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Demóstenes tenta 'manobra política' ao recorrer ao STF, diz relator

Demóstenes tenta 'manobra política' ao recorrer ao STF, diz relator

Atualizado: Sexta-feira, 15 Junho de 2012 as 7:42

Valor Online

Relator do processo disciplinar contra o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) no Conselho de Ética, o senador Humberto Costa (PT-PE) disse que espera uma resposta negativa do Supremo Tribunal Federal (STF) ao pedido de suspensão da análise em andamento no conselho feito pela defesa de Demóstenes, na tarde desta quinta-feira.

"Todos os prazos regimentais de defesa estão sendo cumpridos rigorosamente. Em nenhum momento houve cerceamento de defesa\", disse o senador petista.

O julgamento no Senado, disse, é \"eminentemente político\", prescindindo de fundamentação jurídica, como a legalidade ou não de escutas telefônicas. Em último caso, Costa pode pedir a cassação do mandato de Demóstenes por quebra de decoro parlamentar em razão das relações mantidas pelo senador com o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso pela Polícia Federal sob a acusação de comandar um esquema de corrupção. Cachoeira também é alvo de investigação em uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso.

Na avaliação do senador, caso o STF suspenda a análise do processo, os trabalhos do Senado poderiam ficar prejudicados em razão do adiamento para o segundo semestre da votação em plenário do relatório final do conselho. \"É uma manobra política com o objetivo de adiar uma decisão\", declarou o senador, sem antecipar o teor de seu relatório.

Mais cedo, Costa havia dito que aguarda apenas as alegações finais da defesa de Demóstenes para a conclusão de seu relatório a ser apresentado no Conselho de Ética na tarde da próxima segunda-feira. \"Está mantida esta previsão\", disse o senador.

defesa de Demóstenes recorreu ao STF para tentar suspender o processo disciplinar em análise no conselho, sob a justificativa de cerceamento de defesa, sobretudo em razão de ilegalidade das interceptações telefônicas que o associam a Cachoeira e da negativa de um pedido de perícia nos áudios analisados.

Em razão da prerrogativa de foro, Demóstenes só poderia ser objeto de escutas telefônicas com autorização do Supremo, o que não ocorreu no âmbito das investigações Monte Carlo, da Polícia Federal.


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