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'Tagarela' Rosicléia celebra vitória da transparência: 'Sou 100% eu'

'Tagarela' Rosicléia celebra vitória da transparência: 'Sou 100% eu'

Atualizado: Terça-feira, 20 Dezembro de 2011 as 10:59

Rosicléia faz lista de agradecimentos no Brasil

Olímpico (Foto: André Durão/Globoesporte.com) Ao descer do palco do Prêmio Brasil Olímpico, onde foi premiada, junto a Rubén Magnano, como Melhor Técnico de 2011, Rosicléia Campos confessou estar tremendo de nervosismo. Pudera: os produtores pediram à treinadora da seleção feminina de judô, uma das pessoas mais expansivas e falantes do esporte brasileiro, para conter seu discurso de agradecimento a apenas 40s. Logo que chegou ao microfone, ela avisou:

- Pediram para eu falar pouco, mas não vai dar, tem muita gente para agradecer!

Essa é Rosicléia Campos: espontânea, tagarela, explosiva, emocional. Seu estilo foi muito criticado quando ela assumiu o comando da seleção feminina, em 2007. Quatro anos depois, os resultados não deixam dúvidas de que sua técnica funciona. No período, o Brasil teve sua primeira mulher medalhista olímpica - Ketleyn Quadros, bronze em Pequim-2008 - e neste ano, a equipe feminina conquistou três medalhas no Mundial de judô, seu melhor desempenho na história.

Não são só os resultados que validam o estilo de Rosicléia. Suas comandadas também a defendem com paixão, a mesma paixão que ela usa para buscar recursos para sua equipe.

- É o empenho dela que conquista. Ela se dedica muito a nós, briga muito por nós, luta junto, e isso serve de incentivo. Por isso que estamos com um desempenho excelente. É uma coisa que ela ajudou a construir - disse Maria Portela, judoca até 70kg.

A treinadora garante que toda a gritaria e gesticulação do lado de fora do tatame não é encenação: em casa, é a mesma coisa.

- Sempre fui muito transparente, 100% eu mesma. Sou de família cardíaca, aprendi a não guardar nada. Não é pra aparecer, sou assim mesmo. Meu marido estava inclusive preocupado que eu fosse subir aqui no palco e gritar "Urrul!" Pediu, "Amor, 'urrul' não..." - riu Rosicléia.

Os gritos e gestos da treinadora, porém, estão ameaçados de extinção. Neste ano, a Federação Internacional de Judô (FIJ) instituiu novas regras de conduta para os técnicos, que estipula que a comunicação com os judocas seja feita apenas durante o mate (parada no combate). Segundo Rosicléia, seu nome foi mencionado no congresso técnico da FIJ quando a medida foi discutida. Apesar disso, a treinadora se comportou bem e se segurou na primeira competição sob as novas regras.

- É difícil, tive que botar a mão na boca uma vez, precisamos de um tempo de adaptação. Mas sou extremamente disciplinada. Tudo que faço é pelos meus atletas. Se precisar me transformar em outra pessoa por eles, eu me transformo - prometeu.

O coordenador técnico da Confederação Brasileira de Judô, Ney Wilson, reconhece o trabalho da treinadora e garante que vai apoiá-la se não se contiver.

- Essa regulamentação não é favorável ao ambiente esportivo. Perde-se um pouco o diálogo e a leitura do técnico. A Rosi tem esse temperamento explosivo, mas tem essa leitura fria do lado de fora que consegue fazer a diferença pro atleta com uma palavra. Se ela precisar levar uma advertência para ajudar um atleta a vencer, sou a favor disso - afirmou Wilson.        

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