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Volta por cima, encarada nos rivais, lembranças: Falcão campeão

Volta por cima, encarada nos rivais, lembranças: Falcão campeão

Atualizado: Segunda-feira, 16 Maio de 2011 as 9:03

Falcão sai de campo emocionado: primeiro título como técnico do Inter (Foto: Lucas Uebell/VIPCOMM)

  Paulo Roberto Falcão tratou a final do Campeonato Gaúcho como uma cerimônia, com pequenos gestos que, talvez ele mal soubesse, entrariam para a história recente do clássico. Do abraço enviado de longe a Renato Gaúcho à encarada nos torcedores gremistas, da entrada de Zé Roberto ainda no primeiro tempo ao cumprimento com o técnico rival antes dos pênaltis, Falcão soube transformar o clássico em trampolim para um melhor momento no Inter. O ídolo colorado, em momento de cobrança, deu a volta por cima. E o mais importante: conquistou seu primeiro campeonato com o clube onde foi criado.

Olhos nos olhos A cena mais marcante do Gre-Nal aconteceu antes mesmo de ele começar. Falcão, lentamente, se dirigiu para trás de sua casamata no Olímpico. Ali, ficou frente a frente com a torcida do Grêmio. Olhos nos olhos. Enquanto era xingado, ofendido, ele seguia mirando as arquibancadas, com as mãos no bolso, impassível, como se avisasse, com um olhar, que seria campeão gaúcho, que devolveria as provocações com título.

- Eu, quando trabalhei na imprensa, por 15 anos, sempre fui muito bem recebido no Olímpico. Não esperava que fosse igual. Tenho todo o respeito ao torcedor. Apenas olhei para eles, porque estavam me ofendendo. Eu não merecia aquilo. Mas não posso cuidar das pessoas. Entendo perfeitamente. Faz parte do futebol. Em nenhum momento, disse absolutamente nada. Apenas disse que estava ali, que trabalho no Internacional, que estava ali para ganhar, respeitando todo o amor que eles têm pelo Grêmio. É também amor o que eu tenho pelo Internacional – disse Falcão depois do jogo.

Abraços e gentilezas

No terceiro Gre-Nal com os maiores ídolos de Grêmio e Inter como técnicos, Paulo Roberto Falcão e Renato Gaúcho voltaram a trocar gentilezas. Antes de começar o jogo, o comandante colorado fez um sinal em direção ao treinador adversário. De longe, bateu os dois braços no peito, simulando um abraço. Renato, do outro lado, retribuiu o gesto.

Encerrado o tempo normal, com vitória de 3 a 2 do Inter, a decisão do título gaúcho foi aos pênaltis. Falcão e Renato caminharam um em direção ao outro, dentro do campo. Se cumprimentaram, se abraçaram, trocaram palavras. Demonstraram carinho um pelo outro. Mostraram uma civilidade que outros setores dos clubes parecem ter maior dificuldade em encontrar.

- O Grêmio é adversário, não inimigo – afirmou Falcão.

Volta por cima com a entrada de Zé Roberto

Mexida do técnico foi decisiva para recuperação do Inter (Foto: Jefferson Bernardes / VIPCOMM)

  Falcão foi para o Gre-Nal em momento de extrema contestação, decorrência direta das derrotas para Peñarol, com eliminação nas oitavas de final da Libertadores, e Grêmio. No primeiro tempo, armou um time diferente do habitual, com Juan na lateral esquerda e Kleber no meio. Não deu nada certo. Por 25 minutos, o Grêmio colocou o Inter na roda. E aí o treinador resolveu mexer. Perdendo por 1 a 0, tirou Juan e colocou Zé Roberto. A equipe colorada viu seu desempenho mudar radicalmente. E Falcão acabou o domingo como vencedor.

- Tínhamos que bloquear as passagens do Grêmio pelas laterais. O Kleber tem muita qualidade, experiência. Entrei com o Juan, em uma formação que eu já tinha testado, mas agora o treinamento me satisfez. Ficamos com quatro jogadores plantados atrás. Quando o Juan saiu, eu falei para ele que a troca não era por ele não estar jogando bem. Ele estava bem no jogo.

Medalha só no vestiário

Depois de tudo isso, veio o título. E Falcão foi absolutamente discreto. Saiu caminhando, cruzou o gramado, entrou no vestiário e lá ficou, pensando na vida, chorando a própria alegria. Nem a medalha recebeu em campo.

- Tive uma comemoração extremamente emocionada. Não tenho como explicar o que é ganhar um titulo no Internacional.

Lembranças

O título fez Falcão lembrar do passado. Em 1978, como jogador, ele também foi campeão gaúcho no Olímpico.

- Eu me lembro, acho que em 78, que conseguimos ser campeões aqui. Fizemos 2 a 0 no Beira-Rio, o Grêmio buscou o 2 a 2, e a decisão veio para o Olímpico. Com meio time machucado, fomos campeões, com vitória por 2 a 1. Não é fácil ganhar aqui.          

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