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Perillo nega que venda de casa tenha sido irregular

Perillo nega que venda de casa tenha sido irregular

Atualizado: Sexta-feira, 11 Maio de 2012 as 11:14

O gabinete de imprensa do governador de Goiás, Marconi Perillo, negou, em nota divulgada na noite desta quinta-feira (10), irregularidade na venda de uma casa particular que teria sido paga com cheques emitidos por um sobrinho do bicheiro Carlinhos Cachoeira, preso neste ano por suspeita de chefiar exploração de jogos ilegais no estado.

"A casa era patrimônio pessoal. Foi vendida rigorosamente dentro da lei e declarada no Imposto de Renda em uma transação que, absolutamente, nada tem a ver com a atividade pública do governador", diz a nota, distribuída pelo assessor-chefe de imprensa, Isanulfo Cordeiro.

Detalhes da transação foram informados pelo delegado da Polícia Federal Matheus Mela Rodrigues, responsável pela Operação Monte Carlo, que prendeu o bicheiro, em depoimento na tarde desta quinta (10) em sessão secreta da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga as relações de Cachoeira com políticos e empresários.

Segundo o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), Rodrigues disse que as investigações apontam que a casa, localizada em condomínio de Goiânia, foi paga com cheques que somavam R$ 1,4 milhão, com folhas em nome de Leonardo de Almeida Ramos, sobrinho do contraventor.

"Foram três cheques do sobrinho do Cachoeira. O sobrinho do Carlinhos Cachoeira se chama Leonardo de Almeida Ramos. Foram três cheques. Um cheque de R$ 400 [mil], outro de R$ 600 [mil] e outro de R$ 400 [mil] pela venda do imóvel", disse o deputado.

Na nota, o gabinete de imprensa diz que a venda foi intermediada pelo ex-vereador Wladimir Garcez, apontado pela PF como braço-direito de Cachoeira e principal elo do bicheiro dentro do governo de Goiás. Segundo a nota, Garcez, que está preso, teria se apresentado inicialmente como o comprador do imóvel. Na escrituração, porém, foi informado o nome de outra pessoa, Walter Paulo.

"Ele [Perillo] recebeu os cheques, depositou-os nas datas combinadas e só escriturou o imóvel após compensação de todos os cheques . O governador não observou o nome do emitente pois a casa só seria escriturada após a devida quitação. Ele não sabia nem sabe quem é esta pessoa citada", diz a nota divulgada pelo gabinete de imprensa.

Depoimento

Segundo relato de parlamentares, no depoimento dado na CPI, o delegado Matheus Mela Rodrigues disse que o nome de Marconi Perillo foi citado em mais de 200 conversas telefônicas interceptadas pela Operação Monte Carlo. Há citações também envolvendo o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz.

Ainda segundo Paulo Teixeira, o delegado confirmou escutas da Polícia Federal,reveladas pelo Jornal da Globo, que indicam remessa de uma caixa de computador com R$ 500 mil para o palácio do governo de Goiás. A caixa teria sido recebida por um assessor especial, o que foi negado pelo governador.

A nota do gabinete de imprensa ainda afirma as menções ao nome de Perillo nas investigações "não podem servir de referência para conclusões precipitadas e infundadas sobre supostas relações indevidas".

Depois da sessão secreta com o delegado, o presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), disse que o plano de trabalho poderá ser alterado para ouvir de Perillo e Agnelo. Os requerimentos de convocação poderão ser votados na próxima quinta-feira (17). O deputado Fernando Francischini (PSDB-PR), disse que Perillo telefonou para os integrantes da CPI pedindo para ser ouvido na comissão.

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