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Vôlei: Após problema pessoal, Dante está bem na Rússia e pronto para voltar à seleção

Vôlei: Após problema pessoal, Dante está bem na Rússia e pronto para voltar à seleção

Atualizado: Quinta-feira, 21 Janeiro de 2010 as 12

Sozinho, longe de casa, em um lugar frio e com pessoas que não falam a sua língua, mas com o coração acalentado pela certeza de que tomou a decisão certa. Na Rússia, com quase 12.000 km de distância da família, Dante está feliz, jogando pelo Dínamo de Moscou, e ansioso para ajudar a seleção brasileira a conquistar o tricampeonato mundial.

- Já estou com saudade de jogar pelo Brasil - disse o jogador, que não veste a camisa verde e amarela desde setembro de 2008, em entrevista ao GLOBOESPORTE.COM por e-mail.

Em novembro do ano passado, quando anunciou que retornaria à Europa, o mundo do vôlei foi pego de surpresa. Dante havia chegado há apenas cinco meses no Brasil Vôlei, alegando a vontade de estar perto do filho Antônio, que necessitava de cuidados médicos. O ponteiro abriu mão até mesmo da seleção para cuidar do seu caçula. Mas a melhora na saúde de Antônio, aliada a uma boa proposta do time russo, abreviara a sua permanência no país.

- Meu retorno ao Brasil tinha sido por esse motivo, Antônio precisava voltar e eu estar perto dele. Agora está tudo bem, ele está saudável e recuperado - afirmou ele, referindo-se ao problema de coração que levou o filho a passar por uma cirurgia assim que nasceu e que requer cuidados constantes.

Dante não nega que seu plano de carreira é jogar no exterior, pelo menos por agora, tanto que não pensa em times brasileiros para a próxima temporada. A única convicção, além do frio que passa, é a de que voltará a defender a seleção em 2010.

GLOBOESPORTE.COM: O que pesou na sua decisão de retornar à Rússia?

Dante: Voltei ao Brasil por causa do meu filho. Queria estar no Brasil, perto da família e foi uma decisão acertada, porque o Antônio está muito bem. Mas meu retorno ao Brasil tinha sido por esse motivo, Antônio precisava voltar e eu estar perto dele. Agora está tudo bem, ele está saudável e recuperado.

O time do Brasil Vôlei foi montado 'em cima' da sua participação na Superliga. Existiu algum tipo de mágoa, da comissão ou jogadores, com a sua saída?

Não, porque foi tudo às claras, tudo conversado. Precisava voltar ao Brasil para ficar perto do meu filho, e eles foram fundamentais nisso, me abriram as portas e ofereceram uma estrutura excelente para trabalhar. A equipe teve um primeiro semestre maravilhoso, disputamos títulos, conquistamos títulos e sou muito grato a tudo o que o Brasil Vôlei fez por mim.

Tem acompanhado os resultados da equipe na Superliga?

Sim, tenho acompanhado a Superliga pela internet, e os resultados são apenas um mau momento por que todas as equipes passam, ainda mais num campeonato longo, desgastante e de tanto equilíbrio. O Brasil Vôlei tem um ótimo grupo e vai se recuperar, subir na classificação e aparecer entre os primeiros colocados. Às vezes, as derrotas de agora podem render vitórias lá na frente, num momento mais decisivo da competição.

Após o término do contrato com o Dínamo, você pretende voltar ao Brasil?

Ainda é cedo para falar, estamos no meio da temporada e o meu foco está apenas no Dínamo. Estamos jogando duas competições muito fortes, a Champions League e o Campeonato Russo. Só vou pensar no próximo ano no fim da temporada.

Tem medo que a rescisão com o Brasil Vôlei dificulte seu retorno à Superliga? Que as equipes fiquem receosas em te contratar?

Não, de maneira alguma. Sou grato ao Brasil Vôlei por ter me ajudado num momento difícil da minha vida e saí do clube deixando portas abertas, além de muitos amigos. Quando foi repatriado, queria ficar perto da família.

Como está sendo este tempo longe deles? O que te conforta?

Ficar longe não é fácil, mas saber que está tudo bem me deixa muito tranquilo. Tenho contrato até maio aqui na Rússia, e a vida de atleta tem dessas coisas de ficar longe da família, sentir saudade dos filhos, mas faz parte da minha profissão e tenho que lidar com isso todos os dias.

Como está o seu filho Antônio?

O Antônio está muito bem, saudável, feliz e totalmente recuperado. Apesar da distância, estou sempre em contato, sempre tendo notícias. Procuro estar por perto, porque isso passa segurança. Meu conforto é que ele está bem, perto de ótimos profissionais que nos deixam muito tranquilos.

Como tem sido a temporada na Rússia?

Cheguei no começo de dezembro e estamos disputando o Campeonato Russo e a Champions League. É um ritmo muito puxado. Muitas viagens, muito frio, com temperaturas beirando os - 20º C, e adversários muito fortes. Na Champions, nos classificamos às oitavas de final. No Russo, estamos entre os primeiros, fazendo boa campanha, numa competição longa, e temos equipe para lutar pelo título.

Tem conversado com o Bernardinho?

Não, ultimamente não tenho falado com o Bernardo. Quando acertei meu retorno para o Dínamo, ele estava no Japão e não nos falamos. Em 2009, você esteve fora da seleção por decisão sua. Quais as pretensões para 2010? Em 2010, estou de volta à seleção brasileira. Já estou com saudade. Precisei ficar fora em 2009 porque tinha de estar perto do meu filho, da minha família, mas tudo está bem agora e este ano estou de volta. Já estou com saudade de jogar pelo Brasil.

Por: Carol Oliveira

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