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Tate: 'Rousey é artificial. Tenho mais armas para vencer a luta contra ela'

Segue troca de farpas entre musas do MMA feminino

Atualizado: Segunda-feira, 13 Fevereiro de 2012 as 9:05

A troca de provocações entre as lutadoras Miesha Tate e Ronda Rousey, que disputarão o cinturão dos pesos-galo do Strikeforce no dia 3 de março, em Ohio, continua quente. As duas maiores musas do MMA feminino na atualidade não cansam de trocar farpas pela imprensa, esquentando o clima para uma das maiores lutas do esporte desde a vitória de Cris Cyborg sobre Gina Carano, em 2011. Em entrevista ao site "MMA Fighting", Tate garantiu ser melhor lutadora que Rousey, mais experiente e com mais recursos para manter o cinturão da categoria, e disse que, na sua opinião, sua adversária deveria ser Sarah Kaufman, uma das duas atletas que já a derrotou profissionalmente.

- A luta foi marcada pelo seu apelo de marketing. É uma luta que os fãs querem ver, então vamos lutar. No papel, Sarah Kaufman é uma desafiante mais qualificada. Após eu vencer Ronda Rousey, espero ter a minha revanche contra Sarah Kaufman, e fazer dessa luta uma luta muito maior do que a que terei contra Ronda. Quando Scott veio até mim e disse que eu enfrentaria a minha arquiinimiga, eu perguntei qual delas, Sarah ou Ronda. Ele disse que seria Ronda e eu aceitei, pois não me importo com quem vou lutar. Já passei dessa fase.

A campeã aproveitou para negar que tenha achado a luta desfavorável para si, e também discordar daqueles que acham que ela teria medo de enfrentar uma judoca de nível olímpico, como Rousey.

- Todos podem ter suas opiniões sobre tudo, e eu respeito, mas achar que eu tenho medo de perder para Ronda Rousey é um erro. Eu a vi falando sobre a disputa do título, e não tenho problema algum pelo fato de ela ser bonita e ter a imagem vendável para o mercado. Isso é ótimo, mas eu trabalho do meu jeito para conquistar os títulos. Incomoda ver que você investe tempo e dinheiro para atingir seus objetivos, e vem alguém por um atalho e chega ao mesmo lugar. Isso me irrita, e foi o que ela fez. Mas em cada dez lutas entre wrestling e judô, nove serão vencidas pelo wrestling. Há muitas coisas que eu posso fazer como wrestler que acabaria com qualquer movimento de uma lutadora de judô. Por isso acho que as pessoas estão erradas ao acharem que eu não gostei dessa luta. Eu adorei. 

Tate também analisou o repertório de golpes da rival, e não se mostrou impressionada com o que viu até o momento.

- Eu a vi aplicar uma chave de braço, ficar desesperada por 1m30s ao ver que a adversária não batia. Isso me fez pensar que ela não seja tão completa, ou não confie tanto em suas outras habilidades. Eu sou. Já disputei títulos, tenho 20 lutas e sou bem mais experiente. Isso me deixa muito confiante para essa luta. Na verdade, eu gosto de lutar contra lutadoras de chão, porque deixa a luta mais divertida. Uma de minhas lutas favoritas foi contra Hitomi Akano, que é uma judoca excepcional, faixa preta com segundo dan, membro da seleção japonesa, que venceu a maioria de suas lutas aplicando chaves de braço.

Perguntada sobre qual seria sua estratégia de luta para enfrentar uma adversária como Rousey, cujas lutas ainda não passaram de um minuto de duração, Tate disse estar treinando para enfrentar qualquer tipo de rival ou plano de luta.

- Eu estou me preparando para dar o meu melhor na luta. Como campeã, eu devo estar preparada para todas as situações possíveis. Eu iria enfrentar Sarah Kaufman, e agora enfrentarei Ronda Rousey, então tenho que estar bem treinada. Sei que ela é uma atleta forte, que busca desesperadamente a chave de braço, na qual ela é muito eficiente, mas, além disso, tenho que esperar o inesperado. Não sei se uma luta minha contra Sarah Kaufman seria o evento principal de uma eidção do Strikeforce, mas essa luta já iria acontecer em algum dos próximos eventos. Acredito que ela também seria um sucesso de vendas, tanto quanto está sendo minha luta contra Ronda

Miesha Tate acredita ainda que a publicidade que está cercado a sua luta contra Ronda Rousey deve ser um fator dificultador para a desafiante.

