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Serginho retorna à seleção com nova missão: 'Ser o presidente'

Serginho retorna à seleção com nova missão: 'Ser o presidente'

Atualizado: Quinta-feira, 14 Abril de 2011 as 10:21

Serginho ao lado do companheiro de equipe Murilo (Foto: Wander Roberto / VIPCOMM)

  Agora ele é o “presidente”. Depois de levantar a possibilidade de deixar a seleção brasileira , Serginho voltou atrás e foi incluído na pré-lista de convocados para disputar a Liga Mundial 2011. No entanto, o líbero conta que tem uma missão pouco diferente do que vinha fazendo nesse retorno à equipe nacional de vôlei: ser o líder. Bem humorado, ele brinca que está mandando em tudo e assume o papel dentro da seleção de mostrar o caminho da vitória aos mais jovens no time.

- Meu objetivo é liderar essa rapaziada, que está chegando para fazer uma renovação no time. Bernardinho (técnico da seleção) me deu essa missão de orientar a molecada dentro e até fora de quadra, porque criamos um respeito muito grande entre os jogadores dentro da seleção. O mais novo vai respeitar o mais velho, o que tem mais título, porque ele sabe o que falar para essa molecada. E eles escutam, até que me chamam de presidente aqui. Então eu sei que estou mandando – destaca Escadinha, em tom de brincadeira.

Aos 35 anos, sendo mais de dez destes dedicados à seleção, Serginho coleciona títulos defendendo o Brasil. Bicampeão mundial, campeão olímpico. Um currículo de causar inveja. E não para por aí. Individualmente, Escadinha também ganhou os prêmios de melhor líbero da Liga Mundial em 2007 e se consagrou na edição de 2009 da competição, quando foi eleito o melhor jogador da Liga.

Com tantas honrarias, a preocupação de Serginho não é mais somar títulos. A vontade de vencer não mudou, mas seu foco passou a ser ajudar na formação dos atletas que disputarão o ciclo olímpico do Rio de Janeiro, entre 2013 e 2016. Para voltar à equipe nacional, o líbero antes teve um jantar com Bernardinho em que deixou claro sua condição física e seu receio de se lesionar.

- Nós conversamos sempre pelo telefone. O Bernardo falou que viria para São Paulo e queria sair para jantar comigo. Falei que sem problemas. Foi legal que ele até pagou o rango e me chamou de mão de vaca (risos). Eu falei para ele que, quando acabasse a Superliga, se eu estiver bem, quero ir à Liga. E, no momento, eu me sinto muito bem. Sei que quando você está na seleção sempre quer fazer mais. Não adianta. E eu falei para ele que não posso ficar dando 50 peixinhos só de manhã. Não posso e nem tenho mais necessidade de fazer isso, até porque eu já conheço o atalho (risos). Quem tem de dar peixinho é a molecada de 20 anos. Eu preciso gastar as minhas costas só na hora certa.

Serginho vai voltar a vestir a camisa da seleção (Foto: Divulgação/Comitê Olímpico Brasileiro)

  Serginho teve hérnia de disco e teve de se submeter a uma cirurgia no ano passado. Ele diz que agora tem “quatro parafusos nas costas”. Ele teme que o “fazer a mais” na seleção possa provocar uma nova lesão. Por isso, acertou com o comandante do time que não terá o mesmo ritmo de treinamentos de antes.

- Bernardinho sabe de tudo isso, mas não posso deixar que esqueça, senão ele me faz treinar igual a um cavalo. Mas sempre falei para ele que minha ideia era sempre de parar. Não falei para não me convocar. Falei que se a Superliga acabasse agora, eu iria porque estou bem. Tenho que me segurar. Cavalo velho, já viu? Minha preocupação é minhas costas, porque além do vôlei eu tenho minha vida. Tenho de jogar meu futebolzinho – brinca o jogador.

Mas não espere ver Escadinha dando mole em quadra ou treinando à parte. Ele promete “fazer o que sempre fez”, pelo menos, enquanto o corpo aguentar.

- Não é um treino individualizado. Vou fazer o treino que sempre fiz. Só que na hora em que eu falar “deu para mim”, deu. Não adianta o Bernardinho querer me pegar no quarto para eu voltar que eu não vou. Não adianta fazer aquelas viagens loucas de 15, 16 horas e ir treinar em seguida – disse Serginho.

Apesar de já pensar na sua aposentadoria na seleção brasileira, Serginho não planeja encerrar sua carreira. Ele ressalta que continua jogando vôlei até o momento em que estiver sorrindo em quadra, e mesmo quando isso ocorrer, não pretende largar a modalidade.

- Sempre tento ganhar um dia por vez. Não consigo ficar fazendo planos. Eu vou jogar até quando estiver dando risada, estiver me divertindo dentro de quadra. Xingando os outros, sendo xingado. Enquanto eu estiver contente dentro de quadra, isso é o que importa. Ainda mais que, em minha posição, quanto mais velho melhor. Ser técnico? Não! Deus me livre! Não digo que quero sair do vôlei (depois de encerrar a carreira), mas não quero ser técnico. Acho que não tenho esse perfil. Prefiro estar no meio, quem sabe até entre a molecada, passando minha experiência com o voleibol.      

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