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Demóstenes nega envolvimento em esquema de jogos ilegais de Cachoeira

Demóstenes nega envolvimento em esquema de jogos ilegais de Cachoeira

Atualizado: Terça-feira, 29 Maio de 2012 as 11:41

O senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) negou, durante seu depoimento no Conselho de Ética do Senado nesta terça-feira, que tenha envolvimento com o esquema de exploração de jogos ilegais orquestrada por Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. "Eu queria dizer às senhoras e senhores que todas as autoridades que atuaram nesse inquérito disseram textualmente que eu não tenho nada a ver com jogo. Devo essa explicação à minha mulher, aos meus filhos e aos senhores", disse.

 

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Assista ao vivo: Depoimento de Demóstenes Torres ao Conselho de Ética

Demóstenes enfrenta processo disciplinar por quebra de decoro parlamentar. Ele é acusado de mentir sobre seu envolvimento com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Também é apontado por colegar por atuar como uma espécie de lobista da quadrilha encabeçada pelo contraventor, que está preso há três meses.

Ao começar seu depoimento, Demóstenes listou uma série de realizações suas no Senado e disse que este é o "pior momento" de sua vida. "A partir de 29 de fevereiro desse ano, hoje estamos inteirando três meses do episódio, eu passei a enfrentar algo que nunca tinha enfrentado na minha vida: depressão, remédio para dormir, que não fazem efeito, fuga dos amigos e talvez a campanha sistemática mais bem engendrada do Brasil", afirmou o senador.

Mais especificamente sobre Cachoeira, Demóstenes voltou a afirmar que tinha uma relação pessoal com o contraventor, mas não tinha conhecimento de suas atividades ilegais. Ele acrescentou que o bicheiro tinha bom relacionamento com diversos políticos, entre eles parlamentares e governadores. "Eu não tinha a lanterna na popa. Não podia adivinhar o que eu sei hoje. Eu me relacionava com um empresário que também se relacionava com cinco governadores de Estados, dezenas de deputados federais e estaduais. E todos confirmaram conhecê-lo: Sim, ele tinha vida social, ele era recebido nos lugares."

Ele apontou também que as divulgações da imprensa sobre o seu envolvimento com Cachoeira são feitas com "maledicência" e que o aumento de seu patrimônio ocorreu de forma legal. Seu apartamento, segundo ele, foi pago com R$ 400 mil de sua mulher, e o restante, R$ 800 mil, foi parcelado a perder de vista. "Vou terminar de pagar a última prestação quando inteirar 80 anos de idade. Saíram em manchetes um apartamento de 700 m², ele tem 400m² como eu vou mostrar nos documentos", afirmou. "E saiu uma manchete: Demóstenes quadruplica seu patrimônio. Sim, em 30 anos meu patrimônio será quadruplicado."

O relator do caso de Demóstenes no Conselho de Ética é o senador Humberto Costa (PT-PE). Em 3 de maio desse ano, ele apresentou um relatório preliminar que pede a cassação do congressista goiano. Para Costa, Demóstenes mentiu durante discurso na tribuna do Senado sobre como era sua relação com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

"Está em debate não é a imagem do parlamentar individualmente considerada, mas a do Parlamento. Se os atos foram praticados no exercício do mandato de senador, projetando-se para a atualidade e atingem a imagem do Senado Federal, não há que se alegar ilegítima a inauguração de um procedimento investigatório", escreve Costa no relatório de 63 páginas.

O Conselho de Ética é composto por 15 membros. Presidido por Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), o colegiado conta com quatro senadores do PMDB, dois do PSDB, três do PT, um do PTB, um do DEM, um do PR, um do PP e um do PDT. Até para amigos de Demóstenes no Senado, é dada como certa a cassação no Conselho, onde o voto é aberto. Ele espera se safar no plenário, onde o voto é secreto.


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