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Tão parecidas, tão diferentes: Alemanha e Espanha lutam pela final

Tão parecidas, tão diferentes: Alemanha e Espanha lutam pela final

Atualizado: Quarta-feira, 7 Julho de 2010 as 9:12

As diferenças não separam a Alemanha da Espanha. As semelhanças tampouco as unem totalmente. Tão opostas e, ao mesmo tempo, quase irmãs gêmeas: combinação de histórias singulares, de trajetórias distintas, de estilo próprio, tudo direcionado ao sonho que envolve duas potências do futebol mundial. O planeta que trate de parar por duas horas nesta quarta-feira, porque os tricampeões mundiais duelam com a Fúria às 15h30m (de Brasília), no estádio Moses Mabhida, em Durban. Vale vaga na final da Copa do Mundo de 2010 para enfrentar a Holanda, que derrotou o Uruguai por 3 a 2 na primeira semifinal.   Não era de se duvidar que uma seleção encantasse com dribles, com triangulações, com velocidade. Cabia à Espanha o papel de artista do Mundial. Mas foi a Alemanha quem encenou o estereótipo do jogo bonito. E ninguém questionaria que uma seleção venceria sempre no limite da necessidade, jogando o suficiente para seguir em frente, para manter viva a esperança. Era para ser a Alemanha, sempre pragmática, hoje encantadora. Acabou sendo a Espanha, antes encantadora, hoje pragmática.

Tão parecidas: meio-campo habilidoso, com Xavi e Iniesta de um lado, com Özil e Schweinsteiger de outro, cada qual com seu artilheiro, o fulminante Villa contra o oportunista Klose. Tão diferentes: Alemanha tricampeã mundial, Espanha eterna (será?) decepção. Algo parece unir essas duas seleções. Em 2008, final da Eurocopa, com título para a Espanha; em 2010, semifinal da Copa do Mundo, com todo um destino a ser escrito.

Uma nova Alemanha

Para essa partida lendária, Alemanha entra com a confiança nas alturas. Afinal, o time despachou nada mais, nada menos do que Inglaterra e Argentina nas fases anteriores. E com direito a chocolate: 4 a 1 e 4 a 0, respectivamente.

O técnico Joachim Löw, entretanto, assegura que seus comandados estão com os pés no chão e focados para o duelo contra a Fúria. Ainda segundo o treinador, o seu time evoluiu em relação ao de de dois anos atrás, que caiu diante do adversário.

- Tínhamos muita energia, mas não conseguíamos dominar uma partida e também não tínhamos qualidade e todas posições como temos hoje. E acho que o jeito que jogamos até agora e os resultados na Copa mostram que melhoramos claramente e que estamos vários passos à frente de 2008 – assegurou o técnico, que chamou nove jogadores abaixo dos 23 anos de idade (a média do time é de 24,8 anos).

E Thomas Müller, um desses jovens e revelação da Copa (anotou quatro gols e deu três assistências), é o único e grande desfalque. Suspenso, o meia-atacante deve dar lugar ao teuto-brasileiro Cacau, que está recuperado de uma lesão no abdômen. Trochowski e Kroos correm por fora.

No ataque, Miroslav Klose está confirmado e é a grande esperança de gols dos germânicos. Se balançar as redes ao menos uma vez, o atleta do Bayern igualará o recorde de Ronaldo (15 gols) e se tornar o maior artilheiro da história das Copas.

Agora ou nunca para a Fúria

A Espanha pode chegar pela primeira vez a uma final de Copa do Mundo. É uma história pobre para um país enlouquecido por futebol, com uma das ligas mais fortes do mundo, recheado de craques – sejam eles espanhóis ou estrangeiros. O sentimento é duplo para a Fúria: de um lado, o peso da responsabilidade de apagar o passado; de outro, a empolgação diante da chance de fazer história.

- Estamos muito eufóricos pela oportunidade que temos. Precisamos aproveitar – disse o meia Xabi Alonso.

O raciocínio espanhol é na base do “agora ou nunca”. Os próprios atletas da Fúria entendem que a chance de título pode não ser tão clara no futuro. Eles não querem perder o trem da história.

- É um belo momento do nosso futebol, um feito que não é casual. São diversos fatores para que o futebol espanhol esteja nesta fase. Estamos muito felizes. Temos recursos para enfrentar de cara qualquer rival, incluindo a Alemanha – disse o técnico Vicente del Bosque.

A Espanha deve mudar para o duelo desta quarta-feira. A tendência é de que Fernando Torres deixe a equipe justamente contra a Alemanha, adversária na qual ele fez o gol do título da Eurocopa de 2008. “El Niño” não completou uma partida sequer na Copa do Mundo. Também não fez gols. Agora, deve dar lugar ao meia David Silva.

Assim, o time passará ao esquema 4-5-1, com o goleador David Villa migrando da esquerda para uma função mais centralizada. Foi assim que a Espanha jogou contra a Suíça, na primeira rodada do Mundial. E perdeu por 1 a 0.

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