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Sem deixar saudades em Grêmio e Fla, Silas retorna à casa e crê no Avaí

Sem deixar saudades em Grêmio e Fla, Silas retorna à casa e crê no Avaí

Atualizado: Quarta-feira, 11 Maio de 2011 as 10:21

Como jogador, Silas foi um ótimo meio-campista. Era um dos principais nomes do São Paulo que conquistou dois títulos paulistas (1985 e 1987) e um Campeonato Brasileiro (1986). Fez sucesso na Itália, na Argentina e disputou as Copas do Mundo de 1986 e 1990 pela Seleção Brasileira. Há cinco anos, iniciou sua carreira de treinador. Depois de um ótimo começo no Avaí, levando o time catarinense para a Primeira Divisão do futebol brasileiro em 2008, resolveu dar voos mais altos na carreira dois anos depois. Primeiro, foi para o Grêmio. Conquistou o Campeonato Gaúcho de 2010, mas durou apenas oito meses no clube. De lá, foi para o Flamengo e conviveu com muitos problemas extracampo, com a desconfiança da torcida e saiu após um mês.

Silas prepara o Avaí para a partida de quinta, contra o São Paulo (Foto: Marcelo Prado / GLOBOESPORTE.COM)

  Em 2011, Silas resolveu recomeçar. E, para isso, voltou à primeira casa. Um novo convite do Avaí o fez voltar a sorrir. O trabalho está começando a evoluir. Depois de um fraco desempenho no primeiro turno do Campeonato Catarinense, sua equipe cresceu no returno e foi à decisão contra a Chapecoense. Na Copa do Brasil, o time nunca foi tão longe na história. Nesta quinta, o Avaí faz o jogo de volta contra o São Paulo, por uma vaga na semifinal.

Nesta entrevista ao Globoesporte.com , ele fala da dificuldade que é trabalhar no Rio Grande do Sul, dos problemas que enfrentou no Flamengo e da dureza que será enfrentar a equipe de Paulo César Carpegiani. E deixa claro que, no futuro, espera ter a chance de trabalhar no Tricolor Paulista para tentar repetir como treinador a história de sucesso que escreveu como jogador.

GLOBOESPORTE.COM - Depois de uma ótima campanha no Avaí, você passou por Grêmio e Flamengo, durou pouco e hoje está de novo no Avaí. Não é muita coisa para pouco tempo?

Silas: Não é só comigo que acontece isso. O Adílson voltou para o Corinthians, passou pelo Santos e hoje está no Atlético-PR. O Mancini rodou pelo Vitória, hoje está no Ceará. O Celso Roth deixou o Vasco após ser pressionado pela torcida e foi para o Inter para ser campeão da Libertadores. O Felipão sofre hoje no Palmeiras, não só pela goleada que sofreu para o Coritiba, como as dificuldades em reconstruir a equipe. Vida de treinador é assim mesmo.

Você encara o retorno para o Avaí como um recomeço?

Eu optei por voltar porque gosto muito daqui, quis apagar qualquer mal-estar causado na minha saída. Voltei porque aqui é minha casa, me sinto à vontade. Pela campanha que tinha feito no Grêmio acho que merecia seguir na Série A. O Flamengo eu nem conto muito, foi apenas um mês, dez jogos, o time estava muito pressionado. No Grêmio pude fazer um grande trabalho. Se ganhar do São Paulo estarei na segunda semifinal seguida da Copa do brasil. Muitas pessoas ignoram isso, mas conta no currículo. O Avaí é um time que gosta muito de mim, tive sucesso aqui e eles dão tempo para o treinador trabalhar. Por isso que quero ficar aqui pelos próximos dois anos.

Você se sente um injustiçado? Acha que merecia, por exemplo ter ficado no Grêmio?

Eu sairia do Grêmio de qualquer maneira. Era ano de eleição e eles certamente iriam trocar o comando técnico. Mas o tempo todo que fiquei lá tive um respaldo muito grande da diretoria, eles me protegeram bastante. Não é fácil trabalhar lá. Foi difícil também para o Paulo Autuori, está sendo difícil para o Renato, está sendo difícil para o Falcão no Inter. Não é fácil trabalhar no Rio Grande do Sul. Os dois clubes dão todas as condições. As dificuldades são muito mais externas, em termos de torcida e imprensa. Eles fomentam muita coisa. Qualquer notícia vira um furacão. Eu fui para o Grêmio porque tinha dado minha palavra, embora tivesse recebido uma ótima proposta do Santos. Não me arrependo. Foi um desafio grande, muito bom e acredito que fui bem.

