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Fase mais aguardada do julgamento do mensalão coincide com auge da eleição

Fase mais aguardada do julgamento do mensalão coincide com auge da eleição

Atualizado: Sábado, 15 Setembro de 2012 as 8:59

Wilson Lima

Análise sobre se houve compra de apoio político no Congresso tem início na próxima semana, mesmo período em que a campanha municipal entra em sua reta final

Fase mais importante do julgamento do mensalão, a análise sobre se houve ou não um esquema de compra de apoio político no Congresso durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai acontecer justamente na reta final da campanha eleitoral deste ano.

Na quinta-feira passada, o Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu o terceiro item do julgamento relacionado ao crime de lavagem de dinheiro. Nas semanas anteriores, os ministros analisaram as irregularidades dos contratos entre a Câmara dos Deputados e o Banco do Brasil com as agências de publicidade de Marcos Valério (SMP&B e a DNA Propaganda) e os empréstimos concedidos pelo Banco Rural a Valério e o PT, considerados ilegais pelo Supremo.

Após a análise dos três primeiros itens da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), o Supremo concluiu a primeira etapa do julgamento do mensalão. Os ministros entenderam que Marcos Valério e seus sócios obtiveram, de forma irregular, pelo menos R$ 32 milhões. Agora, a partir de segunda-feira, os ministros vão debater para onde foram esses recursos. A visão da PGR é que o dinheiro foi destinado a deputados federais, a mando do ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu, para obtenção de apoio político de congressistas aos projetos de interesse do Executivo.

Pelo calendário do mensalão, a análise de mérito sobre se deputados federais se beneficiaram de um esquema ilícito de obtenção de recursos vai acontecer nas próximas duas semanas. Nas sessões de segunda-feira e quarta-feira, o ministro Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão, vai se pronunciar sobre a participação de 24 réus, entre os quais José Dirceu; o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares; e o ex-deputado Roberto Jefferson, delator do mensalão. Na quinta-feira e segunda-feira da semana seguinte, a expectativa é que o ministro revisor, Ricardo Lewandowski, faça o seu julgamento. Os demais ministros farão a sua análise nas duas sessões subsequentes.

Dessa forma, a primeira etapa do julgamento político do mensalão vai ser concluída uma semana antes das eleições, momento marcado pelo término da propaganda em rádio e TV e pelos últimos debates televisivos. A expectativa é que partidos como o PTB, o PMDB, o PR (ex-PL) e o próprio PT sejam os mais atingidos pelo resultado do julgamento.

O especialista em marketing político Alexandre Barros afirma que, apesar disso, é difícil mensurar previamente qual vai ser o comportamento do eleitor diante do julgamento. Ele afirma que nunca na história política o Brasil viveu situação semelhante. O mensalão é considerado como o maior julgamento da história, além de ser visto como emblemático no que se refere à adoção de novas ações de combate à corrupção no país. “É muito difícil fazer uma previsão (das consequências políticas). Pode haver ataques, mas é um tipo de ataque que não se sabe como vai se comportar no coração de cada pessoa”, disse Barros. “É um acontecimento único. Qualquer opinião (sobre reflexos do julgamento) é mero palpite”, pontuou.

Algumas campanhas em todo o Brasil já utilizam trechos do julgamento do mensalão como estratégia de ataque. O candidato a prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), exibiu na propaganda eleitoral gratuita peças em que o seu adversário, Fernando Haddad, aparece ao lado de Delúbio Soares (ex-tesoureiro do PT), José Dirceu e João Paulo Cunha, este último o único político condenado até agora por envolvimento com o mensalão.

Em São Luís, capital do Maranhão, o candidato a prefeito pelo PT, Washington Luiz, aliado da governadora Roseana Sarney (PMDB), é alvo de uma paródia no YouTube alusiva ao mensalão. No vídeo, ele é associado a imagens de Marcos Valério, José Dirceu e Delúbio Soares. Em Fortaleza (CE), as menções ao mensalão tomaram conta do debate entre os candidatos Elmano de Freitas (PT), Roberto Cláudio (PSB) e Marcos Cals (PSDB).

Na prática, o maior reflexo político do julgamento do mensalão até o momento foi a desistência de João Paulo Cunha (PT), ex-presidente da Câmara dos Deputados, de concorrer à Prefeitura de Osasco. Ele foi condenado pelos crimes de peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A pena sugerida pelo ex-ministro Cézar Peluso, antes de se aposentar, foi de 6 anos e 100 dias de prisão em regime semiaberto. A dosimetria somente será definida no final do julgamento. Mesmo que seja estabelecida a pena mínima, Cunha provavelmente ficará inelegível por pelo menos 14 anos, com base na Lei da Ficha Limpa.


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