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Washington relembra o 'gol da vida', que simbolizou sua volta ao futebol

Washington relembra o 'gol da vida', que simbolizou sua volta ao futebol

Atualizado: Sábado, 22 Janeiro de 2011 as 10:46

Em 20 anos de carreira, Washington se tornou detentor de uma conquista pessoal: ser o maior artilheiro de uma única edição do Campeonato Brasileiro. Foram 34 gols na competição de 2004. Mas sua vida não foi marcada apenas por conquistas. Um ano antes, em 2003, um exame de rotina mostrou a obstrução quase total de uma das artérias de seu coração. Em entrevista exclusiva ao “Esporte Espetacular”, o jogador falou sobre como foi ouvir de um médico que teria que parar de jogar aos 27 anos.

Em função deste problema, o atacante acabou dispensado de seu clube, na época o Fenerbahçe, da Turquia. Mas Washington não desistiu:

- Não, nunca pensei que fosse parar. Acho que foi essa minha vantagem de continuar. Decidi voltar a jogar, aconteça o que acontecer, doa a quem doer, e falei que o que fosse preciso fazer, eu faria pra jogar futebol.

O "gol da vida" de Washington

 Depois disso, o atacante passou por duas cirurgias no coração e, com coragem, voltou a jogar pelo Atlético-PR. Teve que assinar um termo de compromisso com o clube, afirmando ter consciência dos riscos que corria.

A recompensa veio na reestreia, durante o Campeonato Paranaense de 2004, no clássico Atlético-PR x Paraná. Ele fez um gol que se tornou o mais especial de sua carreira e o fez passar a comemorar batendo no coração:

- Foi a minha volta ao futebol, depois de um ano e dois meses parado. Foi até um clássico contra o Paraná Clube. Inclusive, até muitos torcedores do Paraná aplaudiram aquele gol, que é chamado de “o gol da vida”. Ganhamos de três a zero e eu fiz o primeiro gol. Até me ajoelhei no meio de campo e ali veio um filme, porque muitos falaram que eu não voltaria a jogar. Aquilo lá foi a coroação depois do que eu sofri e batalhei.

O momento mais difícil

Anos depois, vestindo a camisa do Fluminense pela primeira vez, Washington vivenciou a grande frustação de sua vida. Foi na partida contra a LDU, do Equador, pela final da Libertadores da América. O Tricolor das Laranjeiras perdeu o título em pleno Maracanã, nos pênaltis.

- Ali foi um dos momentos mais difíceis da minha carreira. Que jogo fatídico. A gente foi vivendo um grande momento, melhor campanha da Libertadores. Como eu gostaria de ter comemorado, ter dado esse título pra torcida do Fluminense, pois ela merecia.

Na disputa de pênaltis, Washington era o último cobrador do Fluminense. Toda esperança estava nos pés dele, que acabou morrendo nas mãos do goleiro Cevallos.

- Foi uma sensação horrível ter perdido aquele pênalti. Se eu pudesse me enfiar ali debaixo da terra, eu me enfiava ali mesmo. E o pior é que os três melhores cobradores do time, eu, Conca e Thiago Neves, perderam. Era para acontecer.

A despedida do futebol

 Mas qualquer lembrança negativa fica para trás quando o “Coração Valente” está ao lado de suas filhas: Catarina, de três anos, e Ana Beatriz, de oito. As duas foram sua proteção ao abraçarem o pai na entrevista coletiva em que anunciou o fim da carreira.

Além das meninas, que pesaram em sua decisão de deixar o futebol, outro orgulho em sua vida foi ter sido campeão brasileiro em 2010, na sua segunda passagem pelo Fluminense:

- Eu acho que todos os campeonatos que eu disputei eu fui o artilheiro. No Japão, aqui no Brasil. Mas em termos coletivos, realmente, aqui no Brasil, faltava um título importante pra mim. Então, eu acho que coroou. No finalzinho, aos 44 do segundo tempo, eu consegui ter um título importante aqui no Brasil foi ótimo.  

Por: Alexandre Sattamini

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