Levado por Zico ao Flamengo, Silas deixou a Gávea em pouco tempo (Foto: Globoesporte.com)

  E no Flamengo, por que ficou tão pouco tempo?

Eu saí porque o Zico saiu. Foi ele quem me trouxe. Quando ele saiu, eu fiquei sozinho. Ele saiu por questões maiores e, se estivesse no lugar dele, faria a mesma coisa. Foi uma experiência curta, mas proveitosa. É preciso saber analisar. Quando cheguei ao Flamengo, havia perdido o Adriano e o Vagner Love. Maldonado, Petkovic, Val Baiano, Renato Abreu, Willians, todos estavam machucados. Tive de começar um trabalho do zero. O Leandro Amaral não jogava há um ano e dois meses. As vitórias não vieram, o time estava vivendo um desgaste muito grande. Aí veio a questão do Bruno (se envolveu no sumiço de sua amante e está preso até hoje), que abalou geral o elenco. Mas é claro que serviu como experiência. Se for convidado, voltarei. O Luxemburgo só está dando certo no Flamengo agora, na sua terceira passagem.

Falando sobre o Avaí, o que dá para esperar da sua equipe na partida contra o São Paulo?

Posso dizer que vamos lutar pela vitória. O São Paulo conseguiu uma vantagem lá, uma boa vantagem e tem um pouco mais de tranquilidade neste segundo jogo. Mas será um jogo difícil para eles, já que na nossa casa, nossa equipe joga bem. É preciso ter equilíbrio, não vamos sair feito loucos. Mas é uma decisão, um jogo muito importante para a história do Avaí e vamos atrás do resultado.

silas avaí (Foto: Richard Souza/Globoesporte.com)

  Como passar confiança ao elenco e mostra que é possível vencer?

A confiança você adquire de várias maneiras. Primeiro é se preparando bem, tanto física quanto tecnicamente. Depois, estamos trabalhando muito todos os detalhes, passando aos atletas estatísticas que podem fazer a diferença. Não só em termos de desempenho, mas mostrando como o adversário se comporta. Como rouba mais a bola, como ataca, como cruza, enfim. Tudo isso vai nos dar um parâmetro para saber o que precisa fazer antes de a bola rolar.

O que é possível dizer sobre o São Paulo?

É um time muito rápido do meio para frente. Seus volantes aparecem de surpresa. Vai jogar com desfalques, não sabe se terá o Miranda, o Ilsinho não joga. Mas ganha os reforços do Lucas, que é um excelente menino, e do Fernandinho, que é um bom jogador. Será fundamental sairmos na frente no marcador. Se eles marcarem primeiro, ficará muito difícil porque aí teremos de marcar três gols.

O que é mais difícil, o Avaí marcar dois gols ou o São Paulo não fazer nenhum?

Se você observar os últimos jogos do São Paulo, vera que eles fazem poucos gols, mas também tomam poucos gols. Destoou um pouco no jogo contra o Santos, até pela qualidade ofensiva do adversário. Mas eles dominaram o primeiro tempo e poderiam ter construído um placar melhor.     Quem perde mais, o São Paulo sem o Miranda ou o Avaí sem o Marquinhos e o Rafael Coelho (ambos suspensos pelo STJD)?

O Marquinhos é importante demais, dá cadência ao nosso meio. O Miranda é um grande jogador, mas não vai lá na frente para definir. Além do mais, se ele sai, entra o Rhodolfo, que deve jogar deslocado, mas tem qualidade. No meu time, perdi meu artilheiro da Copa do Brasil e o meu camisa 10, mas confio no meu elenco. São atletas que cresceram junto com o clube.

Falando sobre o São Paulo, quando o Sérgio Baresi foi dispensado, ventilou-se a possibilidade de você ser contratado. Você pensa em voltar ao Morumbi como treinador?

O que posso dizer é que me vejo preparado. Não sei se vai acontecer, no futebol você não pode prever nada. Mas é claro que penso nisso. Minha história como treinador está parecido com a de jogador. Se isso acontecer, chegarei lá pelos meus méritos, as pessoas saberão a razão de ter sido contratado.

Para encerrar, quem jogou mais, você ou o Carpegiani?

Eu, na minha, e ele, na dele, fomos ótimos jogadores. Ele era clássico demais com a bola, eu era mais dinâmico. No futebol de hoje, ele teria a qualidade de um Arouca, que não marca tanto, mas sabe o que faz com a bola nos pés. Eu estou mais para um Cleiton Xavier. Mas fizemos sucesso (risos).        

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