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Zico descarta assumir cargo no Fla e ainda pretende ser técnico no exterior

Zico descarta assumir cargo no Fla e ainda pretende ser técnico no exterior

Atualizado: Sexta-feira, 5 Fevereiro de 2010 as 12

No programa Tá na Área do dia 26 de janeiro, Zico surpreendeu ao mudar o tom de uma resposta que durante anos sempre foi negativa. Chateado com a demissão do Olympiacos e inclinado a ficar no Brasil curtindo a família, o eterno ídolo rubro-negro deixou no ar a hipótese de finalmente voltar a trabalhar na Gávea. A aproximação, porém, ficou apenas na parceria entre Flamengo e CFZ. Em seu site oficial, Zico explicou como será a união dos clubes e elogiou Patrícia Amorim, com quem se reuniu na última terça-feira. Mas o Galinho descartou a possibilidade de assumir qualquer cargo na gestão da presidente.

- Hoje estou convicto de que devo seguir em frente na minha carreira como treinador. Acho que ainda tenho muito a colaborar. Entendo os torcedores do Flamengo que querem que eu ocupe um cargo na diretoria do clube para dar minha cota de colaboração. Também sou torcedor. Mas isso não é possível no momento. Sou dono de um clube de futebol que tem funcionários e dezenas de famílias que dependem diretamente de mim. E não preciso ser diretor ou presidente para ajudar o Flamengo. Nunca precisei - escreveu Zico em seu site.

 Enquanto curte o verão carioca, o ex-jogador espera uma proposta para voltar a trabalhar no exterior.

- Pretendo continuar na carreira fora do Brasil. Até o mês de julho, acredito que não seja possível receber um bom convite para desenvolver um trabalho desde o início. É ano de Copa do Mundo e as mudanças devem ocorrer somente após o Mundial. Portanto, até lá devo ficar aqui no Rio de Janeiro. Mas espero ter um novo desafio como treinador já no segundo semestre deste ano.

Mesmo longe da administração rubro-negra e de olho no mercado internacional, Zico prometeu ajudar o Flamengo garimpando talentos no CFZ. O clube fundado por Zico em 1996 continuará com idependência nas categorias de base, mas todos os jogadores lá formados terão prioridade de transferência para o Flamengo. Além disso, os júniores e profissionais disputarão seus campeonatos como um time B rubro-negro, aproveitando jogadores que estejam fora dos planos dos treinadores na Gávea e no Ninho do Urubu. Zico lembrou que o CFZ pode ser últil até mesmo na formação de técnicos, já que Andrade começou lá.

Veja a íntegra do texto publicado por Zico em seu site oficial :

Antes mesmo de voltar ao Brasil, meu filho Bruno estava conversando com a presidenta do Flamengo, Patrícia Amorim, sobre uma possível parceria entre os dois clubes. Como saí do Olympiacos e vim para o Rio de Janeiro, acabei participando da reunião entre os dois na última terça-feira e esse papo já teve várias interpretações.

Em primeiro lugar, quero deixar claro que desejo descansar bastante até o fim de março, passar o Carnaval e meu aniversário com a minha família, ir à praia e curtir essa vida de avô. Mas ainda sou treinador de futebol e pretendo continuar na carreira fora do Brasil. Até o mês de julho, acredito que não seja possível receber um bom convite para desenvolver um trabalho desde o início. É ano de Copa do Mundo e as mudanças devem ocorrer somente após o Mundial. Portanto, até lá devo ficar aqui no Rio de Janeiro. Mas espero ter um novo desafio como treinador já no segundo semestre deste ano.

Essas considerações são importantes para explicar que, apesar da tristeza com a violência e o racismo que vi nos últimos anos, hoje estou convicto de que devo seguir em frente na minha carreira como treinador. Acho que ainda tenho muito a colaborar. Entendo os torcedores do Flamengo que querem que eu ocupe um cargo na diretoria do clube para dar minha cota de colaboração. Também sou torcedor. Mas isso não é possível no momento. Sou dono de um clube de futebol que tem funcionários e dezenas de famílias que dependem diretamente de mim. E não preciso ser diretor ou presidente para ajudar o Flamengo. Nunca precisei.

Participei da reunião entre o Bruno, que é o presidente do CFZ do Rio, e a Patrícia, e ajudei a formular uma proposta que acredito ser muito positiva para as duas partes. Segundo o que conversamos e colocamos em documento, o CFZ passa a ser nas categorias de juniores e profissionais o Flamengo B. Patrícia me falou de convites que não conseguem ser atendidos para excursões no exterior e jogadores que estouram o limite de idade e não tem mais como ser avaliados. São dispensados. Foi até uma promessa da campanha dela contar com um time B.

Estou certo de que o clube que eu fundei em 1996 pode ajudar até mesmo na formação de treinadores. Andrade, hoje técnico do Flamengo, começou no CFZ. Só para citar um exemplo. Há jogadores e membros de comissões técnicas espalhados pelo Brasil e pelo Mundo que passaram pelo nosso projeto Recreio dos Bandeirantes.

É claro que, estando no Rio de Janeiro, eu diretamente ajudaria a olhar jogadores acima de 20 anos que estivessem no CFZ e fossem do Flamengo, assim como os juniores com bom potencial. Ao mesmo tempo, bons jogadores ajudariam o azul e branco a disputar a segunda divisão. Já a base do CFZ seguiria independente, mas com a prioridade toda do Flamengo para aproveitamento dos atletas.

Essa é uma parceria muito comum no Brasil e em outros países. Na Itália, lembro-me, por exemplo, da relação que a Juventus já teve com o Atalanta. E grandes times têm uma equipe B, assim como Real Madrid, Barcelona e por aí vai. Portanto, a proposta me deixa contente com a possibilidade de ajudar como eu posso e ao mesmo tempo deixar vivo e ativo um projeto que eu criei com muito carinho. Vale lembrar ainda que, além de clubes no Rio e em Brasília, ainda temos na nossa estrutura do CFZ hoje escolinhas de futebol se espalhando pelo Brasil com o nome Zico 10. Ou seja, peneirar talentos para o Flamengo é hoje a melhor forma que eu vejo para colaborar com o clube e seguir em frente com o meu trabalho como treinador. Até quando será assim? Isso só o tempo pode responder.

Antes de encerrar, queria enviar um recado aos torcedores. No papo que tive com a presidenta do Flamengo, vi Patrícia Amorim bem preparada e com conhecimento total dos problemas que irá enfrentar. Não falo só no futebol, mas no clube como um todo. Espero e torço bastante para que todos a ajudem para o bem do nosso Flamengo.

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