lomba no gol de empate do Guarani, as vaias explodiam toda vez que o goleiro pegava na bola - fato que, obviamente, não colaborava nem um pouco para a estabilidade da defesa do Fla. O final acabou sendo feliz, com 2 a 1

Seleção da rodada

Viáfara (Vitória), Mariano (Fluminense), Gum (Fluminense), Leandro Euzébio (Fluminense); Carlinhos (Fluminense); Henrique (Cruzeiro), Fábio Rochemback (Grêmio), Roger (Cruzeiro) e Conca (Fluminense); Neymar (Santos) e Rafael Sóbis (Internacional). Técnico: Muricy Ramalho (Fluminense).

Selebaba da rodada

Emerson (Guarani), Apodi (Guarani), Gualberto (Palmeiras), Xandão (São Paulo) e Márcio Careca (Guarani); Maycon (Guarani), Kléberson (Flamengo), Mário Lúcio (Guarani) e Geovane (Guarani); Zé Roberto (Vasco) e Mazola (Guarani). Técnico: Vágner Mancini (Guarani).

Golaço da rodada

Renato Abreu, do Flamengo, cobra falta de longe, muito longe. A bola faz uma curva para fora da meta do Guarani e depois volta, entrando encaixadinha no ângulo. Um chute raro, pura arte balística.

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