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Thiago Pereira: esperança de medalhas em Pequim

Thiago Pereira: esperança de medalhas em Pequim

Atualizado: Sexta-feira, 1 Agosto de 2008 as 12

Thiago Pereira: esperança de medalhas em Pequim

Thiago Machado Vilela Pereira, 22 anos, carioca que mora em Belo Horizonte, 1,85 m de altura. Ele ganhou seis medalhas de ouro nos Jogos Pan-Americanos, no Rio de Janeiro, no ano passado, e é uma das maiores esperanças brasileiras de medalha nos Jogos Olímpicos de Pequim. Confira quais são as expectativas do nosso nadador número 1.

Você é apontado como favorito ao pódio na China. Qual a sua expectativa?

Thiago Pereira: Meu maior sonho é ganhar uma medalha olímpica e estou treinando muito para isso. Se isso acontecer, vou me sentir o cara mais realizado do mundo. Mas prefiro não ficar pensando nisso agora, em ter a obrigação de ganhar medalha. Meu principal objetivo é chegar primeiro à final e depois pensar em medalha. Para ir ao pódio, tenho de estar entre os oito melhores. E na final, a gente vê no que dá.

Como você lida com a cobrança por medalhas?

Thiago Pereira: Sempre tem essa expectativa em cima da natação, desde os anos 90 com Gustavo Borges e Xuxa, quando tivemos várias medalhas. Em 2004, na Olimpíada de Atenas, não conquistamos nenhuma medalha, então é natural que a cobrança aumente. Quem lidar melhor com isso, com a pressão, vai se dar bem. Isso faz parte. É tentar relaxar.

Você tem trabalhado o lado psicológico?

Thiago Pereira: Não tenho psicólogo. Mas sempre converso muito com meu técnico (Fernando Vanzella) e isso ajuda bastante.

Quais são as provas que irá disputar?

Thiago Pereira: Eu consegui seis índices olímpicos (200m e 400m medley; 100m e 200m costas; 200m livre e 200m peito), mas resolvi priorizar só as provas do medley, porque o desgaste seria enorme e muitas provas coincidiam no calendário. Em Pequim, vou nadar os 200m medley (minha especialidade), 400m medley e o revezamento 4x200m livre.

Ficou surpreso com o desempenho do norte-americano Ryan Lochte, que quase venceu o Michael Phelps na seletiva olímpica norte-americana?

Thiago Pereira: O Ryan foi o grande nome da seletiva norte-americana, quase venceu o Phelps nos 400m medley e ficou bem perto nos 200m medley. Já imaginava que ele poderia nadar bem. Por isso, não será nada fácil ficar entre os três na Olimpíada nessas duas provas. Mas é o que eu sempre digo, numa Olimpíada, muita coisa pode acontecer. Tempo no papel (no balizamento) não ganha prova. Temos de cair na água, nadar as eliminatórias, ir para final e só lá pensar em ficar entre os três primeiros. Estou bem tranqüilo em relaçãoa isso. O pódio só vai ser decidido na hora, apesar dos grandes resultados que o Phelps e o Lochte tiveram na seletiva. Além deles, tem o húngaro Laszlo Cseh, que foi bem na Europa. Mas eles vão ter de repetir tudo de novo ou até melhorar se quiserem uma medalha olímpica.

Nessa disputa pelo pódio, o que pode fazer a diferença?

Thiago Pereira: Ter mais tranqüilidade. Quem souber fazer melhor a prova, dosar o início da prova. Quando a gente cai na água, já tem uma estratégia na cabeça. Mas às vezes, o atleta cai na água, até pelo nervosismo e ansiedade se desespera, gastando mais energia do que deveria, por exemplo. Por isso, quem tiver mais calma, vai ter a chance de disputar uma medalha.

Tem algum tempo programado na sua cabeça para fazer em Pequim?

Thiago Pereira: Não. Também não fico pensando muito em tempo. Meu objetivo é cair na água e dar o melhor de mim naquele momento, sair satisfeito e falar: 'aquilo que eu fiz ali foi o melhor que eu poderia ter feito'. Esse é o meu objetivo, nadar bem, chegar à final e terminar entre os três primeiros.

Você fará a segunda Olimpíada da sua carreira. O que mudou de Atenas/2004 para cá?

Thiago Pereira: Em 2004, eu fiquei muito ansioso, até porque tudo aconteceu muito rápido.Em 2002, eu tinha ido para o Minas Tênis Clube, que defendo até hoje. Naquela época, não tinha índice para um Campeonato Brasileiro Absoluto, uma medalha de Campeonato Brasileiro Absoluto. E de repente, dois anos depois, estava ali, dentro de uma Olimpíada, cotado para ser vice-campeão olímpico pela Revista Sports Illustrated. Então tive meu nervosismo, eu era bem novo, tinha apenas 18 anos. Mas valeu como primeira experiência um quinto lugar, chegar à final olímpica foi fundamental. Hoje, com certeza, estou bem mais tranqüilo do que eu estava em 2004.  

Essa experiência ajuda na hora da final?

Ajuda, porque tive uma série de competições para chegar até aqui. Foram dois Pan-Americanos, Mundiais, etapas de Copa do Mundo, uma Olimpíada na bagagem. Tudo isso ajuda muito para chegar seguro à final. Todas as competições e treinos foram fundamentais para o meu crescimento. Não é do dia para a noite que a gente ganha tranqüilidade. Isso acontece progressivamente.

Já decidiu com qual maiô irá competir?

Thiago Pereira: Não. Ainda vou testar alguns maiôs aqui, em Macau. Todas as marcas serão distribuídas aos atletas. Vou ter muito maiô para experimentar. Gostei muito do Pointzero 3, fabricado pela Blue Seventy, um maiô usado pelo pessoal do triatlo. Ainda preciso testar o LZR Racer, da Speedo (responsável por muitas quebras de recordes mundiais). Eu vinha competindo com a calça do LZR. Mas o macacão eu ainda preciso testar.

Dá para descrever o que você sente quando sobe no bloco de partida?

Thiago Pereira: É tudo tão automático. Só fico ali esperando o sinal da largada. Muita gente pensa em tudo o que aconteceu na carreira. Eu procuro não pensar nisso. Penso, 'o que treinei, já treinei, o que passou já passou'. Não penso em nada mesmo. Fico ali concentrado, pra cair na água e buscar o meu limite.

O que você espera encontrar em Pequim?

Thiago Pereira: Eu só estive uma vez competindo na China, em uma etapa da Copa do Mundo, em Xangai. Em Pequim, vamos ficar na vila olímpica, onde todo o cardápio do restaurante é internacional, por isso não estou muito preocupado com isso. Vai ser aquele ritmo piscina-vila, vila-piscina. Não sei se vamos ter tempo pra dar uma volta na cidade.

A sua mãe, Rose, ficou famosa pelo grito 'Vai, Thiago!'. Ela vai a Pequim?

Thiago Pereira: Vai. O apoio dela sempre foi e será muito importante para mim em Pequim. Ela sempre me apoiou em cada prova, cada competição. Pena não poder levar a torcida brasileira toda pra lá. Mas pode ter certeza que ela vai representar essa torcida. 

Postado por: Myrian Rosário 

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