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Ronaldinho Gaúcho, um carioca da gema da Zona Norte à Zona Sul

Ronaldinho Gaúcho, um carioca da gema da Zona Norte à Zona Sul

Atualizado: Quarta-feira, 12 Janeiro de 2011 as 9:53

Samba, praia, futebol. Sempre que possível, na companhia de belas mulheres. Esse é o roteiro de todo carioca da gema de bem com a vida. Por mais que seja gaúcho na certidão de nascimento e no codinome que carrega em sua carreira de sucesso, não há como negar: Ronaldinho tem o jeito do malandro nascido no Rio. E agora, que vai viver na Cidade Maravilhosa pelo menos até 2014 - se cumprir na íntegra o contrato assinado com o Flamengo -, o jogador certamente será visto desfilando da Zona Norte à Zona Sul.

- Lembro bem que o Ronaldinho sempre comentava que gostaria de ser carioca, ter nascido no Rio. Ele ama a cidade, diz sempre que no mundo não tem lugar mais bonito - afirmou o amigo Anderson, vocalista e compositor do grupo de pagode Molejo, um dos preferidos do craque.

Treino no Bangu

A ligação com o Rio passou, há algum tempo, a ser até de sangue. Aos 30 anos, o meia-atacante continua solteiro na praça, mas tem um filho carioca de cinco anos, João, fruto de um breve romance com Janaína Natielle Mendes, ex-dançarina do "Domingão do Faustão", programa da TV Globo. Ronaldinho assumiu a paternidade, mas procura deixar o filho longe dos holofotes e do noticiário.

João e a mãe moram no Rio, o que vai facilitar as coisas para o pai Ronaldinho, que não foi o primeiro da família Moreira a fixar residência na cidade. Tudo começou com o irmão e empresário, Assis,  quando atuou pelo Fluminense e o Vasco, em 1996. Já a relação do jogador rubro-negro com o Rio de Janeiro ficou mais forte desde 2001, durante o litígio com o Grêmio, à espera da transferência para o Paris Saint-Germain.

Para não perder a forma física, o meia-atacante  passou uns tempos treinando no modesto Bangu, na Zona Oeste. No forte calor de mais de 40 graus em Moça Bonita, deu os primeiros passos para conhecer melhor o estilo carioca de vida. Pegou tanto gosto que, de lá para cá, procurava sempre retornar para curtir férias e se divertir.

- Quando começou essa história toda do Ronaldinho, achei desde o início que o Flamengo estava na frente por causa do Rio de Janeiro. Meu palpite foi mais por intuição e também uma constatação. Quando ele brigou com o Grêmio, em 2001, escolheu o Bangu, no Rio, para treinar. Não foi para São Paulo ou Belo Horizonte. Depois, vivia aqui, de férias. Mostrava, no fundo, sua preferência, E aqui é mais a cara dele. Acho que, por ter morado tantos anos no frio, tanto no Sul como na Europa, queira sentir o calor do carioca - afirmou o zagueiro Fernando, do Vasco.

Criado nas divisões de base do Flamengo e tricampeão carioca em 2001, Fernando chegou a ser o braço direito de Ronaldinho no Rio tanto em 1997 quanto em 1999, quando os dois estavam na Seleção sub-17 e sub-19. Foram poucos dias no Rio. O jogador, então no Grêmio, dormiu na casa do zagueiro, em Padre Miguel.

- Éramos muito jovens, nem saímos naqueles dias, ficamos em casa mesmo. O Ronaldinho jamais esquentou com Zona Norte, Zona Sul, subúrbio. Não tem essa com ele, vai para o lugar onde se sente bem, é o mesmo cara até hoje. Perdemos o contato, mas quando o vejo é sempre legal - afirmou Fernando, que esteve com o craque pela última vez na Barra, em 2009.

Futevôlei na Barra

O bairro, aliás, é o porto seguro de Ronaldinho. Ao comprar um apartamento de frente para o mar, o mais novo ídolo rubro-negro começou a aumentar a peregrinação pelo Rio. O roteiro é variado. No trabalho, a Zona Sul estará no roteiro, quando treinar na Gávea. Na folga, de dia, feijoadas em escolas de samba e um bom futevôlei são os programas favoritos.

Para curtir o samba, é eclético pela Zona Norte. Pode visitar a Mangueira ou dar uma esticada em Oswaldo Cruz, onde ficam a quadra da Portela e o bom feijão da Tia Surica. Mas o Salgueiro, na Tijuca, a Vila Isabel, no bairro de Noel, ou a Estácio de Sá, na Praça Onze, também têm o seu charme para atrair o craque.

Se Ronaldinho anda colado com a tradição no samba, nas areias deixa de lado Copacabana, Ipanema e Leblon para ficar na badalada Barra da Tijuca. Ali, pertinho de onde mora, na Avenida Lucio Costa, em frente ao quiosque do Gaúcho - um amigo gremista -, exibe o seu malabarismo no futevôlei. Normalmente, na companhia do amigo Romarinho, esse mesmo, o filho de Romário que joga nas divisões de base do Vasco, e alguns ex-jogadores, como Djalminha, Edmundo e Amoroso. A rede promete virar o novo point da cidade, a exemplo do Viajandão, que fervilhava nos tempos de Romário, na década de 1990.

O malabarismo maior do craque, no entanto, é na noite. Tem que ser bom para se dividir. Na Barra, vai à churrascaria preferida curtir um de seus pratos prediletos - o outro, bem carioca, é o bife com fritas, feijão e ovo. Depois, as opções vão da cada vez mais revigorada Lapa, no Centro do Rio, até boate de samba em Copacabana. O Morro da Urca também é opção. A onda de Gaúcho é sempre dar uma canja em shows de amigos como o grupo de pagode Revelação, Exaltasamba e Molejo, entre outros. Os ensaios de escolas de samba e os espetáculos como dos amigos do Fundo de Quintal também estão no roteiro que invade madrugadas.

- Lembro que uma vez ele chegou ao Olimpo (casa de shows em Vila da Penha, na Zona Norte) para ver um espetáculo nosso, subiu ao palco e tocou tantã e pandeiro com a gente. Depois, botou a nossa camisa. Ele é assim. Um menino de Porto Alegre com estilo todo carioca, o espírito dele é esse. Ronaldinho agora está no verdadeiro lugar dele, que é o Rio de Janeiro. E jogando no Flamengo... afirmou Bira Presidente, do Fundo de Quintal e do Cacique de Ramos, bloco dos mais tradicionais do carnaval.

Samba de dia e de noite

Lenda do samba, Bira conta as horas para ver o amigo com a camisa rubro-negra. Promete até um show do Fundo de Quintal para celebrar a contratação do craque. E o defende das críticas de que gosta demais da noite.

- Até o esportista tem direito de viver. Acabou o jogo, quer sair, dar uma volta... Não vejo problema. Conheço bem o Ronaldinho e sua família. Nunca o vi embriagado, com drogas, criando problema e fazendo coisas erradas. Jamais houve ocorrência policial. Outros jogadores também saíam à noite em outras épocas, não entendo por que falam tanto agora.

Uma coisa é certa. Ronaldinho e o Rio não deverão ser os mesmos depois do casamento do craque com o Flamengo. Anderson, do Molejo, acha que com o tempo o torcedor vai se acostumar e deixar o craque mais à vontade para curtir a cidade. No campo, Fernando se prepara para o duelo com quem dividiu quarto em casa nos tempos de Padre Miguel.

- Vou ter que improvisar, não sei ainda como fazer para marcá-lo. Mas, quanto mais difícil a vitória, mais saborosa ela é - afirmou o zagueiro do Vasco.  

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