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"Super Courtney" carrega os EUA na prancha e vence imprevistos no Rio

"Super Courtney" carrega os EUA na prancha e vence imprevistos no Rio

Atualizado: Sexta-feira, 13 Maio de 2011 as 5:16

Courtney, a super-heroína americana

(Foto: Gabriele Lomba/Globoesporte.com) Para carregar um país inteiro sozinha, só mesmo com superpoderes. Courtney Conlogue, de apenas 18 aninhos, quebrou o jejum dos Estados Unidos, que desde 2006 não tinham uma representante no Circuito Mundial – o Havaí, no surfe, é considerado um país. E conta com a ajuda de uma fiel escudeira: Tracy, mãe e treinadora. Juntas, dividem as vitórias e os muitos contratempos durante as viagens. Tracy tem na prancha um adesivo rosa do Super-Homem. Ela é embaixadora do “Supergirl”, um projeto privado de patrocínio a atletas de esportes radicais. Mas nem o símbolo foi suficiente para amedrontar os gaiatos cariocas. Seu par de tênis desapareceu na areia da Praia da Barra, um pouco antes da estreia no Rio Pro, quinta etapa da temporada feminina. Teve de retonar ao hotel, do outro lado da rua, a pé.

- Ela o deixou aqui ao lado, e o tênis desapareceu. Mas isso pode acontecer em qualquer lugar do mundo – diz Tracy, que, há dois anos, teve seu cartão clonado no Rio.

Courtney e Tracy ficaram boquiabertas durante a primeira refeição na cidade. Hospedadas em um hotel cinco estrelas, pediram um sanduíche. Não queriam gastar muito, mas...

- Como pode um hambúrguer custar US$ 25 (cerca de R$ 40,00)? Mais caro do que na Califórnia – conta a surfista, rindo.

No Rio, fora d´água, Courtney já aprendeu que não pode deixar nada largado na areia e não vai mais esquecer de conferir os preços antes de entrar em um restaurante. No Circuito Mundial, também está nas primeiras lições.

- Sou uma aprendiz. É como se eu estivesse no colégio – diz.

Courtney Conlogue está na terceira fase do Rio Pro (Foto: AP) Courtney ainda estava no colégio, mesmo, quando apareceu no cenário internacional. Foi há dois anos, ao vencer o US Open, etapa da divisão de acesso com maior premiação. E acabou provocando um rebuliço. Tinha feito quase o dobro da pontuação de Kelly Slater, campeão no masculino. O carequinha, pelo título, embolsou US$ 150 mil (R$ 240 mil); Courtney, apenas US$ 10 mil (R$ 17 mil).

A imprensa da Califórnia contestou tanto a diferença entre homens e mulheres que os organizadores, no ano seguinte, subiram a premiação feminina para US$ 20 mil (R$ 34 mil). Melhor para a amiga havaiana Carissa Moore, campeã do ano passado e hoje líder do Circuito Mundial.

- Ela deve isso a mim – brincou.

Depois daquela vitória, Courtney viu que era possível se tornar uma das 17 surfistas da elite. Um ano depois, lá estava ela classificada. Hoje, é a nona do ranking. No Rio, tropeçou na estreia, mas venceu Andrea Lopes na repescagem e passou à terceira fase.

Courtney e Tracy na praia da Barra

(Foto: Gabriele Lomba/Globoesporte.com) A bela Courtney vai completar 19 anos no dia 25 de agosto, duas semanas após o término da temporada. E a etapa de encerramento será justo no quintal de sua casa: Huntington Beach. A família Conlogue mora em Santa Ana, cidade californiana onde a maior parte da população é latina. Tanto Courtney quanto a irmã e o irmão arranham no espanhol.

- Meu filho Ryan um dia perguntou “mãe, por que eu sou tão estranho, diferente fisicamente dos meus amigos?” – lembra-se Tracy.

Ao menos ali, diferentemente do Circuito Mundial feminino, os americanos não estão sozinhos.  

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