Seleção Brasileira de ginástica artística masculina fica em sexto-lugar e comemora boa colocação

Equipe masculina verde-amarela festeja melhor resultado em Mundiais. China vence o Japão na última nota e leva o ouro

Fonte: Globoesporte.comAtualizado: terça-feira, 7 de outubro de 2014 14:34
Nem o temido cavalo com alças derrubou o Brasil, do estreante Lucas Bitencourt, o Bisteca
Nem o temido cavalo com alças derrubou o Brasil, do estreante Lucas Bitencourt, o Bisteca

Arthur Zanetti cravou a saída das argolas, jogou as mãos cerradas ao ar e comemorou. Ele logo foi abraçado por Arthur Nory, Diego Hypolito, Francisco Barretto, Sérgio Sasaki e Lucas Bitencourt, o Bisteca. O grupo festejava, não uma medalha, mas uma grande exibição em sua primeira final por equipes de Mundial de ginástica artística. Os seis ginastas já estavam com a missão cumprida nesta terça-feira e entraram no ginásio Guangxi aprendizes, de olho na competição do ano que vem. Com sorriso sempre no rosto, o "aluno Brasil" mostrou em Nanning que aprende rápido e deu trabalho às potências da ginástica e fechou o Mundial da China em sexto lugar, com 263,562 na soma.

- Foi uma final tranquila, porque o objetivo era está aqui, na decisão. Falamos: "Vamos curtir mesmo, fazer nosso melhor, entrar sem pressão, sentir a vibe da competição". Por isso que estávamos sempre com o sorriso na cara. Conseguimos fazer nosso melhor para ter esse resultado maravilhoso - disse Arthur Zanetti.

Os olhos incrédulos observavam no placar o Brasil pela primeira vez na sexta posição em um Mundial. Um grande salto para a equipe que tinha como melhor resultado o 13º lugar da edição de Tóquio, em 2011.

- Nunca imaginei que a gente pudesse pegar uma final e ainda ficar como a sexta melhor equipe do mundo. Isso é uma coisa muito inacreditável para mim. É uma equipe muito unida. Um torce muito pelo outro. Fiquei muito arrepiado. Nunca imaginei que a gente chegaria perto da Rússia. É muito emocionante, porque éramos a 23ª equipe, depois 19ª, passamos a 17ª se não me engano e 13ª. Pular para sexta equipe é muito absurdo - disse Diego Hypolito.

À frente do Brasil, apenas o G-5, o grupo das cinco equipes que o bielorrusso Vladimir Vatkin, técnico chefe da equipe verde-amarela, considera inalcançáveis no momento. Apenas após o último aparelho, a China conseguiu ficar com a medalha de ouro. Zhang Chenlong conseguiu a nota de 15,966 na barra fixa. Os donos da casa superaram os japoneses, liderados pelo mito Kohei Uchimura, que levaram a prata. Os Estados Unidos arrancaram o bronze. A Grã-Bretanha ficou na quarta posição, seguidos pela Rússia. Os times de Suíça e Alemanha fecharam a competição em sétimo e oitavo respectivamente.

Se na experiência a distância para as tradicionais potências já foi pequena, a expectativa cresce por um resultado igualmente excelente no Mundial de 2015, em Glasgow, para a equipe verde-amarela conquistar a inédita classificação olímpica. Uma final na Escócia garante o time no Rio 2016.

- Estávamos bem seguros, competimos sem quedas. Estávamos bem animados, bem equipe mesmo. Deu tudo certo. O Brasil está seguindo um trabalho legal rumo ao Rio 2016. A gente entrou sem pressão. Sabíamos que estava difícil disputar medalha. Com as equipes que estávamos disputando deu tudo certo.

O Brasil volta ao ginásio Guangxi na quinta-feira, às 8h (de Brasília), para a disputa da final individual geral. Sérgio Sasaki e Arthur Nory estão no páreo, e o GloboEsporte.com acompanha em Tempo Real. No sábado, às 2h, Diego Hypolito busca mais uma medalha no solo pouco antes de Arthur Zanetti defender seu título mundial nas argolas. Sasaki fecha a participação brasileira em Nanning, no domingo, às 2h. O SporTV transmite todas as finais ao vivo.

