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surfistas limpam praia, enquanto garis pegam onda

surfistas limpam praia, enquanto garis pegam onda

Atualizado: Quarta-feira, 8 Dezembro de 2010 as 2:41

Em comum, a consciência sobre a importância da preservação da natureza e o local de trabalho. Mas as rotinas dos surfistas e dos garis são distintas. Enquanto os atletas deslizam nas ondas perfeitas da praia da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, os funcionários da Comlurb enfrentam o calor escaldante carioca catando a enorme quantidade de sujeira deixada pelos banhistas. Nesta quarta-feira, através de uma iniciativa do Brasil Surf Pro, etapa que vai decidir o título brasileiro de surfe profissional, eles inverteram os papéis e tiveram a chance de interagir com o natureza de uma outra perspectiva.

Surfista Phil Rajzman ensina as técnicas básicas do esporte

(Foto: Lydia Gismondi / GLOBOESPORTE.COM)   Foi um dia atípico para os garis cariocas. Primeiro, foram professores. Vestidos com o tradicional uniforme laranja, orientaram um grupo de surfistas como limpar a praia e contaram sobre as dificuldades enfrentadas em consequência do distrato da população. Em dias de sol forte, eles chegam a coletar quatro toneladas de lixo.

Garis ensinam Pedro Robalinho a limpar a praia

(Foto: Lydia Gismondi / GLOBOESPORTE.COM)   - A consciência ainda é muito pequena. Todo mundo gosta de vir para a praia limpa, mas na verdade não mostram isso na prática. O nosso serviço é pesado. De tudo a gente encontra aqui. Garrafa, lata, canudo e até seringa – disse Fábio Batista, de 27 anos e há três anos gari.

Depois, foi a vez dos surfistas Phil Rajzman e Pedro Robalinho ensinarem os garis a surfar. Os uniformes quentes deram lugar aos bermudões e aos óculos escuros. No início, pareciam tímidos, mas logo já estavam à vontade nos novos papéis.

- Depois do serviço, eu ficava pegando jacaré. Sempre tive vontade de surfar, mas nunca tinha tido oportunidade. Agora, estou até pensando em comprar uma prancha – disse Handrei Cardoso, de 23 anos, o gari mais animado do grupo.

Garis se divertem pegando onda no Rio de Janeiro

(Foto: Lydia Gismondi / GLOBOESPORTE.COM)   Não foram apenas os garis que se divertiram. O surfista Pedro Robalinho, que há 13 anos comanda uma escolinha de surfe na praia da Barra da Tijuca, ficou feliz em retribuir de alguma forma os serviços prestados pelos funcionários da Comlurb.

- Achei muito boa a experiência. É muito bom conhecer essas pessoas que são tão importantes para a gente. E poder retribuir isso é maravilhoso. Ver o sorriso no rosto deles não tem preço – disse Robalinho, um dos idealizadores do Centro de Aprendizagem e Desenvolvimento do Surfe.

Campeão mundial em 2007, o carioca Phil Rajzman lembrou que os surfistas também têm essa preocupação com natureza e sabem da importância do trabalho dos garis.

- A gente pega onda todos os dias e sempre procura catar os sacos plásticos e colocar no bolso. Nós vemos de perto o trabalho que eles têm.

Por Lydia Gismondi Rio de Janeiro

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