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Rivellino não arrisca: 'Que vença o melhor'

Rivellino não arrisca: 'Que vença o melhor'

Atualizado: Terça-feira, 14 Setembro de 2010 as 9:42

Roberto Rivellino é uma autoridade quando o assunto é Fluminense x Corinthians. Ambas as torcidas o tem como ídolo. Ele brilhou com as duas camisas numa época em que usar a 10 de times de expressão não era para qualquer um. E Rivellino, definitivamente, não era um qualquer. Meia canhoto, inteligente, habilidoso, dono de um chute mortal, apelidado de Patada Atômica durante a Copa de 70, Riva encantou torcedores pelo mundo afora. Foram dez anos de Timão, entre 1965 e 74, e três anos e meio de Tricolor, entre 1975 e 78. Nesta quarta-feira, as duas equipes se enfrentam no Engenhão, no Rio, em jogo que vem sendo considerado uma espécie de final antecipada do Brasileirão. Riva assistirá ao jogo pela televisão. Absolutamente dividido.

- Meu carinho pelos dois é igual. Ambos foram muito importantes. O Corinthians me projetou, me fez ser reconhecido, me levou à Seleção Brasileira. O Fluminense abriu as suas portas num momento difícil da minha carreira. Fui feliz em ambos os lados. Vou torcer pelos dois. Que vença o melhor - afirma Riva, hoje aos 64 anos, em entrevista ao GLOBOESPORTE.COM.

  Apesar de ter passado mais tempo no Parque São Jorge, Rivellino é extremamente grato ao Fluminense. Após a perda do título paulista de 1974, para o arquirrival Palmeiras, o craque virou bode expiatório. Numa época em que o Timão amargava um jejum de títulos, ele era considerado um messias, alguém enviado pelos céus para encerrar a fila. Acabou martirizado.

Em 1974, o Timão vivia um hiato de 20 anos sem ser campeão paulista. A final contra o Palmeiras, no Morumbi, encerraria aquele sufoco? Não. Revoltada, a Fiel se virou contra seu maior craque. Aquela decisão, vencida pelo Verdão por 1 a 0, acabou sendo o último jogo de Rivellino pelo Corinthians. Os corintianos só soltariam o grito três anos depois, no Paulistão de 77.

Rivellino autografa os mantos de seus dois amores

(Foto: Marcos Ribolli / GLOBOESPORTE.COM)   - Eu não queria sair. Todo mundo sabe disso. Como eu já falei, não era para eu ser campeão pelo Corinthians. Não aconteceu. Vou fazer o quê? - comenta o craque, que, apesar de tudo isso, não guardou rancor.

Nesse momento conturbado de sua carreira, Rivellino achou sua tábua de salvação: o Fluminense. O então presidente tricolor, Francisco Horta, estava montando um esquadrão. Mais: uma máquina, a Máquina Tricolor, como o time de Rivellino, Paulo César, Doval, Edinho, Pintinho, entre outros, passou a ser chamado. Em sua estreia, no dia 8 de fevereiro de 1975, num amistoso justamente contra seu ex-time, Riva deu show. O Flu venceu o Timão por 4 a 1, com três gols do meia.

- Não tem esse negócio de vingança. Eu só queria retribuir tudo o que o Fluminense fez por mim, o esforço do Horta para me contratar. Procurei jogar bem, só isso.

No Fluminense, finalmente Rivellino seria campeão. Bicampeão. Conquistou os campeonatos estaduais de 1975 e 76.

Rivellino tem acompanhado o desempenho dos seus dois ex-times e os aponta como favoritos para a conquista do título. O Fluminense lidera o Brasileirão com 41 pontos. O Corinthians está em segundo, com 38. Riva, aliás, elogia a diretoria tricolor, que, na sua opinião, deu um tiro certeiro ao contratar Muricy Ramalho para substituir Cuca.

Dividido, o craque prefere não arriscar palpite para o jogo (Foto: Marcos Ribolli / GLOBOESPORTE.COM)   - O Fluminense trouxe bons jogadores, mas acertou mesmo quando contratou o Muricy, que é um excelente treinador. Está no caminho certo. O Corinthians também está muito bem, tem uma base forte montada pelo Mano Menezes. O Adílson (Batista) está dando sequência. São dois plantéis muito fortes - analisa.

Por Adilson Barros São Paulo

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