SALTO

Diego abriu a competição. Foi a primeira nota entre todas as equipes. Mais tranquilo do que na classificatória, quando ainda controlava o êxtase de uma convocação de última hora, o brasileiro deu um passo a mais na aterrissagem, mas conseguiu a boa nota de 15 pontos. Nory foi o segundo, também deu um passo a mais e teve a nota de 14,966. Sasaki fechou a participação brasileira no aparelho com um voo alto e uma chegada cravada que arrancou uma expressão de admiração dos chineses. A nota de 15,566 puxou o Brasil, que fechou a primeira rotação na quarta colocação com 45,532 pontos, atrás apenas de Japão, Rússia e Grã-Bretanha.

PARALELAS

Chico, que foi muito seguro na classificatória, foi o primeiro brasileiro no aparelho. Desta vez, ele teve um desequilíbrio grande na chegada, se manteve em pé, mas a nota caiu para 14,200. Saasaki foi o segundo da equipe e novamente o melhor: 14,666. O estreante Bisteca fechou a participação verde-amarela no aparelho. Ele quase não conseguiu se equilibrar em um movimento e deu um passo na chegada, mas somou 14,333. Com 43,199 pontos no aparelho, o Brasil caiu para a quinta posição, ainda à frente da China.

BARRA FIXA

Melhor brasileiro no aparelho na classificatória, Nory abriu a participação verde-amarela na barra fixa. Ele só não cravou a saída e recebeu a nota de 14,066. Chico fez a sua parte, quase cravou a saída e somou 13,600. Sasaki foi o último brasileiro e voou. Ele, que tinha errado um elemento no aparelho durante a classificatória, acertou tudo desta vez e recebeu 15 pontos. Com 42,666 na barra fixa, o Brasil viu a China passar à frente, puxada pelos 15,900 de Yang Liu nas argolas, o maior adversário de Arthur Zanetti neste Mundial.

SOLO

Sasaki, que teve uma queda no solo na classificatória, foi o primeiro brasileiro no aparelho e logo na primeira acrobacia pisou fora da área de exibição, por isso recebeu a nota de 14,533. Nory foi o segundo, não teve uma apresentação tão segura quanto na classificatória e teve a mesma nota do companheiro de equipe. Diego foi quase tão bem quanto o show que o garantiu em mais uma decisão do aparelho. O bicampeão mundial recebeu a nota de 15,633. Com 44,699 pontos, o Brasil permaneceu na sexta posição.

CAVALO COM ALÇAS

Era a hora do aparelho que sempre é o ponto fraco do Brasil. Bisteca, que havia caído na classificatória, desta vez cumpriu sua série e recebeu a nota de 14,200. Chico também acertou sua prova e também somou 14,200 pontos. Sasaki foi o terceiro e cravou a série para receber a nota de 14,600. A equipe inteira vibrou muito ao fim da apresentação dele, afinal, passar pelo cavalo sem quedas é coisa rara para o Brasil. Até mesmo o grande vilão a equipe está aprendendo a domar. Com 43 pontos, o time aumentou a vantagem sobre os alemães no confronto particular pela sexta posição.

ARGOLAS

A apresentação brasileira nas argolas era muito aguardada. Não só pela equipe brasileira, mas por todo o ginásio de Nanning. Afinal, o atual campeão olímpico e mundial do aparelho estaria em ação. E Arthur Zanetti, de fato, fechou a performance histórica do Brasil com chave de ouro. Cravando na sua saída, ele obteve 15,633 na sua especialidade, não gostou muito da nota, mas ficou feliz pelo resultado da equipe. Além dele, Francisco Barreto (14,100) e Sergio Sasaki (14.733) também representaram o país na última rotação. A soma foi de 44.466 no aparelho.

 



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