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Rochemback, o torcedor que agora é capitão do Grêmio na Libertadores

Rochemback, o torcedor que agora é capitão do Grêmio na Libertadores

Atualizado: Terça-feira, 1 Fevereiro de 2011 as 4:26

Não há espaço para dualidades no futebol em Porto Alegre. Azul é azul, vermelho é vermelho, sem remissão. Maniqueístas por natureza, desde os idos revolucionários que dividiram o Rio Grande do Sul em chimangos e maragatos, os gaúchos gostam das rivalidades intensas.

Fábio Rochemback sofreu durante bom tempo as consequências desta separação entre gremistas e colorados. De Soledade, no interior do Estado, emigrou para o Beira-Rio, e fez do Inter seu primeiro clube. Ainda cedo partiu para a Europa, onde defendeu em quase dez temporadas o Barcelona, o Sporting de Lisboa, e o inglês Middlesbrough.

E quem foi o responsável, no final de 2009, pelo retorno do volante que combina raça na marcação, e qualidade com a bola? O Grêmio. De imediato, foi atacado por irradiações de contrariedade dos colorados, e desconfiança dos gremistas. Nada fácil lidar com tantos sentimentos contraditórios.

Ainda mais para alguém que nasceu gremista. Não bastaria simplesmente dizê-lo. Era preciso provar o amor pelo clube em campo.

- Foi difícil por eu ter começado no Inter. O pessoal me olhava com desconfiança, apesar de eu sempre ter sido gremista. A torcida precisava entender que minha primeira oportunidade profissional foi no Inter, e que eu sou profissional. Mas sempre fui gremista - lembrou.

Para agravar a situação, Rochemback desembarcou em momento complicado. Paulo Autuori deixava o clube, o auxiliar Marcelo Rospide assumiu o comando da equipe, e 2010 começou com Silas colocando-o na reserva. Entretanto, mesmo com o status de ex-jogador do Barcelona, mesmo com as quase dez temporadas europeias, ele não recorreu à imprensa ou aos dirigentes reclamando titularidade.

- Eu cheguei era meio de temporada na Europa, mas final de temporada no Brasil. Estava ainda o Autuori, depois chegou o Silas, e eu fui para a reserva. Precisei buscar o meu espaço. Eu sabia da minha qualidade, do meu potencial, por isso não reclamei. Não gosto de fazer isso, não sou desse tipo de jogador. Quero conquistar meu espaço no campo. Foi o que eu fiz, com trabalho.     Agora, 2011 começa com outra perspectiva. Desde a chegada de Renato Gaúcho, em agosto do ano passado, Rochemback recebeu a braçadeira de capitão, e foi um dos avalistas da campanha que levou o clube à quarta colocação do Campeonato Brasileiro.  

Permanece representando o treinador em campo, vestindo a camisa 5, adorado pelos torcedores. Tem tanta moral que é um dos protagonistas da nova campanha publicitária do Grêmio. É um líder, que mesmo nos treinos dedica-se a ponto de orientar os mais jovens ou se cobrar por erros em pequenos lances, ínfimos detalhes:

- Em todo treino eu dou o máximo. Às vezes até o pessoal da comissão técnica pede para eu me acalmar. Mas eu não gosto de perder, nunca. Eu me cobro bastante, e acabo também cobrando os companheiros. Gosto de orientar os mais jovens por causa disso. Eu cresci assim, sempre me cobrei e fui cobrado, acho importante passar isso a quem está começando.

Referência no grupo, "A Rocha" - apelido que reúne sua personalidade forte, seu estilo de jogo, e também seu sobrenome - gosta de educar pelo exemplo. Entrega-se pelo Grêmio para estimular os demais a fazer o mesmo.

- Isso é o mais importante, quando o companheiro vê alguém se dedicando, correndo, isso estimula o resto do grupo - justificou.

Nesta quarta-feira, às 22h, Rochemback será o capitão do Grêmio na partida contra o Liverpool-URU, pela pré-Libertadores. Após o empate em 2 a 2 no Uruguai, os tricolores entram em vantagem para conquistar vaga no Grupo 2 da competição continental.

É a primeira Libertadores da Rocha gremista - como jogador, pois nas anteriores apenas torceu. Capitão. Motivos de orgulho para o camisa 5 que espera colocar no museu do clube uma foto sua, erguendo a taça do tricampeonato:

- Conheço o Grêmio desde pequeno, conseguir isso tudo como capitão é muito grande para mim. Mas mesmo que eu não fosse capitão, as coisas aconteceriam do mesmo jeito, pela grandeza do Grêmio. Nunca joguei Libertadores, mas joguei Champions League, Uefa, sei o que precisa ser feito.    

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