- Eu tenho certeza que ela ficará nervosa assim que a luta passar do primeiro minuto e perceber que eu sou muito mais forte do que ela esperava, além de sentir que o corte de peso para a categorias dos galos foi muito mais duro do que ela esperava, e ainda que falou mais do que deveria. Nós não usaremos quimonos, o que é ruim para uma judoca. Eu, como wrestler, jamais lutei com um quimono. Isso tudo representa uma boa vantagem para mim.

Sobre ter de estar nas mesmas coletivas de imprensa e sessões de autógrafos que sua rival, Tate revela não se sentir muito confortável com a situação.

- É muito estranho, porque ela fala esse monte de besteiras que vem falando, e ainda espera que eu seja muito simpática com ela. Eu sou mais verdadeira, não sou o tipo de pessoa fabricada, como ela. Ela gostar de falar e ser esquisita em frente às câmeras. Não sei se ela é assim na sua vida normal, mas se for, é muito estranha mesmo. Ela gosta de ser o centro das atenções, e não sou eu quem vai dar isso a ela. Entendo que ela queira tornar a luta mais atraente para o público, mas acho também que ela não gosta de mim, e eu não gosto dela. Ronda é uma grande atleta, eu nunca neguei isso, e ela sabe como fazer propaganda de uma luta e dela mesma. Ela é boa nisso, sabe o que falar para criar controvérsias, é inteligente e fala bem. Eu não sou assim, não é essa a forma que eu gosto de promover as minhas lutas. Mas, amando-a ou odiando-a, todos querem vê-la lutar, e isso atrai espectadores. No fim das contas, é isso que acaba interessando.

Comparando as lutas Cris Cyborg x Gina Carano e a sua contra Ronda Rousey, Miesha Tate acredita que a do próximo dia 3 de março pode dizer muito sobre o futuro do MMA feminino.

- Se conseguirmos fazer uma grande promoção, uma grande luta, e se os números mostrarem que a disputa do cinturão foi um sucesso, isso será fundamental para o futuro das lutas femininas. Se não for, por outro lado, pode significar uma queda de interesse pelo nosso esporte, e se o Strikeforce deixar o canal a cabo em que se encontra, não sei o que isso significará para o MMA feminino. Se não provarmos que podemos dar aos fãs o entretenimento que os homens conseguem, será bem ruim. Meu objetivo é justamente mostrar que o nosso esporte é tão divertido para quem o acompanha quanto o MMA masculino. Quem sabe não conseguimos abrir um caminho para as lutas femininas no UFC? Com Cyborg suspensa e Gina Carano fora das lutas, a responsabilidade está toda sobre os nossos ombros. MAs eu funciono bem sob pressão, sempre entrego um excelente resultado, desde os tempos da escola.
Perguntada sobre de que forma espera vencer Ronda Rousey, Miesha Tate mostrou bom humor.

- Há tantas formas com as quais eu gostaria de vencer que ainda não escolhi uma. Deixe-me ver... (risos). Falando sério, acho que tenho mais recursos que ela para finalizar a luta. Acho que ela vai buscar a finalização, provavelmente com uma chave de braço, ou tentar alguns socos malucos, por subestimar o meu jogo em pé. Eu tenho poder de nocaute, tenho o wrestling e tenho o jogo de chão. Faço tudo isso bem, com uma boa transição entre as áreas. Essa é a essência do MMA, fazer tudo bem e conseguir tornar essa mistura uma arma eficiente contra o seu adversário. Mas eu gostaria de nocauteá-la - me faria um bem enorme - ou finalizá-la com uma chave de braço. Isso, sim, seria a cereja do bolo - finalizou.

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